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Uma avenida chamada Portugal

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Cartão-postal de Sto.André, via passou por transformações e hoje acolhe casas, prédios e comércios


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

02/08/2020 | 23:59


Quem passa pela Avenida Portugal, em Santo André, não deve fazer a menor ideia sobre as transformações que aos poucos mudaram o cenário da via ao longo dos últimos 60 anos, sobretudo no que diz respeito às construções. Se na década de 1930 eram poucas casas e muita área vazia, hoje é praticamente impossível encontrar espaços desocupados. No entanto, as alterações mais significativas ocorreram nos últimos 35 anos, e fizeram com que a rua residencial passasse a ser, principalmente, via comercial.

Quem viu essa mudança de perto foi dona Altair Sampaio Castellano, que, aos 95 anos, recorda a trajetória do local, onde vive há 60. Com memória afiada, ela conta que foi uma das primeiras moradoras da via, e garante que os jovens “não têm nem ideia do que foi a Avenida Portugal”. “Quando meu marido adquiriu o terreno, em 1960, essa rua não tinha nada. Era uma única mão, ainda de paralelepípedo e, além da nossa casa, que foi construída por nós, havia mais três, uns poucos comércios e o hospital (Beneficência Portuguesa). Só isso”, lembrou.

Então moradora do Jardim Paulista, na Capital, dona Altair explicou que, ao se casar, mudou com o marido, Afonso Castellano, para Santo André e “estranhou muito”, sobretudo porque a cidade era “calma e usada como dormitório”. “Santo André não era o que é hoje. As pessoas que aqui moravam eram, em sua maioria, operários que trabalhavam o dia todo e somente voltavam para as suas casa para dormir, e tinha poucas casas. Atrás da Avenida Portugal havia muitos morros e terra”, contou, garantindo que foi aos poucos que a via passou a ganhar visibilidade. “Hoje está demasiadamente valorizada, mas quando cheguei aqui, não tinha nada disso. Não era um lugar de tanta projeção como hoje.”

Para ela, a via não é só sua residência, mas faz parte de toda a história de sua vida. “Tive quatro filhos. Sou avó e bisavó. Mas quando me mudei para cá, meu filho mais novo tinha apenas 2 anos, portanto, toda a minha vida foi construída aqui, nesta casa, na mesma esquina, na tão linda Avenida Portugal”, disse, emocionada, ao explicar que diante das transformações, hoje vê a via como cartão-postal da cidade. “Para mim, não tem rua mais bonita na cidade do que esta. Virou um ponto turístico”, disse.

Aos risos, dona Altair contou que foram muitas as ofertas para que vendesse seu terreno, o que nunca fez parte dos planos. “Depois de algum tempo, muitos casarões foram construídos aqui. Depois, prédios, e então, há uns 35 anos, a Avenida Portugal passou a ter um viés mais comercial. Tentaram inúmeras vezes comprar minha casa, mas isso só vai acontecer quando eu passar para o segundo andar”, disse, brincando. E deixou claro que sair de sua casa, mesmo quando passou a ser uma das poucas residências a sobreviver em meio ao setor comercial e de condomínios de luxo, “não é negociável”. “Gosto muito daqui. Fui privilegiada”, afirmou, contando que consegue ver a famosa decoração de Natal do Hospital Beneficência Portuguesa da janela do seu quarto.

Dona Altair comemora estar perto de completar 96 anos – em novembro – “lúcida e feliz”. Com vista para o hospital e portão baixo mantido, ela garante que o que faz uma pessoa viver bem é seu estado emocional. Formada em economia e leitora assídua do Diário, a ex-funcionária pública da Receita Federal, onde atuou por 43 anos, acredita que sua devoção à residência mantém suas raízes.

HISTÓRIA

As transformações da Avenida Portugal passaram por diversas fases. Em seu início (não datado oficialmente), a via fazia a ligação com o bairro Caminho do Pilar, e parte dos caminhos da Serra do Mar, que ligavam Santos a Mogi das Cruzes. Já na década de 1920, era uma avenida que se ligava ao bairro recém-criado da Vila Bastos e à região central, sobretudo pela ligação com a estação ferroviária. Naquela época houve também o início das construções residenciais, que perduraram, desde a transformação de casas à criação de condomínios. No entanto, com a sanção da lei 8.333/2000, a área residencial deu espaço aos estabelecimentos comerciais. 

