Fechar
Publicidade

Sábado, 21 de Maio

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

economia@dgabc.com.br | 4435-8057

Segunda onda de Covid-19 derruba bolsa, dispara dólar e encarece alimentos

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Reflexos da crise são acentuados e consumidor deve sentir no bolso quando for ao mercado


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

29/10/2020 | 00:01


A segunda onda do novo coronavírus, que volta a assombrar países da Europa, deixou ontem o mercado financeiro com os nervos à ‘flor da pele’. O temor da prorrogação da duração da pandemia e da instabilidade que ela traz à economia mundial derrubou bolsas de valores mundo afora e, inclusive, no Brasil. O Ibovespa, principal índice da B3, sofreu tombo de 4,25%, aos 95.368,76 pontos. Foi o segundo pior resultado desde que a Covid-19 aportou no País; em 24 de abril, a queda havia sido de 5,45%.

Neste cenário, o dólar usado para exportação disparou e foi a R$ 5,76, o maior valor desde 15 de maio. E, o turismo, a R$ 5,90, mas em casas de câmbio chegou a ser vendido a R$ 6,08.

De acordo com especialistas, isso tudo se reflete no prato do brasileiro, pois os preços dos alimentos devem subir, uma vez que produtos como arroz e soja (usada para alimentar o gado, o que impacta no custo da carne e do leite) são commodities e têm seus valores cotados em dólar e, com isso, além de serem valorizados pela alta da moeda norte-americana, são disponibilizados em menor quantidade aos supermercados para privilegiar a venda a outros países. A demanda por itens de primeira necessidade, no entanto, só cresce, diante do isolamento físico e da adoção de home office pelas empresas. O resultado é um só: aumento dos custos nas prateleiras.

“Ao que tudo indica, os preços deverão continuar subindo, pois os produtores tendem a tirar do mercado interno e levar ao Exterior. Isso num momento em que o IPCA-15 (prévia da inflação) já indicou recorde para outubro, de quase 1%, puxado pelos valores dos alimentos, e que boa parte da população destina sua renda quase que exclusivamente ao supermercado. Mesmo com a redução do valor do benefício emergencial (de R$ 600 para R$ 300), a demanda segue aquecida”, explica Samuel Durso, economista da Fipecafi. “E não adianta nem liberar para importação porque o preço não está alto somente aqui, mas lá fora também”, complementa o economista Ricardo Balistiero, coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia.

Sendo assim, o custo da cesta básica no Grande ABC, que neste mês rompeu pela primeira vez na história o patamar de R$ 800, segue quebrando recordes negativos e reduzindo o poder de compra do consumidor. Considerando o valor atual do salário mínimo, de R$ 1.045, hoje 76,6% do montante ficam no mercado.

O reflexo da alta do dólar também é sentido em produtos importados e em bens de capital que são fabricados no País, mas que usam componentes vindos de fora, por exemplo, automóveis e eletroeletrônicos. O custo do minério, essencial em diversas cadeias produtivas, também sobe e, com isso, o valor do preço do produto final.

EFEITO DOMINÓ

Com o aumento de novos casos de Covid-19 em países europeus que pensavam já ter vencido a batalha, como a França, que ontem decretou o segundo lockdown (quando só estabelecimentos essenciais podem abrir), cresce o receio de que no Brasil aconteça o mesmo. E de que a produção, que já está escassa, encolha ainda mais e empurre a um prazo indeterminado a expectativa de retomada de investimentos e geração de emprego.

A ampliação das incertezas leva investidores a tirarem dinheiro das bolsas, vendendo ações, o que faz com que elas caiam e o valor de mercado das empresas diminua. Esse dinheiro das ações vai para ativos mais seguros e rentáveis, como o próprio dólar e o ouro, e para países que têm economias mais fortes e maiores chances de se recuperar da Covid, caso dos Estados Unidos. Com a saída de investidores do Brasil existe maior evasão de dólares e, portanto, a cotação da moeda encarece mais.

“Neste ano, só no mercado secundário (quando os operadores podem comprar ou vender ações entre eles, e não diretamente das empresas), a saída de capitais tem sido bastante forte, de valores próximos a R$ 90 bilhões, o dobro de 2019. É muita coisa”, pontua Balistiero.


Taxa básica de juros continua em 2% ao ano, menor patamar histórico

O Banco Central decidiu ontem manter a Selic, a taxa básica de juros, aos 2% ao ano, menor patamar desde o início da série histórica, em 1996. Na atual conjuntura, em que as incertezas amplificadas pela segunda onda da Covid-19 tendem a pressionar os preços devido à alta do dólar, a opção foi pela manutenção, mas com chances de efetuar novo corte conforme a inflação se comportar até o fim do ano.

“O Banco Central se viu em uma situação muito complicada, pois se reduzisse a Selic, a inflação poderia se descontrolar. E, ao mesmo tempo, se aumentasse a Selic, a inflação poderia ser freada e, a economia, desestimulada, já que os juros baixos são essenciais para a oferta de crédito mais barato para impulsionar investimentos”, explica Samuel Durso, economista da Fipecafi.

Segundo ele, será feito monitoramento contínuo até dezembro, quando ocorrerá a última reunião do ano para avaliar a Selic. “A inflação vai subir até lá, mas acredito que em níveis controlados, não devendo passar da meta de 4% ao ano”, avalia. 



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;