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Pinheirão Grill fecha por tempo indeterminado

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Tradicional na Rota do Frango com Polenta, enfrentava dificuldades e demitiu todos funcionários


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

12/07/2020 | 00:30


Os restaurantes da Rota do Frango com Polenta, localizada em São Bernardo, passaram por diversas dificuldades nos últimos anos, tanto que, de 2016 para cá, três dos 11 integrantes já haviam fechado as portas definitivamente. Com a reabertura dos salões para consumo, a expectativa era a de que, mesmo com apenas 40% da capacidade, a movimentação ajudasse os estabelecimentos. Porém, houve mais uma baixa. O Pinheirão Grill encerrou as atividades ao demitir seus 35 funcionários e passar exclusivamente para as mãos de um dos três sócios, que também administra o Jardineira Grill, tradicional churrascaria localizada na Avenida dos Bandeirantes, na Capital. O futuro do espaço, no entanto, ainda é incerto. Não se sabe se será reaberto nem quando, devido à pandemia do coronavírus.

A churrascaria estava havia praticamente 40 anos na Avenida Maria Servidei Demarchi e, apesar de não servir o frango com polenta, fazia parte da tradição do local. A crise causada pela pandemia acabou afetando diretamente o estabelecimento, que optou por continuar fechado, mesmo com a reabertura autorizada pelo Estado no início da semana passada. Com isso, surgiram rumores de encerramento definitivo das atividades, já que a região viu isso acontecer muitas vezes com outros estabelecimentos nos últimos anos.

De acordo com o ex-sócio Jair Pedro Barbieri, ele vendeu sua parte para pagar as dívidas do estabelecimento para o grupo Jardineira Grill, mas alegou não saber o que será feito no local – na Junta Comercial, o Jardineira Grill é administrado po por Levon Yezeguielian Neto, José da Silva Monteiro e Ademir Antonio Perin, que fundou o Pinheirão no fim dos anos 1970. “Fechamos em 23 de março. Neste dia eu sentei com cada um dos 35 funcionários, dispensei e acertei todas as contas. Foi muito dolorido tomar essa decisão, mas não tinha como. A gente não queria fechar, mas este foi o jeito de pagar as dívidas que estavam entre R$ 300 mil a R$ 400 mil. Muito disso de financiamentos, já que a gente pagava para trabalhar.”

Segundo ele, a cada dia que o restaurante ficava aberto havia um prejuízo em torno de R$ 3.000. O salão tem capacidade para 260 lugares, mas no último domingo em que funcionou foram servidos 17 clientes apenas. “Sinto saudades, mas acho que foi um bom negócio porque a gente não ia aguentar 120 dias fechados só com o delivery. Conseguimos pagar as dívidas e os funcionários.”

Barbieri afirmou que ficou decepcionado com a região, já que “restaurantes grandes fecharam e não houve nenhuma ação da Prefeitura”, disse, ao apontar a necessidade de uma estrutura melhor na rota, como sinalização e iluminação.

Itacir Siqueira, conhecido como Vermelho, era outro sócio e também acreditou que o fechamento foi a melhor opção em vista do cenário atual. “Eu já não tenho mais saúde, afinal, estou com 70 anos. Não sei se amanhã ou depois, ele (o único sócio) vai reabrir, mas se precisar eu ajudo. Comecei a trabalhar aqui logo que ele fundou”, contou ele, que sente saudades da conversa com a clientela.

O Diário apurou que a nova composição societária do Pinheirão estuda a possibilidade de reabrir nos próximos meses, mas sem previsão fechada, uma vez que seria necessário contratar nova equipe para trabalhar no restaurante.

Ademir Perin foi indagado pela equipe do Diário para saber sobre o futuro do Pinheirão, mas ele preferiu não se pronunciar oficialmente acerca do caso.
A situação do Pinheirão preocupa, já que outros três restaurantes da rota encerraram as atividades recentemente (leia mais abaixo). O último deles foi o Florestal, que fechou em janeiro, após 64 anos de funcionamento.

