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Após reclamações na internet, Mauá demite funcionários do Samu

Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Dois médicos, um enfermeiro e um auxiliar de enfermagem foram dispensados por telefone; profissionais alegam perseguição política


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

15/07/2020 | 00:01


Quatro profissionais do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Mauá foram demitidos na semana passada, após participarem de uma live no Facebook em que reclamaram das más condições de trabalho da categoria. Os profissionais, dois médicos, um enfermeiro e um auxiliar de enfermagem, foram dispensados por telefone. Oficialmente, a Prefeitura alega que a decisão pela dispensa foi técnica, mas os quatro trabalhadores acreditam que se trata de perseguição política, porque um deles, o enfermeiro Cleiton Teixeira, 38 anos, é pré-candidato a vereador pelo PT, partido de oposição na cidade. A coordenação do serviço negou que tenha pedido a demissão do quarteto.

O médico Victor Bandini Vieira, 31, explicou que em abril enviou para a Prefeitura uma carta listando todos os problemas do Samu, como a necessidade de trocar uniformes e botas dos trabalhadores e melhorias nas instalações da base, que não conta com banheiros adequados nem local de descanso. Em 28 de abril, o prefeito Atila Jacomussi (PSB) esteve na base, constatou os problemas e se comprometeu a solucioná-los. “A gente resolveu fazer a live, sem qualquer pretensão política, apenas para falar do nosso trabalho. Mas ao longo da conversa, as pessoas foram perguntando sobre a nossa rotina e a gente contou”, esclareceu Victor. “Se passaram dois meses e nada do que nos foi prometido foi feito”, completou o médico, que afirmou que, quando recebeu o telefone avisando sobre a sua demissão, foi informado de que o pedido partiu do gabinete do prefeito.

Cleiton, o enfermeiro que fez a live e convidou os colegas para participar, estava no Samu há três anos e na rede municipal de saúde desde 2012. O profissional foi contaminado pela Covid-19 em junho e também criticou a resistência da Prefeitura em afastar os trabalhadores que pertencem a grupos de risco. “Os que são contratados por meio da Fundação ABC foram afastados, mas quem é contratado direto da Prefeitura, não. Tanto que perdemos três colegas da saúde para a doença”, afirmou. O médico Diego Coca, 35, não quis comentar. O auxiliar de enfermagem Ronaldo José de Oliveira, 41, não retornou os contatos do Diário.

Em nota, a Prefeitura de Mauá informou que a solicitação do afastamento dos servidores foi feita pela direção do Samu e pela coordenação técnica dos serviços de urgência, por motivos técnicos, em nada tendo relação com o fato mencionado da referida exposição em mídias sociais. “Ainda este ano, conforme já havíamos planejado, o Samu será transferido para uma nova sede.” A administração afirmou que os funcionários diretos da Prefeitura, integrantes de grupos de risco, foram afastados e que houve testes em massa para os servidores.

O coordenador médico do serviço, Luiz Felipe Goulart, negou que a decisão pela dispensa tenha partido da coordenação do Samu e afirmou que apenas foi informado que os funcionários estavam desligados. “Nenhum dos quatro possui anotações em prontuário por desvio de conduta, imperícia ou falta de experiência. Os dois colegas médicos são altamente treinados e especializados, sendo ambos cirurgiões com ampla experiência no tratamento de emergências e trauma. Não há nenhum critério técnico para retirada dos profissionais do nosso quadro”, afirmou. “Não houve solicitação da coordenação deste serviço para que os colegas fossem desligados. Essa coordenação foi pega de surpresa, assim como os profissionais, e fomos apenas comunicados do desligamento”, concluiu.

O Diário não conseguiu contato com o coordenador médico da urgência do município, Carlos Foganholi. O SindSaúde ABC (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Privados de Saúde do Grande ABC) se solidarizou com os profissionais e marcou um protesto para o dia 26 de julho, para exigir a reintegração dos trabalhadores. 