Segundo a equipe técnica do Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa, não há registros oficiais sobre a mudança do nome da Avenida Portugal. Conforme levantado junto à Prefeitura, possivelmente, a nomeação da via se deu entre os anos de 1930 e 1940 – período em que não havia a Câmara Municipal formalizada, somente um conselho regido pelo governo do Estado. Anteriormente, a via era conhecida como Avenida Municipal e, segundo a equipe do museu, uma hipótese existente é a de que a avenida tenha recebido este nome diante da instalação do Hospital Beneficência Portuguesa naquela localidade.

Aos poucos, via se consolida como ponto comercial

Seja pela importância história, imponência arquitetônica ou por gosto, a Avenida Portugal de agora é um dos principais pontos comerciais de Santo André e atrai cada vez mais empresários, porém, em novas áreas. No início de sua transformação – quando passou de via residencial para comercial –, por volta dos anos 2000, estabelecimentos de decoração foram ganhando espaço e tomando boa parte dos terrenos. No entanto, nos últimos cinco anos, a via tem se estabelecido como novo polo gastronômico do Grande ABC.

Além de restaurantes tradicionais, que já estavam instalados, como o Kizuna Sushi Lounge, Esfiha Shabab’s e Padaria Portugal, a abertura de redes – inclusive algumas internacionais – como Coco Bambu, Madero, Domino’s Pizza, Frans Café e Bullguer, aqueceram o movimento da avenida, aumentaram a visibilidade e investimento, assim como auxiliaram na geração de empregos na cidade.

A valorização comercial, porém, foi benéfica também para estabelecimentos mais antigos. Proprietário do Hospital Veterinário Dr. Vet. Valdeci Pereira, conhecido como Gil, disse que, a cada ano, com mais investimentos e melhoras, a Avenida Portugal está se tornando cada vez mais importante. “Antes, essa via não tinha nada, e houve um tempo em que estava mais fraca, no sentido econômico. Com o aquecimento comercial, tudo aqui ficou melhor”, garantiu Gil. “Todo mundo sabe onde fica a Avenida Portugal. Quando alguém pergunta onde fica determinado local, a via é sempre usada como referência. Não tem como ser menos importante”, garantiu Gil.

O proprietário da clínica revelou que sempre sonhou em ter um comércio na avenida, o que realizou há seis anos. “Trabalhei por 30 anos em montadora, e quando apareceu a oportunidade, não tive dúvidas de que esse seria o ponto ideal para ter sucesso”, comemorou. Ele contou que inaugurou a clínica em 9 de abril de 2014, um dia depois do aniversário da cidade, para que tivesse uma data emblemática. 

INVESTIMENTOS

A Prefeitura iniciou a primeira etapa do programa Rua Nova na Avenida Portugal no dia 13. A obra contemplará trecho de 1,5 quilômetro que sai da Praça Allan Kardec e alcançará a Rua Venezuela. Além do recapeamento, serão realizadas a reconstrução do sistema de drenagem superficial e recuperação de guias e sarjetas, incluindo, em alguns locais, a implantação e recuperação de rampas de acessibilidade e readequação geométrica. 

O início da segunda fase beneficiará o trecho compreendido entre a Rua Venezuela e a Rua Bernardino de Campos. As duas fases do programa de recapeamento da Avenida Portugal vão custar R$ 2,4 milhões.

Moderna, mas ainda com seu charme

Com dois quilômetros de extensão, que cortam pelo menos três bairros de Santo André – Centro, Vila Bastos e Vila Gilda –, a Avenida Portugal é considerada pela população andreense como principal cartão-postal da cidade. E não é para menos, já que atualmente a via abriga 763 residências, entre casas e condomínios, e 510 empresas, sendo a mais antiga o Hospital Beneficência Portuguesa, inaugurado em 1930.

No entanto, o marco da Avenida Portugal está nas lembranças da população, já que boa parte dos moradores de Santo André tem alguma relação de história com a via, que colecionou como moradores nomes de importância para o Grande ABC. Entre eles estão o ex-deputado Duílio Pisaneschi e o ex-jogador de vôlei Antônio Carlos Moreno.

Aos 80 anos, Pisaneschi garante que não pensa em sair do condomínio onde mora há quatro décadas. Para ele, a principal importância da Avenida Portugal em Santo André é a ligação que faz entre o Centro e outros bairros, além da facilidade de acesso ao Shopping ABC e aos comércios que se aglomeraram ao longo dos anos.

“É uma das avenidas mais importantes de Santo André. Em 40 anos vi muitas mudanças, principalmente em relação aos comércios, já que antigamente a via era cheia de casarões e hoje está tomada por lojas”, lembrou Pisaneschi.