Questionada sobre o assunto, a Prefeitura de São Bernardo informou que não cabe comentar negociações do setor privado. Em relação ao fomento do local, esclareceu que trabalhou “no apoio de ações que impulsionem o desenvolvimento da Rota dos Restaurantes, tendo sugerido à Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo) a criação do Programa de Fidelidade Rota dos Restaurantes, lançado em março deste ano”, informou em nota.

Demais restaurantes se adaptam ao novo ‘normal’

Tradição é a palavra que permeia os estabelecimentos da Rota do Frango com Polenta. Porém, em tempos de pandemia, os locais também tiveram que fazer adaptações para continuar funcionando e resistir a mais uma crise, considerada a pior da história pelos empresários.

O Restaurante Santo Antônio, que atualmente é o mais antigo em funcionamento, há 58 anos, voltou a abrir o salão na quarta-feira. “Domingo agora (hoje), que sempre foi o dia mais forte, é que que vamos ter uma noção do ritmo da retomada. O movimento está bem tímido, até porque tínhamos uma clientela grande de escritórios”, disse um dos proprietários do local, Odair Battistini, que vendeu uma média de 20 refeições por dia desde a reabertura.

No início da pandemia, o local ficou fechado por 30 dias com todos os funcionários em férias coletivas. No retorno, a opção foi oferecer somente o serviço de retirada das refeições. A queda na movimentação gira em torno de 70%.

“A gente procurou trabalhar direitinho, com preço justo e divulgação pela internet. Fizemos adequações para acontecer somente a retirada e o nosso movimento nos surpreendeu. Temos uma clientela fiel, que frequenta aqui há 50 anos, então, como são do grupo de risco, ainda não podem sair. Por isso acreditamos que, por enquanto, essa modalidade veio para ficar”, disse.

Já o restaurante do Gaia apostou no delivery e teve redução de 50%. De acordo com o proprietário Reinaldo Demarchi, ele fez um reforço na equipe dos motoboys. “Foi a pior crise, porque a gente não conseguiu trabalhar, já que as pessoas não podiam sair de casa. Acredito que, para voltar à normalidade, só quando criarem uma vacina”, destacou.

No início de março, a Acisbec lançou programa de descontos voltado para a rota, com expectativa de aumentar a movimentação. A iniciativa trouxe um cartão fidelidade com direito a um almoço gratuito após dez refeições pagas. “Nossa intenção é retomar com a ação, mas o momento não é propício. Acredito que no fim deste ano nós consigamos dar continuidade”, assinalou o presidente da Acisbec, Valter Moura.

Circuito passa por transformações no perfil dos clientes nos últimos anos

Os restaurantes da rota – formada inicialmente por 11 estabelecimentos e que agora reúne seis, considerando o Pinheirão que está fechado atualmente, mesmo com a chance de reabrir – enfrentam desafios há pelo menos 20 anos. A situação foi agravada pela pandemia, mas os estabelecimentos já sofriam anteriormente.

Entre as situações enfrentadas pelos estabelecimentos estava a diminuição no número de empregados da indústria, especialmente a automotiva, que eram assíduos do local. Sem falar da crise econômica e da própria mudança no perfil do consumidor, que prefere fazer refeições mais rápidas em fast foods ou padarias.

Por causa disso, o Restaurante Florestal encerrou as atividades em janeiro. Fundado em 1956, o espaço, com 2.500 lugares, estava na lista dos três maiores e mais conhecidos da região.

Fechado em agosto do ano passado, o Restaurante São Francisco, localizado na mesma via, deu lugar a unidade do supermercado Bem Barato. O São Judas baixou as portas em 2016. Houve especulação de reabertura e até mesmo aposta em modelos de franquia da rede, que também acabaram fechando.



