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Ford cogita fechar campo de provas situado em Tatuí

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Conforme sindicato dos metalúrgicos, empresa alega excedente e quer terceirizar atividades


Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

06/11/2019 | 07:13


Depois de encerrar a produção de caminhões em São Bernardo, na semana passada, por decisão de sair do segmento na América do Sul, a Ford agora cogita também finalizar as atividades em Tatuí, no Interior, onde possui seu Campo de Provas há 41 anos. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Tatuí, a ideia é terceirizar o local para outra empresa e permitir que demais montadoras possam utilizar a estrutura e ocupar parte ociosa, além de demitir 51% dos funcionários. Desta maneira, os gastos seriam significativamente reduzidos.

Em Tatuí funciona hoje a unidade de desenvolvimento de produtos. É lá que os modelos são criados e testados. Trata-se da maior pista de teste da Ford na América Latina. Portanto, a maioria dos funcionários é composta por engenheiros, supervisores, técnicos e mecânicos de teste. Segundo o presidente do sindicato, Ronaldo Mota, a média salarial da filial gira em torno de R$ 8.000 a R$ 12 mil. E, na empresa desenvolvedora de protótipos cogitada para assumir a operação, os valores correspondem a cerca de um terço dos vencimentos, entre R$ 3.000 e R$ 4.000.

“A companhia quer fechar a unidade de Tatuí e transferí-la a grupo de ex-diretores, para atuar como terceirizada a várias outras montadoras. Esse plano contempla a demissão de 60% dos especialistas de sua unidade de desenvolvimento. Os cortes, porém, não incluem os benefícios que foram conquistados pelos trabalhadores da unidade de São Bernardo no programa demissionário. Mas a empresa tem sido irredutível para negociar isso”, diz funcionário que pediu para não ser identificado.

Conforme Mota, existem hoje 215 trabalhadores na unidade, e a Ford alegou a existência de excedente de 110 profissionais, ou seja, 51,1% do total. Desses, 75 são horistas, ainda da época da Autolatina (joint venture formada entre a Ford e a Volkswagen nos mercados brasileiro e argentino, entre 1987 e 1996), e incluem motoristas e mecânicos de teste. Hoje, existem 83 deles. E o restante é composto por 35 mensalistas, como supervisores e engenheiros.

“O maior problema, além de anunciar que quer reestruturar a operação e reduzir gastos, foi a proposta feita aos trabalhadores para que eles sejam desligados da empresa. Quem está lá há até dez anos, receberia apenas dois salários adicionais, além das verbas rescisórias e bônus de R$ 8.350. De 11 a 20 anos, três salários. Acima de 20, quatro salários. E para quem tem estabilidade, cinco salários. Só que a maioria está de 30 a 40 anos na companhia. E o pacote é bem diferente do ofertado em São Bernardo, em que foram pagos até dois salários por ano trabalhado. Queremos equidade, ainda mais porque entendemos que se trata de um pacote que antecede o fim das operações”, explica o sindicalista.

Antes de ter essa conversa com a entidade, Mota conta que a empresa quis fazer demissões por partes, primeiro de 25 a 30 profissionais, sem nenhum benefício, só com a rescisão tradicional.
Diante do cenário, as atividades foram paralisadas por uma semana no fim de setembro e o caso foi levado ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho). Hoje, mais um episódio da saga será avaliado pelo tribunal situado em Campinas, Interior. Para agravar mais a situação, segundo Mota, a Ford não quer abonar os dias parados. “Ela propôs pagamento de 50% do valor e, o restante, vai para o banco de horas. Além de 12 meses de estabilidade. Mas nós não aceitamos os descontos”, diz.

“Vale lembrar que a companhia recebeu mais de R$ 7,5 bilhões em benefícios na Bahia e R$ 5,5 bilhões em empréstimos com juros subsidiados pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), além dos subsídios de vários governos ao longo de sua história, como o programa Inovar-Auto”, cita a fonte que pede sigilo. A Ford não respondeu aos questionamentos do Diário até o fechamento desta edição.

Venda para Caoa segue sem desfecho

As negociações entre Ford e Caoa para a venda da fábrica de São Bernardo seguem sem um desfecho. Era aguardada para ontem reunião entre representantes das empresas, no entanto, não houve conclusão das tratativas, que devem continuar hoje.

Conforme o Diário publicou, após proposta do grupo brasileiro enviada na sexta-feira e discutida no fim de semana, a montadora norte-americana fez uma contraproposta e o presidente do conselho de administração do Grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, e o presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters, iriam discutir essas mudanças ontem.

As conversas seguem, portanto, mesmo sem conclusão em relação ao empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Na segunda-feira, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC solicitou oficialmente agenda com a instituição federal, que confirmou o pleito mas ainda não divulgou data do encontro.

Segundo o presidente do TID Brasil (Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento) e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, o intuito é esclarecer dúvidas que ficaram a respeito de posicionamento do BNDES. “A nota que o banco divulgou passa a impressão de que a Caoa não formalizou o pedido de empréstimo. Queremos esclarecer essa dúvida”, afirmou.

Questionadas, a Caoa disse não ter novidades sobre o assunto e a Ford não respondeu até o fechamento desta edição.
 