Já Moreno expressa sua visão da via por meio de lembranças mais pessoais. O ex-jogador de vôlei morou de 1977 a 1983 em um apartamento ao lado da Padaria Portugal. O local foi sua primeira moradia quando se casou, e lá nasceram seus três primeiros filhos – ele tem seis. Com a família aumentando, Moreno se viu sob a necessidade de mudar de casa, indo para a Vila Pires, onde morou por cerca de 20 anos – atualmente ele reside no bairro Jardim. “Tenho ótimas lembranças daquele apartamento (na Avenida Portugal). Foi o começo da minha vida de casado e da minha vida de pai, com o nascimento dos meus três primeiros filhos”, relembrou, contando que entre sua infância e juventude também houve momentos marcantes. “Minha mãe trabalhou a vida toda na Prefeitura, eu estudei no Américo Brasiliense, além de que o 1º de Maio Futebol Clube foi o meu primeiro clube de vôlei e onde frequento até hoje. Todos esses lugares estão ali, passam por ali, ou seja, minha vida inteira esteve ligada com a Avenida Portugal.”

Moreno afirmou que passa pela via quase todos os dias. “Acho que é um ponto de referência para a cidade, que liga os bairros e, além disso, hoje tem tudo nela. Farmácia, lojas, restaurantes, bancos, padarias. Embora tenha se tornado um local comercial, para mim nunca perdeu seu charme inicial”, elogiou o ex-jogador.

Presidente da Acisa, a associação comercial e industrial, Pedro Cia Júnior também residiu na Avenida Portugal, entre os anos de 1997 e 2000. Para ele, as lembranças da via também estão guardadas na memória desde a juventude, quando ia para a escola a pé, pois na época era “o caminho mais seguro”. “Minha relação com a Avenida Portugal é muito pessoal. Toda vez que passo por ela me vem um monte de memórias na cabeça”.

O dirigente da Acisa explicou seu ponto de vista, e o por que acredita ser a via ponto turístico. “Nos últimos 35 anos mudou muito o perfil da avenida, passando de residencial para um nicho estritamente comercial. É uma avenida não só importante, mas icônica para a cidade, pois, além de ser referência, reúne tudo que as pessoas precisam em um só lugar, além de manter uma beleza única”, garantiu. 



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Uma avenida chamada Portugal

Cartão-postal de Sto.André, via passou por transformações e hoje acolhe casas, prédios e comércios

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

02/08/2020 | 23:59


Quem passa pela Avenida Portugal, em Santo André, não deve fazer a menor ideia sobre as transformações que aos poucos mudaram o cenário da via ao longo dos últimos 60 anos, sobretudo no que diz respeito às construções. Se na década de 1930 eram poucas casas e muita área vazia, hoje é praticamente impossível encontrar espaços desocupados. No entanto, as alterações mais significativas ocorreram nos últimos 35 anos, e fizeram com que a rua residencial passasse a ser, principalmente, via comercial.

Quem viu essa mudança de perto foi dona Altair Sampaio Castellano, que, aos 95 anos, recorda a trajetória do local, onde vive há 60. Com memória afiada, ela conta que foi uma das primeiras moradoras da via, e garante que os jovens “não têm nem ideia do que foi a Avenida Portugal”. “Quando meu marido adquiriu o terreno, em 1960, essa rua não tinha nada. Era uma única mão, ainda de paralelepípedo e, além da nossa casa, que foi construída por nós, havia mais três, uns poucos comércios e o hospital (Beneficência Portuguesa). Só isso”, lembrou.

Então moradora do Jardim Paulista, na Capital, dona Altair explicou que, ao se casar, mudou com o marido, Afonso Castellano, para Santo André e “estranhou muito”, sobretudo porque a cidade era “calma e usada como dormitório”. “Santo André não era o que é hoje. As pessoas que aqui moravam eram, em sua maioria, operários que trabalhavam o dia todo e somente voltavam para as suas casa para dormir, e tinha poucas casas. Atrás da Avenida Portugal havia muitos morros e terra”, contou, garantindo que foi aos poucos que a via passou a ganhar visibilidade. “Hoje está demasiadamente valorizada, mas quando cheguei aqui, não tinha nada disso. Não era um lugar de tanta projeção como hoje.”

Para ela, a via não é só sua residência, mas faz parte de toda a história de sua vida. “Tive quatro filhos. Sou avó e bisavó. Mas quando me mudei para cá, meu filho mais novo tinha apenas 2 anos, portanto, toda a minha vida foi construída aqui, nesta casa, na mesma esquina, na tão linda Avenida Portugal”, disse, emocionada, ao explicar que diante das transformações, hoje vê a via como cartão-postal da cidade. “Para mim, não tem rua mais bonita na cidade do que esta. Virou um ponto turístico”, disse.