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Após reclamações na internet, Mauá demite funcionários do Samu

Dois médicos, um enfermeiro e um auxiliar de enfermagem foram dispensados por telefone; profissionais alegam perseguição política

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

15/07/2020 | 00:01


Quatro profissionais do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Mauá foram demitidos na semana passada, após participarem de uma live no Facebook em que reclamaram das más condições de trabalho da categoria. Os profissionais, dois médicos, um enfermeiro e um auxiliar de enfermagem, foram dispensados por telefone. Oficialmente, a Prefeitura alega que a decisão pela dispensa foi técnica, mas os quatro trabalhadores acreditam que se trata de perseguição política, porque um deles, o enfermeiro Cleiton Teixeira, 38 anos, é pré-candidato a vereador pelo PT, partido de oposição na cidade. A coordenação do serviço negou que tenha pedido a demissão do quarteto.

O médico Victor Bandini Vieira, 31, explicou que em abril enviou para a Prefeitura uma carta listando todos os problemas do Samu, como a necessidade de trocar uniformes e botas dos trabalhadores e melhorias nas instalações da base, que não conta com banheiros adequados nem local de descanso. Em 28 de abril, o prefeito Atila Jacomussi (PSB) esteve na base, constatou os problemas e se comprometeu a solucioná-los. “A gente resolveu fazer a live, sem qualquer pretensão política, apenas para falar do nosso trabalho. Mas ao longo da conversa, as pessoas foram perguntando sobre a nossa rotina e a gente contou”, esclareceu Victor. “Se passaram dois meses e nada do que nos foi prometido foi feito”, completou o médico, que afirmou que, quando recebeu o telefone avisando sobre a sua demissão, foi informado de que o pedido partiu do gabinete do prefeito.

Cleiton, o enfermeiro que fez a live e convidou os colegas para participar, estava no Samu há três anos e na rede municipal de saúde desde 2012. O profissional foi contaminado pela Covid-19 em junho e também criticou a resistência da Prefeitura em afastar os trabalhadores que pertencem a grupos de risco. “Os que são contratados por meio da Fundação ABC foram afastados, mas quem é contratado direto da Prefeitura, não. Tanto que perdemos três colegas da saúde para a doença”, afirmou. O médico Diego Coca, 35, não quis comentar. O auxiliar de enfermagem Ronaldo José de Oliveira, 41, não retornou os contatos do Diário.

Em nota, a Prefeitura de Mauá informou que a solicitação do afastamento dos servidores foi feita pela direção do Samu e pela coordenação técnica dos serviços de urgência, por motivos técnicos, em nada tendo relação com o fato mencionado da referida exposição em mídias sociais. “Ainda este ano, conforme já havíamos planejado, o Samu será transferido para uma nova sede.” A administração afirmou que os funcionários diretos da Prefeitura, integrantes de grupos de risco, foram afastados e que houve testes em massa para os servidores.

O coordenador médico do serviço, Luiz Felipe Goulart, negou que a decisão pela dispensa tenha partido da coordenação do Samu e afirmou que apenas foi informado que os funcionários estavam desligados. “Nenhum dos quatro possui anotações em prontuário por desvio de conduta, imperícia ou falta de experiência. Os dois colegas médicos são altamente treinados e especializados, sendo ambos cirurgiões com ampla experiência no tratamento de emergências e trauma. Não há nenhum critério técnico para retirada dos profissionais do nosso quadro”, afirmou. “Não houve solicitação da coordenação deste serviço para que os colegas fossem desligados. Essa coordenação foi pega de surpresa, assim como os profissionais, e fomos apenas comunicados do desligamento”, concluiu.

O Diário não conseguiu contato com o coordenador médico da urgência do município, Carlos Foganholi. O SindSaúde ABC (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Privados de Saúde do Grande ABC) se solidarizou com os profissionais e marcou um protesto para o dia 26 de julho, para exigir a reintegração dos trabalhadores. 

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