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Taxistas da região apostam em criação de aplicativo próprio

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cerca de 200 profissionais estão cadastrados na iniciativa, que deve estar disponível no fim do mês e foi financiada pelos motoristas


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

08/08/2020 | 00:01


Como forma de recuperar a demanda dos passageiros, afetada pela pandemia e anteriormente pela popularização dos aplicativos de transportes, taxistas do Grande ABC apostam na criação de ferramenta digital. Inicialmente cerca de 200 profissionais vão atuar no Top Táxi ABC, que tem previsão de estar disponível para download nos smartphones até o fim do mês.

A iniciativa é do Sinditáxi (Sindicato dos Taxistas Autônomos de Santo André e Região). De acordo com o presidente Roberto Carlos de Oliveira, o investimento foi feito pelos próprios profissionais da categoria, que trabalham para reconquistar corridas. “O investimento de quem não é sócio é de R$ 40, que vão ser descontados das corridas. Cada viagem fica 10% para o aplicativo. A ideia é pagar para a empresa que contratamos e, o restante, investir em propagandas e redes sociais, para atrair mais clientes”, disse.

Oliveira estima que desde o início da pandemia houve queda de 40% na demanda para os taxistas. “Em março, mesmo que o profissional insistisse em ir para rua, ele ficava no ponto por seis horas para fazer uma corrida de R$ 10”, afirmou. “Cerca de 70% da categoria voltou agora em agosto, no mês passado nós tínhamos 50% dos taxistas trabalhando”, completou.

De acordo com números das prefeituras da região, são 1.511 licenças nas seis cidades – Rio Grande da Serra não informou. Porém, o sindicato estima cerca de 2.000 profissionais, já que um veículo pode ter mais de um motorista em atuação. No total, são 199 pontos de táxis distribuídos no Grande ABC (<CF51>veja arte ao lado</CF>).

“Faz tempo que falta para nós aplicativo. Com essa situação de desemprego, acreditamos que muita gente vai migrar para fazer viagens pelos aplicativos. Com o táxi, se paga um pouco mais caro, mas há segurança maior, são profissionais que precisam apresentar atestado de antecendentes criminais e que conhecem a cidade, sem ficar dependendo exclusivamente de GPS”, afirmou o sindicalista. A ideia é que o aplicativo também ofereça descontos e tenha opção de pagamento em cartão de crédito. “Vamos procurar empresas e prefeituras para prestar serviços”, afirmou Oliveira.

CENÁRIO

Santo André informou que mesmo na crise não ocorreram desistências de licença, apenas transferências de titularidade, sendo 18 em 2019 e 19 até julho de 2020. “No mês de julho, especificamente, foram 11 transferências de titularidade destes permissionários taxistas”, informou, em nota. “Na pandemia foram entregues 1.159 cestas básicas aos taxistas, além das renovações dos alvarás de permissão.”

Em São Bernardo, a Prefeitura informou que, em 2019, foram cinco cancelamentos de licenças. “A categoria foi uma das contempladas pela distribuição de cestas de alimentos como forma de minimizar os impactos da pandemia. No início do ano, os taxistas já haviam sido beneficiados pela isenção de taxas municipais, em atendimento à demanda da categoria”, informou, em nota.

Em São Caetano não houve desistência. “Por três meses, durante a pandemia, todos os taxistas receberam cestas básicas e cestas higiênicas da Prefeitura, do Fundo Social de Solidariedade e em parceria com a GM (General Motors)”, informou.

Em Diadema houve registro de uma devolução de licença em 2019. Mauá informou que não houve desistência em 2019 e em 2020 e que o município fez alterações na lei municipal aumentando o tempo de uso do carro de cinco para oito anos. Ribeirão Pires não registrou desistências em 2019 e 2020. 

Profissionais sofrem com mudança de rotina e queda de demanda

No ‘novo normal’ que os taxistas precisam enfrentar desde o início deste ano, a rotina precisou passar por diversas adaptações. Atualmente, os passageiros ainda têm receio de pegar o meio de transporte.

De acordo com o taxista Joaquim Severino da Silva, 70 anos, que atua na profissão há 20 anos em ponto na Rua das Bandeiras, em Santo André, motoristas não estão saindo de casa, já que não está compensando o movimento das ruas.

“A sorte é que eu tenho a aposentadoria, se não nem sei como faria”, desabafou. “Atualmente faço uma ou duas corridas, no máximo consigo R$ 40. Isso porque só tem eu e mais um rapaz no ponto, porque normalmente são cinco carros, mas só nós dois estamos vindo trabalhar”, disse. 

Antes da popularização dos aplicativos de transporte, Silva afirmou que chegava a fazer até 30 corridas por dia, faturando até R$ 400. Porém, desde que isso aconteceu, a média caiu. “A pandemia piorou todos os problemas. Mas, a gente tem que trabalhar, com todos os cuidados, usando máscara e álcool gel.”

O presidente do Sinditáxi (Sindicato dos Taxistas Autonômos de Santo André e Região), Roberto Carlos de Oliveira, afirmou que, por serem aposentados, muitos profissionais não têm direito ao auxílio emergencial de R$ 600 disponibilizado pelo governo federal. Quem recebeu rendimentos tributáveis acima do teto de R$ 28.559.70 em 2018, de acordo com declaração do Imposto de Renda ou pertencente a família com renda superior a três salários mínimos (R$ 3.135) ou cuja renda mensal por pessoa seja maior que meio salário mínimo (R$ 522,50), também não tem direito. 

“O taxista precisa honrar com os seus compromissos como água, luz e telefone. O poder aquisitivo do taxista já caiu e ele acaba girando menos a economia e deixando de pagar contas”, lamentou Oliveira.