Aos risos, dona Altair contou que foram muitas as ofertas para que vendesse seu terreno, o que nunca fez parte dos planos. “Depois de algum tempo, muitos casarões foram construídos aqui. Depois, prédios, e então, há uns 35 anos, a Avenida Portugal passou a ter um viés mais comercial. Tentaram inúmeras vezes comprar minha casa, mas isso só vai acontecer quando eu passar para o segundo andar”, disse, brincando. E deixou claro que sair de sua casa, mesmo quando passou a ser uma das poucas residências a sobreviver em meio ao setor comercial e de condomínios de luxo, “não é negociável”. “Gosto muito daqui. Fui privilegiada”, afirmou, contando que consegue ver a famosa decoração de Natal do Hospital Beneficência Portuguesa da janela do seu quarto.

Dona Altair comemora estar perto de completar 96 anos – em novembro – “lúcida e feliz”. Com vista para o hospital e portão baixo mantido, ela garante que o que faz uma pessoa viver bem é seu estado emocional. Formada em economia e leitora assídua do Diário, a ex-funcionária pública da Receita Federal, onde atuou por 43 anos, acredita que sua devoção à residência mantém suas raízes.

HISTÓRIA

As transformações da Avenida Portugal passaram por diversas fases. Em seu início (não datado oficialmente), a via fazia a ligação com o bairro Caminho do Pilar, e parte dos caminhos da Serra do Mar, que ligavam Santos a Mogi das Cruzes. Já na década de 1920, era uma avenida que se ligava ao bairro recém-criado da Vila Bastos e à região central, sobretudo pela ligação com a estação ferroviária. Naquela época houve também o início das construções residenciais, que perduraram, desde a transformação de casas à criação de condomínios. No entanto, com a sanção da lei 8.333/2000, a área residencial deu espaço aos estabelecimentos comerciais. 

Segundo a equipe técnica do Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa, não há registros oficiais sobre a mudança do nome da Avenida Portugal. Conforme levantado junto à Prefeitura, possivelmente, a nomeação da via se deu entre os anos de 1930 e 1940 – período em que não havia a Câmara Municipal formalizada, somente um conselho regido pelo governo do Estado. Anteriormente, a via era conhecida como Avenida Municipal e, segundo a equipe do museu, uma hipótese existente é a de que a avenida tenha recebido este nome diante da instalação do Hospital Beneficência Portuguesa naquela localidade.

Aos poucos, via se consolida como ponto comercial

Seja pela importância história, imponência arquitetônica ou por gosto, a Avenida Portugal de agora é um dos principais pontos comerciais de Santo André e atrai cada vez mais empresários, porém, em novas áreas. No início de sua transformação – quando passou de via residencial para comercial –, por volta dos anos 2000, estabelecimentos de decoração foram ganhando espaço e tomando boa parte dos terrenos. No entanto, nos últimos cinco anos, a via tem se estabelecido como novo polo gastronômico do Grande ABC.

Além de restaurantes tradicionais, que já estavam instalados, como o Kizuna Sushi Lounge, Esfiha Shabab’s e Padaria Portugal, a abertura de redes – inclusive algumas internacionais – como Coco Bambu, Madero, Domino’s Pizza, Frans Café e Bullguer, aqueceram o movimento da avenida, aumentaram a visibilidade e investimento, assim como auxiliaram na geração de empregos na cidade.

A valorização comercial, porém, foi benéfica também para estabelecimentos mais antigos. Proprietário do Hospital Veterinário Dr. Vet. Valdeci Pereira, conhecido como Gil, disse que, a cada ano, com mais investimentos e melhoras, a Avenida Portugal está se tornando cada vez mais importante. “Antes, essa via não tinha nada, e houve um tempo em que estava mais fraca, no sentido econômico. Com o aquecimento comercial, tudo aqui ficou melhor”, garantiu Gil. “Todo mundo sabe onde fica a Avenida Portugal. Quando alguém pergunta onde fica determinado local, a via é sempre usada como referência. Não tem como ser menos importante”, garantiu Gil.

O proprietário da clínica revelou que sempre sonhou em ter um comércio na avenida, o que realizou há seis anos. “Trabalhei por 30 anos em montadora, e quando apareceu a oportunidade, não tive dúvidas de que esse seria o ponto ideal para ter sucesso”, comemorou. Ele contou que inaugurou a clínica em 9 de abril de 2014, um dia depois do aniversário da cidade, para que tivesse uma data emblemática. 

