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CVC amplia valor de erro contábil

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Operadora de turismo, divulgou resultados não auditados de 2019; impacto agora é estimado em R$ 362 milhões


Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

04/08/2020 | 00:12


O impacto nos resultados do exercício de 2019 da CVC Corp, que tem sede em Santo André, por causa de erro contábil será pelo menos R$ 112,3 milhões maior do que a empresa havia divulgado anteriormente. Inicialmente estimado em R$ 250 milhões, o resultado projetado agora é de R$ 362,38 milhões, conforme apresentado ontem, em fato relevante no qual a companhia reconhece que há indícios de fraude no balanço daquele ano.

A empresa descumpriu pela quarta vez a data para divulgar ao mercado o balanço do ano passado, e optou por mostrar os dados sem o término da auditoria, o que agrava a situação da CVC e aumenta a incerteza dos investidores.

Ontem, quando o Ibovespa ficou praticamente estável (- 0,08%), a companhia teve o terceiro pior desempenho entre as listadas na bolsa e fechou com queda de 3,85%. Os papéis da CVC já acumulam, desde o início do ano, desvalorização de 51,57%.

Segundo o fato relevante divulgado ontem, a companhia aponta que concluiu o processo de revisão da escrituração contábil e finalizou as demonstrações financeiras relacionadas ao ano passado, mas “os trabalhos dos auditores independentes estão em andamento, incluindo a revisão dos procedimentos de investigação, os quais são necessários para emissão de opinião sobre as referidas demonstrações financeiras”, informou o texto.

A companhia optou pela divulgação dos doados não auditados, que “estão sujeitos a alterações em decorrência da conclusão dos trabalhos de auditoria”, e que trazem resultados preocupantes. O impacto do erro contábil no caixa dos últimos anos (2019, 2018 e anos anteriores) da empresa foi corrigido para R$ 362,38 milhões, ou seja, valor R$ 112,3 milhões maior do que a empresa previa. No último mês, quando divulgou resultados preliminares, o valor foi ajustado para R$ 350 milhões.

Com a alteração, o impacto no lucro líquido foi reduzido em aproximadamente R$ 55 milhões em 2019, uma queda de 65% comparado a 2018, totalizando R$ 47,1 milhões.

Os relatórios da companhia indicam que evidentes deficiências nos controles internos contribuíram para a ocorrência de distorções contábeis, e que as falhas foram ocultadas por colaboradores da CVC, inclusive dos auditores externos. Também “há indícios, não conclusivos, de que os resultados da CVC podem ter sido intencionalmente manipulados”, diz a empresa no fato relevante.

Para o mestre em finanças e pesquisador do Conjuscs (Observatório de Empreendedorismo, Políticas Públicas e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), Ricardo Kawai, “o principal problema é que não se pode tirar nenhuma conclusão com o balanço não auditado”, ou seja, os resultados podem ser melhores ou ainda piores.

Economista da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti pontua que a divulgação do balanço sem auditoria é considerada de risco e os resultados apresentados aumentam a incerteza dos investidores.

“Apresentar um balanço não auditado não é bom e já refletiu mal nas ações. A última informação que os investidores possuem é do terceiro trimestre do ano passado. Os resultados ruins, que todas as empresas vêm enfrentando por causa da pandemia, o mercado entende. Mas o que temos, no caso, é uma grande incerteza em relação aos números da empresa (CVC)”, avaliou o especialista.

Além do erro contábil e da pandemia, a CVC tem sentido os efeitos da desvalorização cambial e aumento da concorrência desde o ano passado.

Empresa planeja divulgar balanço dia 31

No fato relevante de ontem, a CVC informou que pretende divulgar as demonstrações financeiras referentes ao exercício de até o próximo dia 31. Também se compromete a apresentar as informações financeiras intermediárias do primeiro trimestre deste ano.

A empresa atrasou a divulgação do balanço de 2019 por quatro vezes consecutivas, e passou inclusive do prazo legal, prorrogado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que era em 30 de junho. Desde então, vem sendo aplicada multa diária de R$ 1.000 à companhia.

Se cabível e necessário, a CVM informou que as companhias que não observam os prazos de entrega estão sujeitas a apuração de eventuais responsabilidades em processo de natureza sancionadora. A CVM já instaurou processo administrativo sobre o assunto.

Anteriormente, já havia informado que divulgará, semestralmente, lista de empresas que estejam em mora de pelo menos três meses no cumprimento de qualquer de suas obrigações periódicas. A SEP (Superintendência de Empresas) da CVM deve suspender o registro de emissor de valores mobiliários caso descumpra, por período superior a 12 meses, as regras estabelecidas. Outras companhias, como a Petrobras e o Itaú, já divulgaram o balanço do segundo trimestre deste ano.

O Diário questionou a CVC, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.  