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Taxistas da região apostam em criação de aplicativo próprio

Cerca de 200 profissionais estão cadastrados na iniciativa, que deve estar disponível no fim do mês e foi financiada pelos motoristas

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

08/08/2020 | 00:01


Como forma de recuperar a demanda dos passageiros, afetada pela pandemia e anteriormente pela popularização dos aplicativos de transportes, taxistas do Grande ABC apostam na criação de ferramenta digital. Inicialmente cerca de 200 profissionais vão atuar no Top Táxi ABC, que tem previsão de estar disponível para download nos smartphones até o fim do mês.

A iniciativa é do Sinditáxi (Sindicato dos Taxistas Autônomos de Santo André e Região). De acordo com o presidente Roberto Carlos de Oliveira, o investimento foi feito pelos próprios profissionais da categoria, que trabalham para reconquistar corridas. “O investimento de quem não é sócio é de R$ 40, que vão ser descontados das corridas. Cada viagem fica 10% para o aplicativo. A ideia é pagar para a empresa que contratamos e, o restante, investir em propagandas e redes sociais, para atrair mais clientes”, disse.

Oliveira estima que desde o início da pandemia houve queda de 40% na demanda para os taxistas. “Em março, mesmo que o profissional insistisse em ir para rua, ele ficava no ponto por seis horas para fazer uma corrida de R$ 10”, afirmou. “Cerca de 70% da categoria voltou agora em agosto, no mês passado nós tínhamos 50% dos taxistas trabalhando”, completou.

De acordo com números das prefeituras da região, são 1.511 licenças nas seis cidades – Rio Grande da Serra não informou. Porém, o sindicato estima cerca de 2.000 profissionais, já que um veículo pode ter mais de um motorista em atuação. No total, são 199 pontos de táxis distribuídos no Grande ABC (<CF51>veja arte ao lado</CF>).

“Faz tempo que falta para nós aplicativo. Com essa situação de desemprego, acreditamos que muita gente vai migrar para fazer viagens pelos aplicativos. Com o táxi, se paga um pouco mais caro, mas há segurança maior, são profissionais que precisam apresentar atestado de antecendentes criminais e que conhecem a cidade, sem ficar dependendo exclusivamente de GPS”, afirmou o sindicalista. A ideia é que o aplicativo também ofereça descontos e tenha opção de pagamento em cartão de crédito. “Vamos procurar empresas e prefeituras para prestar serviços”, afirmou Oliveira.

CENÁRIO

Santo André informou que mesmo na crise não ocorreram desistências de licença, apenas transferências de titularidade, sendo 18 em 2019 e 19 até julho de 2020. “No mês de julho, especificamente, foram 11 transferências de titularidade destes permissionários taxistas”, informou, em nota. “Na pandemia foram entregues 1.159 cestas básicas aos taxistas, além das renovações dos alvarás de permissão.”

Em São Bernardo, a Prefeitura informou que, em 2019, foram cinco cancelamentos de licenças. “A categoria foi uma das contempladas pela distribuição de cestas de alimentos como forma de minimizar os impactos da pandemia. No início do ano, os taxistas já haviam sido beneficiados pela isenção de taxas municipais, em atendimento à demanda da categoria”, informou, em nota.

Em São Caetano não houve desistência. “Por três meses, durante a pandemia, todos os taxistas receberam cestas básicas e cestas higiênicas da Prefeitura, do Fundo Social de Solidariedade e em parceria com a GM (General Motors)”, informou.

Em Diadema houve registro de uma devolução de licença em 2019. Mauá informou que não houve desistência em 2019 e em 2020 e que o município fez alterações na lei municipal aumentando o tempo de uso do carro de cinco para oito anos. Ribeirão Pires não registrou desistências em 2019 e 2020. 

Profissionais sofrem com mudança de rotina e queda de demanda

No ‘novo normal’ que os taxistas precisam enfrentar desde o início deste ano, a rotina precisou passar por diversas adaptações. Atualmente, os passageiros ainda têm receio de pegar o meio de transporte.

De acordo com o taxista Joaquim Severino da Silva, 70 anos, que atua na profissão há 20 anos em ponto na Rua das Bandeiras, em Santo André, motoristas não estão saindo de casa, já que não está compensando o movimento das ruas.

“A sorte é que eu tenho a aposentadoria, se não nem sei como faria”, desabafou. “Atualmente faço uma ou duas corridas, no máximo consigo R$ 40. Isso porque só tem eu e mais um rapaz no ponto, porque normalmente são cinco carros, mas só nós dois estamos vindo trabalhar”, disse. 

Antes da popularização dos aplicativos de transporte, Silva afirmou que chegava a fazer até 30 corridas por dia, faturando até R$ 400. Porém, desde que isso aconteceu, a média caiu. “A pandemia piorou todos os problemas. Mas, a gente tem que trabalhar, com todos os cuidados, usando máscara e álcool gel.”

O presidente do Sinditáxi (Sindicato dos Taxistas Autonômos de Santo André e Região), Roberto Carlos de Oliveira, afirmou que, por serem aposentados, muitos profissionais não têm direito ao auxílio emergencial de R$ 600 disponibilizado pelo governo federal. Quem recebeu rendimentos tributáveis acima do teto de R$ 28.559.70 em 2018, de acordo com declaração do Imposto de Renda ou pertencente a família com renda superior a três salários mínimos (R$ 3.135) ou cuja renda mensal por pessoa seja maior que meio salário mínimo (R$ 522,50), também não tem direito. 

“O taxista precisa honrar com os seus compromissos como água, luz e telefone. O poder aquisitivo do taxista já caiu e ele acaba girando menos a economia e deixando de pagar contas”, lamentou Oliveira.

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