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Jornalista lança romance baseado em relatos sobre manicômio

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Angela Molognoni relembra em livro a triste situação dos pacientes de manicômio mineiro


Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

26/12/2019 | 07:00


Houve um tempo em que as pessoas eram levadas para o manicômio não apenas por terem problemas mentais, mas também por não seguirem as regras impostas pela sociedade. Adolescentes que ficavam grávidas, homossexuais, prostitutas e até dependentes químicos eram deixados nesses lugares, enclausurados, tomavam choque, apenas por não corresponderem as expectativas dos familiares.

Muitas dessas histórias foram contadas no livro da jornalista Daniela Arbex, o Holocausto Brasileiro – que ganhou como segundo melhor livro-reportagem no prêmio Jabuti de 2014 –, em que relatou as barbáries que ocorreram durante décadas dentro do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, o Colônia, em Minas Gerais. Quem lê as páginas desta publicação não fica imune.

À exemplo está a jornalista e escritora andreense Angela Molognoni, que já passou pela redação do Diário. Inspirada na publicação de Daniela e no posterior documentário baseado no livro, ela acaba de fazer um romance, Trem de Doido (Cartola Editora), em que traz elementos da história já descrita. “Peguei todas as passagens reais que ela (Daniela) escreve no Holocausto e transportei para a história de uma personagem fictícia, uma menina de 15 anos, Cecília, que ficou grávida e foi internada no Colônia no auge de sua lotação, quando tinha milhares de pacientes em um espaço onde cabiam apenas 200. Narro com os olhos dela tudo o que está acontecendo naquele local desumano”, descreve a escritora, que já havia publicado o livro Canção da Terra, em 2016.

Entre os relatos que mais chamaram a atenção de Angela estão a mistura entre mulheres e homens no mesmo espaço, o fato de muitos não terem problemas mentais, a exposição ao frio e fome – o que levou milhares à morte – e até a venda de cadáveres para universidades, sem sequer autorização de seus familiares.

“Fiquei muito impactada com a história, porque não tinha ideia do que era o Hospital Colônia. Daí comecei a pensar como seria viver naquele local, passar por aquele tipo de situação, e surgiu a ideia de escrever o romance”, lembra. Os pacientes chegavam ao manicômio em vagões de carga, conhecido por lá como ‘trem de doido’, por isso o nome do livro.

A fim de custear a publicação, a autora abriu uma página de financiamento coletivo no Catarse, com a intenção de arrecadar R$ 1.500, meta já superada. O lançamento está previsto para 18 de abril, no Sebo Clepsidra (R. Fortunato, 117), em São Paulo.  



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Jornalista lança romance baseado em relatos sobre manicômio

Angela Molognoni relembra em livro a triste situação dos pacientes de manicômio mineiro

Miriam Gimenes
Do Diário do Grande ABC

26/12/2019 | 07:00


Houve um tempo em que as pessoas eram levadas para o manicômio não apenas por terem problemas mentais, mas também por não seguirem as regras impostas pela sociedade. Adolescentes que ficavam grávidas, homossexuais, prostitutas e até dependentes químicos eram deixados nesses lugares, enclausurados, tomavam choque, apenas por não corresponderem as expectativas dos familiares.

Muitas dessas histórias foram contadas no livro da jornalista Daniela Arbex, o Holocausto Brasileiro – que ganhou como segundo melhor livro-reportagem no prêmio Jabuti de 2014 –, em que relatou as barbáries que ocorreram durante décadas dentro do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, o Colônia, em Minas Gerais. Quem lê as páginas desta publicação não fica imune.

À exemplo está a jornalista e escritora andreense Angela Molognoni, que já passou pela redação do Diário. Inspirada na publicação de Daniela e no posterior documentário baseado no livro, ela acaba de fazer um romance, Trem de Doido (Cartola Editora), em que traz elementos da história já descrita. “Peguei todas as passagens reais que ela (Daniela) escreve no Holocausto e transportei para a história de uma personagem fictícia, uma menina de 15 anos, Cecília, que ficou grávida e foi internada no Colônia no auge de sua lotação, quando tinha milhares de pacientes em um espaço onde cabiam apenas 200. Narro com os olhos dela tudo o que está acontecendo naquele local desumano”, descreve a escritora, que já havia publicado o livro Canção da Terra, em 2016.

Entre os relatos que mais chamaram a atenção de Angela estão a mistura entre mulheres e homens no mesmo espaço, o fato de muitos não terem problemas mentais, a exposição ao frio e fome – o que levou milhares à morte – e até a venda de cadáveres para universidades, sem sequer autorização de seus familiares.

“Fiquei muito impactada com a história, porque não tinha ideia do que era o Hospital Colônia. Daí comecei a pensar como seria viver naquele local, passar por aquele tipo de situação, e surgiu a ideia de escrever o romance”, lembra. Os pacientes chegavam ao manicômio em vagões de carga, conhecido por lá como ‘trem de doido’, por isso o nome do livro.

A fim de custear a publicação, a autora abriu uma página de financiamento coletivo no Catarse, com a intenção de arrecadar R$ 1.500, meta já superada. O lançamento está previsto para 18 de abril, no Sebo Clepsidra (R. Fortunato, 117), em São Paulo.  

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