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Ford cogita fechar campo de provas situado em Tatuí

Conforme sindicato dos metalúrgicos, empresa alega excedente e quer terceirizar atividades

Soraia Abreu Pedrozo
Do Diário do Grande ABC

06/11/2019 | 07:13


Depois de encerrar a produção de caminhões em São Bernardo, na semana passada, por decisão de sair do segmento na América do Sul, a Ford agora cogita também finalizar as atividades em Tatuí, no Interior, onde possui seu Campo de Provas há 41 anos. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Tatuí, a ideia é terceirizar o local para outra empresa e permitir que demais montadoras possam utilizar a estrutura e ocupar parte ociosa, além de demitir 51% dos funcionários. Desta maneira, os gastos seriam significativamente reduzidos.

Em Tatuí funciona hoje a unidade de desenvolvimento de produtos. É lá que os modelos são criados e testados. Trata-se da maior pista de teste da Ford na América Latina. Portanto, a maioria dos funcionários é composta por engenheiros, supervisores, técnicos e mecânicos de teste. Segundo o presidente do sindicato, Ronaldo Mota, a média salarial da filial gira em torno de R$ 8.000 a R$ 12 mil. E, na empresa desenvolvedora de protótipos cogitada para assumir a operação, os valores correspondem a cerca de um terço dos vencimentos, entre R$ 3.000 e R$ 4.000.

“A companhia quer fechar a unidade de Tatuí e transferí-la a grupo de ex-diretores, para atuar como terceirizada a várias outras montadoras. Esse plano contempla a demissão de 60% dos especialistas de sua unidade de desenvolvimento. Os cortes, porém, não incluem os benefícios que foram conquistados pelos trabalhadores da unidade de São Bernardo no programa demissionário. Mas a empresa tem sido irredutível para negociar isso”, diz funcionário que pediu para não ser identificado.

Conforme Mota, existem hoje 215 trabalhadores na unidade, e a Ford alegou a existência de excedente de 110 profissionais, ou seja, 51,1% do total. Desses, 75 são horistas, ainda da época da Autolatina (joint venture formada entre a Ford e a Volkswagen nos mercados brasileiro e argentino, entre 1987 e 1996), e incluem motoristas e mecânicos de teste. Hoje, existem 83 deles. E o restante é composto por 35 mensalistas, como supervisores e engenheiros.

“O maior problema, além de anunciar que quer reestruturar a operação e reduzir gastos, foi a proposta feita aos trabalhadores para que eles sejam desligados da empresa. Quem está lá há até dez anos, receberia apenas dois salários adicionais, além das verbas rescisórias e bônus de R$ 8.350. De 11 a 20 anos, três salários. Acima de 20, quatro salários. E para quem tem estabilidade, cinco salários. Só que a maioria está de 30 a 40 anos na companhia. E o pacote é bem diferente do ofertado em São Bernardo, em que foram pagos até dois salários por ano trabalhado. Queremos equidade, ainda mais porque entendemos que se trata de um pacote que antecede o fim das operações”, explica o sindicalista.

Antes de ter essa conversa com a entidade, Mota conta que a empresa quis fazer demissões por partes, primeiro de 25 a 30 profissionais, sem nenhum benefício, só com a rescisão tradicional.
Diante do cenário, as atividades foram paralisadas por uma semana no fim de setembro e o caso foi levado ao TRT (Tribunal Regional do Trabalho). Hoje, mais um episódio da saga será avaliado pelo tribunal situado em Campinas, Interior. Para agravar mais a situação, segundo Mota, a Ford não quer abonar os dias parados. “Ela propôs pagamento de 50% do valor e, o restante, vai para o banco de horas. Além de 12 meses de estabilidade. Mas nós não aceitamos os descontos”, diz.

“Vale lembrar que a companhia recebeu mais de R$ 7,5 bilhões em benefícios na Bahia e R$ 5,5 bilhões em empréstimos com juros subsidiados pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), além dos subsídios de vários governos ao longo de sua história, como o programa Inovar-Auto”, cita a fonte que pede sigilo. A Ford não respondeu aos questionamentos do Diário até o fechamento desta edição.

Venda para Caoa segue sem desfecho

As negociações entre Ford e Caoa para a venda da fábrica de São Bernardo seguem sem um desfecho. Era aguardada para ontem reunião entre representantes das empresas, no entanto, não houve conclusão das tratativas, que devem continuar hoje.

Conforme o Diário publicou, após proposta do grupo brasileiro enviada na sexta-feira e discutida no fim de semana, a montadora norte-americana fez uma contraproposta e o presidente do conselho de administração do Grupo Caoa, Carlos Alberto de Oliveira Andrade, e o presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters, iriam discutir essas mudanças ontem.

As conversas seguem, portanto, mesmo sem conclusão em relação ao empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Na segunda-feira, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC solicitou oficialmente agenda com a instituição federal, que confirmou o pleito mas ainda não divulgou data do encontro.

Segundo o presidente do TID Brasil (Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento) e ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, o intuito é esclarecer dúvidas que ficaram a respeito de posicionamento do BNDES. “A nota que o banco divulgou passa a impressão de que a Caoa não formalizou o pedido de empréstimo. Queremos esclarecer essa dúvida”, afirmou.

Questionadas, a Caoa disse não ter novidades sobre o assunto e a Ford não respondeu até o fechamento desta edição.
 

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