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Rotina e contato com a família são essenciais para os idosos

Pixabay Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Especialistas indicam que é necessário se manter ativo para evitar tédio e a solidão de ficar em casa


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

21/09/2020 | 07:00


Estabelecer rotina e manter contato com a família são essenciais para a qualidade de vida de idosos e pessoas com necessidades especiais (leia mais abaixo) durante a pandemia. Mesmo com a flexibilização da quarentena, a retomada de atividades presenciais não é recomendada para pessoas com mais de 60 anos, uma vez que pertencem ao grupo de risco da Covid-19. Delegar horários para acordar, fazer exercícios, se alimentar e, até mesmo, para eventuais momentos de descanso durante o dia, além de falar com familiares, ajudam a evitar a monotonia e a solidão.

“Precisamos de muita empatia, eles (idosos) não podem ser tratados como invisíveis e inúteis, o idoso não pode se sentir inválido”, destaca Mario Caxambu Neto, gestor do curso de fisioterapia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). Indicação é adaptar as atividades que já eram feitas antes à nova realidade. Por exemplo, se a pessoa acordava às 8h e saia para caminhar, o horário pode ser mantido, mas o exercício pode ser trocado por uma volta no quintal ou, caso não tenha área externa disponível, dentro da própria residência.

Nesta toada, também é preciso organizar a rotina dos parentes para que, diariamente, o idoso possa conversar com algum familiar. “Se idoso ainda não tem acesso à tecnologia, é oportunidade para o ensinar. Uma chamada de vídeo, por telefone e fazer um chá ou jantar on-line pode ser grande diversão. Dica de ouro é apoiar mesmo estando distante”, diz Márcia Sena, farmacêutica, bioquímica e fundadora da Senior Concierge. “O grande risco é que eles se sintam isolados, inúteis e que não pertencem à sociedade, isso pode desencadear em depressão, síndrome do pânico e ansiedade”, alerta.

O tempo livre, que antes da pandemia costumava ser utilizado para atividades externas, por exemplo, é oportunidade para retomar algum hobby, como pintura, tricô, tocar algum instrumento ou descobrir um novo passatempo, a exemplo de se aventurar na cozinha com receitas diferentes. Outra opção é ler um livro inédito. “É interessante fazer atividades de estímulo cognitivo, como palavras cruzadas, jogos lúdicos e exercícios de memória, além de ver fotografias e ouvir músicas antigas”, sugere Caxambu Neto.

O autônomo João Olavo Nascimento, 55 anos, de Santo André, mora com a mãe Nair, 84, desde que ela se mudou para sua casa, em 2017, após ter um AVC (Acidente Vascular Cerebral) que deixou o esquecimento como sequela. “Às vezes, ela não lembra e deixa luz acesa ou a torneira aberta. Tentei propor afazeres como cuidar das plantas e lavar a louça. Só não deixo ela cozinhar, pois pode esquecer o fogo aceso”, conta o filho.

Antes da pandemia, eles costumavam sair para ir ao supermercado, à padaria ou à casa de parentes e amigos. Porém, desde março, Nair saiu de casa apenas uma vez para ir tomar a vacina da gripe. “O medo de todo o momento que a gente vive é do vírus. Ela sempre foi caseira, então, mantivemos boa parte da rotina do dia a dia”, relata João Olavo.

HOME OFFICE
Para os idosos que estão em teletrabalho, orientação é que eles se levantem a cada 45 minutos e parem por pelo menos cinco minutos para ter alguma atividade prazerosa, como tomar um café, se alongar ou ir até o quintal. “Isso vai ajudar na visão, que terá um descanso da tela do computador, e no corpo, já que ele irá se levantar e dar pelo menos uma andada”, assinala Márcia.

Manter a rotina nestes casos também é crucial, desde o horário para início e fim da jornada e pausa para almoço, até as demais atividades no momento de descanso. Importante é sempre se manter ativo.


Agenda deve guiar o cotidiano de autistas

Assim como no caso dos idosos, a rotina é importante na vida de crianças com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo), sobretudo na quarentena. “Essa quebra de rotina com o isolamento provoca alterações comportamentais, então precisa de adaptações porque elas (crianças autistas) têm muitas dificuldades com mudança de rotina”, afirmou Mario Caxambu Neto, gestor do curso de fisioterapia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano).