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Pinheirão Grill fecha por tempo indeterminado

Tradicional na Rota do Frango com Polenta, enfrentava dificuldades e demitiu todos funcionários

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

12/07/2020 | 00:30


Os restaurantes da Rota do Frango com Polenta, localizada em São Bernardo, passaram por diversas dificuldades nos últimos anos, tanto que, de 2016 para cá, três dos 11 integrantes já haviam fechado as portas definitivamente. Com a reabertura dos salões para consumo, a expectativa era a de que, mesmo com apenas 40% da capacidade, a movimentação ajudasse os estabelecimentos. Porém, houve mais uma baixa. O Pinheirão Grill encerrou as atividades ao demitir seus 35 funcionários e passar exclusivamente para as mãos de um dos três sócios, que também administra o Jardineira Grill, tradicional churrascaria localizada na Avenida dos Bandeirantes, na Capital. O futuro do espaço, no entanto, ainda é incerto. Não se sabe se será reaberto nem quando, devido à pandemia do coronavírus.

A churrascaria estava havia praticamente 40 anos na Avenida Maria Servidei Demarchi e, apesar de não servir o frango com polenta, fazia parte da tradição do local. A crise causada pela pandemia acabou afetando diretamente o estabelecimento, que optou por continuar fechado, mesmo com a reabertura autorizada pelo Estado no início da semana passada. Com isso, surgiram rumores de encerramento definitivo das atividades, já que a região viu isso acontecer muitas vezes com outros estabelecimentos nos últimos anos.

De acordo com o ex-sócio Jair Pedro Barbieri, ele vendeu sua parte para pagar as dívidas do estabelecimento para o grupo Jardineira Grill, mas alegou não saber o que será feito no local – na Junta Comercial, o Jardineira Grill é administrado po por Levon Yezeguielian Neto, José da Silva Monteiro e Ademir Antonio Perin, que fundou o Pinheirão no fim dos anos 1970. “Fechamos em 23 de março. Neste dia eu sentei com cada um dos 35 funcionários, dispensei e acertei todas as contas. Foi muito dolorido tomar essa decisão, mas não tinha como. A gente não queria fechar, mas este foi o jeito de pagar as dívidas que estavam entre R$ 300 mil a R$ 400 mil. Muito disso de financiamentos, já que a gente pagava para trabalhar.”

Segundo ele, a cada dia que o restaurante ficava aberto havia um prejuízo em torno de R$ 3.000. O salão tem capacidade para 260 lugares, mas no último domingo em que funcionou foram servidos 17 clientes apenas. “Sinto saudades, mas acho que foi um bom negócio porque a gente não ia aguentar 120 dias fechados só com o delivery. Conseguimos pagar as dívidas e os funcionários.”

Barbieri afirmou que ficou decepcionado com a região, já que “restaurantes grandes fecharam e não houve nenhuma ação da Prefeitura”, disse, ao apontar a necessidade de uma estrutura melhor na rota, como sinalização e iluminação.

Itacir Siqueira, conhecido como Vermelho, era outro sócio e também acreditou que o fechamento foi a melhor opção em vista do cenário atual. “Eu já não tenho mais saúde, afinal, estou com 70 anos. Não sei se amanhã ou depois, ele (o único sócio) vai reabrir, mas se precisar eu ajudo. Comecei a trabalhar aqui logo que ele fundou”, contou ele, que sente saudades da conversa com a clientela.

O Diário apurou que a nova composição societária do Pinheirão estuda a possibilidade de reabrir nos próximos meses, mas sem previsão fechada, uma vez que seria necessário contratar nova equipe para trabalhar no restaurante.

Ademir Perin foi indagado pela equipe do Diário para saber sobre o futuro do Pinheirão, mas ele preferiu não se pronunciar oficialmente acerca do caso.
A situação do Pinheirão preocupa, já que outros três restaurantes da rota encerraram as atividades recentemente (leia mais abaixo). O último deles foi o Florestal, que fechou em janeiro, após 64 anos de funcionamento.