INVESTIMENTOS

A Prefeitura iniciou a primeira etapa do programa Rua Nova na Avenida Portugal no dia 13. A obra contemplará trecho de 1,5 quilômetro que sai da Praça Allan Kardec e alcançará a Rua Venezuela. Além do recapeamento, serão realizadas a reconstrução do sistema de drenagem superficial e recuperação de guias e sarjetas, incluindo, em alguns locais, a implantação e recuperação de rampas de acessibilidade e readequação geométrica. 

O início da segunda fase beneficiará o trecho compreendido entre a Rua Venezuela e a Rua Bernardino de Campos. As duas fases do programa de recapeamento da Avenida Portugal vão custar R$ 2,4 milhões.

Moderna, mas ainda com seu charme

Com dois quilômetros de extensão, que cortam pelo menos três bairros de Santo André – Centro, Vila Bastos e Vila Gilda –, a Avenida Portugal é considerada pela população andreense como principal cartão-postal da cidade. E não é para menos, já que atualmente a via abriga 763 residências, entre casas e condomínios, e 510 empresas, sendo a mais antiga o Hospital Beneficência Portuguesa, inaugurado em 1930.

No entanto, o marco da Avenida Portugal está nas lembranças da população, já que boa parte dos moradores de Santo André tem alguma relação de história com a via, que colecionou como moradores nomes de importância para o Grande ABC. Entre eles estão o ex-deputado Duílio Pisaneschi e o ex-jogador de vôlei Antônio Carlos Moreno.

Aos 80 anos, Pisaneschi garante que não pensa em sair do condomínio onde mora há quatro décadas. Para ele, a principal importância da Avenida Portugal em Santo André é a ligação que faz entre o Centro e outros bairros, além da facilidade de acesso ao Shopping ABC e aos comércios que se aglomeraram ao longo dos anos.

“É uma das avenidas mais importantes de Santo André. Em 40 anos vi muitas mudanças, principalmente em relação aos comércios, já que antigamente a via era cheia de casarões e hoje está tomada por lojas”, lembrou Pisaneschi.

Já Moreno expressa sua visão da via por meio de lembranças mais pessoais. O ex-jogador de vôlei morou de 1977 a 1983 em um apartamento ao lado da Padaria Portugal. O local foi sua primeira moradia quando se casou, e lá nasceram seus três primeiros filhos – ele tem seis. Com a família aumentando, Moreno se viu sob a necessidade de mudar de casa, indo para a Vila Pires, onde morou por cerca de 20 anos – atualmente ele reside no bairro Jardim. “Tenho ótimas lembranças daquele apartamento (na Avenida Portugal). Foi o começo da minha vida de casado e da minha vida de pai, com o nascimento dos meus três primeiros filhos”, relembrou, contando que entre sua infância e juventude também houve momentos marcantes. “Minha mãe trabalhou a vida toda na Prefeitura, eu estudei no Américo Brasiliense, além de que o 1º de Maio Futebol Clube foi o meu primeiro clube de vôlei e onde frequento até hoje. Todos esses lugares estão ali, passam por ali, ou seja, minha vida inteira esteve ligada com a Avenida Portugal.”

Moreno afirmou que passa pela via quase todos os dias. “Acho que é um ponto de referência para a cidade, que liga os bairros e, além disso, hoje tem tudo nela. Farmácia, lojas, restaurantes, bancos, padarias. Embora tenha se tornado um local comercial, para mim nunca perdeu seu charme inicial”, elogiou o ex-jogador.

Presidente da Acisa, a associação comercial e industrial, Pedro Cia Júnior também residiu na Avenida Portugal, entre os anos de 1997 e 2000. Para ele, as lembranças da via também estão guardadas na memória desde a juventude, quando ia para a escola a pé, pois na época era “o caminho mais seguro”. “Minha relação com a Avenida Portugal é muito pessoal. Toda vez que passo por ela me vem um monte de memórias na cabeça”.

O dirigente da Acisa explicou seu ponto de vista, e o por que acredita ser a via ponto turístico. “Nos últimos 35 anos mudou muito o perfil da avenida, passando de residencial para um nicho estritamente comercial. É uma avenida não só importante, mas icônica para a cidade, pois, além de ser referência, reúne tudo que as pessoas precisam em um só lugar, além de manter uma beleza única”, garantiu. 

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