No início da quarentena, em março, quando as atividades e aulas presenciais foram suspensas, a mudança de rotina causou comportamento inadequado. “Tivemos crianças que precisaram vestir o uniforme para as aulas on-line, que precisaram adaptar atividades físicas em casa e outras que começaram a passear com o cachorro no quintal. Mas em todos os casos, a criação de nova rotina foi essencial”, assinalou Thainara Morales Andretta, pedagoga e analista do comportamento.

Caxambu Neto orienta que as crianças recebam estímulos, com atividades que a interessem, mas que não se tornem monótonas. “Uma coisa importante é elogiar. Além disso, sempre estimular a motricidade porque ela tende a ficar muito parada, então pode usar uma bola e a coordenação fina com as mãos pode ser estimulada com bonecos”, sugeriu.

Adriana Lemes Vasconcelos, 37 anos, agente de biblioteca arquivo de São Bernardo, é mãe dos gêmeos Thales e Heithor, 9, ambos autistas, e da Sophia, 6. “Antes da pandemia, a rotina era irmos às terapias dos meninos pela manhã, depois almoçávamos, eu embarcava as crianças no transporte escolar e ia trabalhar. Agora, meu marido e eu passamos a trabalhar em home office e só ele fazia as saídas essenciais. A terapia dos meninos passou a ser remota”, contou.

Desde então, a família passou por adaptação da “mudança de rotina”. Atualmente, as crianças fazem a terapia, agora presencial, e a tarde as atividades escolares, que estão sendo aplicadas remotamente. “Os meninos faziam natação adaptada, mas não há previsão de retorno neste ano. Eles são apaixonados por água”, comentou.

Para organizar o fluxo, o quarto do casal é o local para as atividades on-line, sejam do trabalho ou da escola. Ela relatou que o Heithor é o mais apegado a rotina, sendo um dos que mais sentiu as alterações no dia a dia. “Ele não gosta de mudanças. Costuma ir à janela e gritar quando vê veículos semelhantes à van escolar”, completou.



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Rotina e contato com a família são essenciais para os idosos

Especialistas indicam que é necessário se manter ativo para evitar tédio e a solidão de ficar em casa

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

21/09/2020 | 07:00


Estabelecer rotina e manter contato com a família são essenciais para a qualidade de vida de idosos e pessoas com necessidades especiais (leia mais abaixo) durante a pandemia. Mesmo com a flexibilização da quarentena, a retomada de atividades presenciais não é recomendada para pessoas com mais de 60 anos, uma vez que pertencem ao grupo de risco da Covid-19. Delegar horários para acordar, fazer exercícios, se alimentar e, até mesmo, para eventuais momentos de descanso durante o dia, além de falar com familiares, ajudam a evitar a monotonia e a solidão.

“Precisamos de muita empatia, eles (idosos) não podem ser tratados como invisíveis e inúteis, o idoso não pode se sentir inválido”, destaca Mario Caxambu Neto, gestor do curso de fisioterapia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano). Indicação é adaptar as atividades que já eram feitas antes à nova realidade. Por exemplo, se a pessoa acordava às 8h e saia para caminhar, o horário pode ser mantido, mas o exercício pode ser trocado por uma volta no quintal ou, caso não tenha área externa disponível, dentro da própria residência.

Nesta toada, também é preciso organizar a rotina dos parentes para que, diariamente, o idoso possa conversar com algum familiar. “Se idoso ainda não tem acesso à tecnologia, é oportunidade para o ensinar. Uma chamada de vídeo, por telefone e fazer um chá ou jantar on-line pode ser grande diversão. Dica de ouro é apoiar mesmo estando distante”, diz Márcia Sena, farmacêutica, bioquímica e fundadora da Senior Concierge. “O grande risco é que eles se sintam isolados, inúteis e que não pertencem à sociedade, isso pode desencadear em depressão, síndrome do pânico e ansiedade”, alerta.

