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Dois filmes que revelam a evolução de Fellini



01/04/2020 | 07:05


Em apenas dois filmes interpretados por sua mulher, Giulietta Masina, é possível identificar a evolução, e quem sabe os limites, de Federico Fellini como artista. Do neorrealismo tardio de As Noites de Cabíria, de 1957, à extravagância visual de Julieta dos Espíritos, de 1965, há uma curva dramática muito interessante. Os dois filmes serão apresentados nesta quarta, 1º, pelo Telecine Cult, às 19h50 e 22h.

Cabíria, a prostituta que já havia aparecido em Abismo de um Sonho, de 1952, vira agora protagonista. É uma personagem típica da Itália miserável do pós-guerra (e do neorrealismo). Vive à noite, habita um pardieiro. É abusada pelos homens, chega ao limite do desespero - "Mata-me, não quero mais viver" -, mas não perde a capacidade de sonhar. Bastam uns músicos de rua para fazê-la querer viver de novo.

Com Oito e Meio, de 1961, Fellini voltou-se para o próprio umbigo. Tornou-se seu personagem preferido. Julieta, o primeiro filme longo do diretor em cores, chegou a ser definido como um Oito e Meio feminino. Enche os olhos, mas na ficção, como na realidade, o marido é mulherengo. Giulietta faz dona de casa reprimida que libera seus desejos por meio dos espíritos. Um Fellini psicanalítico, junguiano. E, segundo as feministas, machista.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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Dois filmes que revelam a evolução de Fellini


01/04/2020 | 07:05


Em apenas dois filmes interpretados por sua mulher, Giulietta Masina, é possível identificar a evolução, e quem sabe os limites, de Federico Fellini como artista. Do neorrealismo tardio de As Noites de Cabíria, de 1957, à extravagância visual de Julieta dos Espíritos, de 1965, há uma curva dramática muito interessante. Os dois filmes serão apresentados nesta quarta, 1º, pelo Telecine Cult, às 19h50 e 22h.

Cabíria, a prostituta que já havia aparecido em Abismo de um Sonho, de 1952, vira agora protagonista. É uma personagem típica da Itália miserável do pós-guerra (e do neorrealismo). Vive à noite, habita um pardieiro. É abusada pelos homens, chega ao limite do desespero - "Mata-me, não quero mais viver" -, mas não perde a capacidade de sonhar. Bastam uns músicos de rua para fazê-la querer viver de novo.

Com Oito e Meio, de 1961, Fellini voltou-se para o próprio umbigo. Tornou-se seu personagem preferido. Julieta, o primeiro filme longo do diretor em cores, chegou a ser definido como um Oito e Meio feminino. Enche os olhos, mas na ficção, como na realidade, o marido é mulherengo. Giulietta faz dona de casa reprimida que libera seus desejos por meio dos espíritos. Um Fellini psicanalítico, junguiano. E, segundo as feministas, machista.

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