Questionada sobre o assunto, a Prefeitura de São Bernardo informou que não cabe comentar negociações do setor privado. Em relação ao fomento do local, esclareceu que trabalhou “no apoio de ações que impulsionem o desenvolvimento da Rota dos Restaurantes, tendo sugerido à Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo) a criação do Programa de Fidelidade Rota dos Restaurantes, lançado em março deste ano”, informou em nota.

Demais restaurantes se adaptam ao novo ‘normal’

Tradição é a palavra que permeia os estabelecimentos da Rota do Frango com Polenta. Porém, em tempos de pandemia, os locais também tiveram que fazer adaptações para continuar funcionando e resistir a mais uma crise, considerada a pior da história pelos empresários.

O Restaurante Santo Antônio, que atualmente é o mais antigo em funcionamento, há 58 anos, voltou a abrir o salão na quarta-feira. “Domingo agora (hoje), que sempre foi o dia mais forte, é que que vamos ter uma noção do ritmo da retomada. O movimento está bem tímido, até porque tínhamos uma clientela grande de escritórios”, disse um dos proprietários do local, Odair Battistini, que vendeu uma média de 20 refeições por dia desde a reabertura.

No início da pandemia, o local ficou fechado por 30 dias com todos os funcionários em férias coletivas. No retorno, a opção foi oferecer somente o serviço de retirada das refeições. A queda na movimentação gira em torno de 70%.

“A gente procurou trabalhar direitinho, com preço justo e divulgação pela internet. Fizemos adequações para acontecer somente a retirada e o nosso movimento nos surpreendeu. Temos uma clientela fiel, que frequenta aqui há 50 anos, então, como são do grupo de risco, ainda não podem sair. Por isso acreditamos que, por enquanto, essa modalidade veio para ficar”, disse.

Já o restaurante do Gaia apostou no delivery e teve redução de 50%. De acordo com o proprietário Reinaldo Demarchi, ele fez um reforço na equipe dos motoboys. “Foi a pior crise, porque a gente não conseguiu trabalhar, já que as pessoas não podiam sair de casa. Acredito que, para voltar à normalidade, só quando criarem uma vacina”, destacou.

No início de março, a Acisbec lançou programa de descontos voltado para a rota, com expectativa de aumentar a movimentação. A iniciativa trouxe um cartão fidelidade com direito a um almoço gratuito após dez refeições pagas. “Nossa intenção é retomar com a ação, mas o momento não é propício. Acredito que no fim deste ano nós consigamos dar continuidade”, assinalou o presidente da Acisbec, Valter Moura.

Circuito passa por transformações no perfil dos clientes nos últimos anos

Os restaurantes da rota – formada inicialmente por 11 estabelecimentos e que agora reúne seis, considerando o Pinheirão que está fechado atualmente, mesmo com a chance de reabrir – enfrentam desafios há pelo menos 20 anos. A situação foi agravada pela pandemia, mas os estabelecimentos já sofriam anteriormente.

Entre as situações enfrentadas pelos estabelecimentos estava a diminuição no número de empregados da indústria, especialmente a automotiva, que eram assíduos do local. Sem falar da crise econômica e da própria mudança no perfil do consumidor, que prefere fazer refeições mais rápidas em fast foods ou padarias.

Por causa disso, o Restaurante Florestal encerrou as atividades em janeiro. Fundado em 1956, o espaço, com 2.500 lugares, estava na lista dos três maiores e mais conhecidos da região.

Fechado em agosto do ano passado, o Restaurante São Francisco, localizado na mesma via, deu lugar a unidade do supermercado Bem Barato. O São Judas baixou as portas em 2016. Houve especulação de reabertura e até mesmo aposta em modelos de franquia da rede, que também acabaram fechando.

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