O tempo livre, que antes da pandemia costumava ser utilizado para atividades externas, por exemplo, é oportunidade para retomar algum hobby, como pintura, tricô, tocar algum instrumento ou descobrir um novo passatempo, a exemplo de se aventurar na cozinha com receitas diferentes. Outra opção é ler um livro inédito. “É interessante fazer atividades de estímulo cognitivo, como palavras cruzadas, jogos lúdicos e exercícios de memória, além de ver fotografias e ouvir músicas antigas”, sugere Caxambu Neto.

O autônomo João Olavo Nascimento, 55 anos, de Santo André, mora com a mãe Nair, 84, desde que ela se mudou para sua casa, em 2017, após ter um AVC (Acidente Vascular Cerebral) que deixou o esquecimento como sequela. “Às vezes, ela não lembra e deixa luz acesa ou a torneira aberta. Tentei propor afazeres como cuidar das plantas e lavar a louça. Só não deixo ela cozinhar, pois pode esquecer o fogo aceso”, conta o filho.

Antes da pandemia, eles costumavam sair para ir ao supermercado, à padaria ou à casa de parentes e amigos. Porém, desde março, Nair saiu de casa apenas uma vez para ir tomar a vacina da gripe. “O medo de todo o momento que a gente vive é do vírus. Ela sempre foi caseira, então, mantivemos boa parte da rotina do dia a dia”, relata João Olavo.

HOME OFFICE
Para os idosos que estão em teletrabalho, orientação é que eles se levantem a cada 45 minutos e parem por pelo menos cinco minutos para ter alguma atividade prazerosa, como tomar um café, se alongar ou ir até o quintal. “Isso vai ajudar na visão, que terá um descanso da tela do computador, e no corpo, já que ele irá se levantar e dar pelo menos uma andada”, assinala Márcia.

Manter a rotina nestes casos também é crucial, desde o horário para início e fim da jornada e pausa para almoço, até as demais atividades no momento de descanso. Importante é sempre se manter ativo.


Agenda deve guiar o cotidiano de autistas

Assim como no caso dos idosos, a rotina é importante na vida de crianças com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo), sobretudo na quarentena. “Essa quebra de rotina com o isolamento provoca alterações comportamentais, então precisa de adaptações porque elas (crianças autistas) têm muitas dificuldades com mudança de rotina”, afirmou Mario Caxambu Neto, gestor do curso de fisioterapia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano).

No início da quarentena, em março, quando as atividades e aulas presenciais foram suspensas, a mudança de rotina causou comportamento inadequado. “Tivemos crianças que precisaram vestir o uniforme para as aulas on-line, que precisaram adaptar atividades físicas em casa e outras que começaram a passear com o cachorro no quintal. Mas em todos os casos, a criação de nova rotina foi essencial”, assinalou Thainara Morales Andretta, pedagoga e analista do comportamento.

Caxambu Neto orienta que as crianças recebam estímulos, com atividades que a interessem, mas que não se tornem monótonas. “Uma coisa importante é elogiar. Além disso, sempre estimular a motricidade porque ela tende a ficar muito parada, então pode usar uma bola e a coordenação fina com as mãos pode ser estimulada com bonecos”, sugeriu.

Adriana Lemes Vasconcelos, 37 anos, agente de biblioteca arquivo de São Bernardo, é mãe dos gêmeos Thales e Heithor, 9, ambos autistas, e da Sophia, 6. “Antes da pandemia, a rotina era irmos às terapias dos meninos pela manhã, depois almoçávamos, eu embarcava as crianças no transporte escolar e ia trabalhar. Agora, meu marido e eu passamos a trabalhar em home office e só ele fazia as saídas essenciais. A terapia dos meninos passou a ser remota”, contou.

Desde então, a família passou por adaptação da “mudança de rotina”. Atualmente, as crianças fazem a terapia, agora presencial, e a tarde as atividades escolares, que estão sendo aplicadas remotamente. “Os meninos faziam natação adaptada, mas não há previsão de retorno neste ano. Eles são apaixonados por água”, comentou.

Para organizar o fluxo, o quarto do casal é o local para as atividades on-line, sejam do trabalho ou da escola. Ela relatou que o Heithor é o mais apegado a rotina, sendo um dos que mais sentiu as alterações no dia a dia. “Ele não gosta de mudanças. Costuma ir à janela e gritar quando vê veículos semelhantes à van escolar”, completou.

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