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CVC amplia valor de erro contábil

Operadora de turismo, divulgou resultados não auditados de 2019; impacto agora é estimado em R$ 362 milhões

Yara Ferraz
do Diário do Grande ABC

04/08/2020 | 00:12


O impacto nos resultados do exercício de 2019 da CVC Corp, que tem sede em Santo André, por causa de erro contábil será pelo menos R$ 112,3 milhões maior do que a empresa havia divulgado anteriormente. Inicialmente estimado em R$ 250 milhões, o resultado projetado agora é de R$ 362,38 milhões, conforme apresentado ontem, em fato relevante no qual a companhia reconhece que há indícios de fraude no balanço daquele ano.

A empresa descumpriu pela quarta vez a data para divulgar ao mercado o balanço do ano passado, e optou por mostrar os dados sem o término da auditoria, o que agrava a situação da CVC e aumenta a incerteza dos investidores.

Ontem, quando o Ibovespa ficou praticamente estável (- 0,08%), a companhia teve o terceiro pior desempenho entre as listadas na bolsa e fechou com queda de 3,85%. Os papéis da CVC já acumulam, desde o início do ano, desvalorização de 51,57%.

Segundo o fato relevante divulgado ontem, a companhia aponta que concluiu o processo de revisão da escrituração contábil e finalizou as demonstrações financeiras relacionadas ao ano passado, mas “os trabalhos dos auditores independentes estão em andamento, incluindo a revisão dos procedimentos de investigação, os quais são necessários para emissão de opinião sobre as referidas demonstrações financeiras”, informou o texto.

A companhia optou pela divulgação dos doados não auditados, que “estão sujeitos a alterações em decorrência da conclusão dos trabalhos de auditoria”, e que trazem resultados preocupantes. O impacto do erro contábil no caixa dos últimos anos (2019, 2018 e anos anteriores) da empresa foi corrigido para R$ 362,38 milhões, ou seja, valor R$ 112,3 milhões maior do que a empresa previa. No último mês, quando divulgou resultados preliminares, o valor foi ajustado para R$ 350 milhões.

Com a alteração, o impacto no lucro líquido foi reduzido em aproximadamente R$ 55 milhões em 2019, uma queda de 65% comparado a 2018, totalizando R$ 47,1 milhões.

Os relatórios da companhia indicam que evidentes deficiências nos controles internos contribuíram para a ocorrência de distorções contábeis, e que as falhas foram ocultadas por colaboradores da CVC, inclusive dos auditores externos. Também “há indícios, não conclusivos, de que os resultados da CVC podem ter sido intencionalmente manipulados”, diz a empresa no fato relevante.

Para o mestre em finanças e pesquisador do Conjuscs (Observatório de Empreendedorismo, Políticas Públicas e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), Ricardo Kawai, “o principal problema é que não se pode tirar nenhuma conclusão com o balanço não auditado”, ou seja, os resultados podem ser melhores ou ainda piores.

Economista da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti pontua que a divulgação do balanço sem auditoria é considerada de risco e os resultados apresentados aumentam a incerteza dos investidores.

“Apresentar um balanço não auditado não é bom e já refletiu mal nas ações. A última informação que os investidores possuem é do terceiro trimestre do ano passado. Os resultados ruins, que todas as empresas vêm enfrentando por causa da pandemia, o mercado entende. Mas o que temos, no caso, é uma grande incerteza em relação aos números da empresa (CVC)”, avaliou o especialista.

Além do erro contábil e da pandemia, a CVC tem sentido os efeitos da desvalorização cambial e aumento da concorrência desde o ano passado.

Empresa planeja divulgar balanço dia 31

No fato relevante de ontem, a CVC informou que pretende divulgar as demonstrações financeiras referentes ao exercício de até o próximo dia 31. Também se compromete a apresentar as informações financeiras intermediárias do primeiro trimestre deste ano.

A empresa atrasou a divulgação do balanço de 2019 por quatro vezes consecutivas, e passou inclusive do prazo legal, prorrogado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que era em 30 de junho. Desde então, vem sendo aplicada multa diária de R$ 1.000 à companhia.

Se cabível e necessário, a CVM informou que as companhias que não observam os prazos de entrega estão sujeitas a apuração de eventuais responsabilidades em processo de natureza sancionadora. A CVM já instaurou processo administrativo sobre o assunto.

Anteriormente, já havia informado que divulgará, semestralmente, lista de empresas que estejam em mora de pelo menos três meses no cumprimento de qualquer de suas obrigações periódicas. A SEP (Superintendência de Empresas) da CVM deve suspender o registro de emissor de valores mobiliários caso descumpra, por período superior a 12 meses, as regras estabelecidas. Outras companhias, como a Petrobras e o Itaú, já divulgaram o balanço do segundo trimestre deste ano.

O Diário questionou a CVC, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.  

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