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Cinema nacional ganha história em 706 verbetes


Do Diário do Grande ABC

14/05/2000 | 14:49


A história do cinema do País ganhou uma importante obra de referência. A "Enciclopédia do Cinema Brasileiro" (Senac, 664 págs., R$ 68), organizada pelos pesquisadores Fernao Ramos e Luiz Felipe Miranda, relaciona, em 706 verbetes, diretores, atores, fotógrafos, produtores, movimentos e técnicas que ajudaram a construir a atribulada cinematografia nacional.

"O diretor de cinema é um artista diferente de um pintor; ele precisa de toda uma equipe e esse nosso trabalho é um caminho para reencontrar essa gente", afirma Miranda, também autor do "Dicionário de Cineastas Brasileiros" (Art Editora, 1990) e responsável pelas filmografias da "Enciclopédia". Fernao Ramos, organizador de "História do Cinema Brasileiro" (Art Editora, 1987), afirma: "A Enciclopédia é mais complexa; "História..." seguia ciclos de produçao; para elaborar a "Enciclopédia", tivemos de pensar no conjunto da criaçao cinematográfica brasileira."

Com a colaboraçao de 45 pesquisadores, que assinam os verbetes, a "Enciclopédia do Cinema Brasileiro" tem uma divisao básica entre tópicos temáticos e de personalidades. Os primeiros (80, no total) discutem de questoes técnicas (som, montagem, fotografia, por exemplo) a temas como legislaçao e distribuiçao, passando por produçoes regionais, períodos e empresas ligadas ao setor. Nao há verbetes para filmes, nem mesmo para os que marcaram movimentos. Essa é uma lacuna ainda a ser preenchida.

Ramos e Miranda se conhecem desde a década de 80. A idéia da "Enciclopédia" surgiu no começo dos anos 90, quando o cinema brasileiro vivia uma de suas piores crises, em funçao das medidas adotadas pelo presidente Fernando Collor. Em 1996, quando a produçao nacional já começava a viver a retomada tornada possível pelas leis de incentivo fiscal, criadas depois da queda de Collor, os dois obtiveram uma bolsa da Fundaçao Vitae.

Com o projeto aprovado, começaram a elaboraçao da filmografia e a definiçao dos verbetes. Ramos sugeriu a inclusao dos itens temáticos e de personalidades que, embora participem brevemente na história do cinema, têm seu nome marcado na vida cultural brasileira. Cacilda Becker, por exemplo, atuou em apenas dois filmes ("Luz dos Meus Olhos", 1947, e "Floradas na Serra", 1954), mas conta um verbete próprio, em que é contada a trajetória nos palcos da grande dama do teatro brasileiro.

A enciclopédia proporciona reencontros com nomes hoje pouco em evidência. Monique Lafond, por exemplo, musa de filmes de forte apelo erótico, como "Emmanuele Tropical" (1977) e "Gisele" (1980), nao filma desde 1991, quando fez "Nao Quero Falar Disso" agora (1991).

Entre as personalidades, também se incluem críticos como Paulo Emílio Salles Gomes e Vinícius de Morais. O tópico dedicado a J.B. Tanko narra o inesperado casamento da técnica do diretor de origem croata com o improviso do grupo Os Trapalhoes.

Os verbetes temáticos buscam centrar-se nas discussoes técnicas sob a ótica específica do cinema brasileiro. Assim, nao se explica o significado da fotografia no cinema em geral, mas como as técnicas fotográficas foram absorvidas e utilizadas pelos realizadores nacionais.

A definiçao dos verbetes estava limitada ao espaço indicado pela editora. Os tópicos foram divididos em pequenos (como o do fotógrafo Valdemar Lima, que participou do movimento cinemanovista baiano), médios (Carlos Manga) e grandes (Gláuber Rocha). Nem sempre os colaboradores respeitaram a medida e a versao entregue à editora era 20% maior do que o combinado - mas o excesso foi mantido.

Um dos aspectos do trabalho é a utilizaçao de um critério quantitativo na seleçao de verbetes - e nao apenas o qualitativo. "Quem participou de muitas obras ganhou um verbete mesmo que o trabalho nao seja considerado marcante para a história do cinema brasileiro", explica Ramos. "Isso levou a uma supervalorizaçao de personalidades da Boca do Lixo, em que a produçao foi numerosa, mas decidimos que essa era uma discussao que nao deveria ser evitada", avalia.



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Cinema nacional ganha história em 706 verbetes

Do Diário do Grande ABC

14/05/2000 | 14:49


A história do cinema do País ganhou uma importante obra de referência. A "Enciclopédia do Cinema Brasileiro" (Senac, 664 págs., R$ 68), organizada pelos pesquisadores Fernao Ramos e Luiz Felipe Miranda, relaciona, em 706 verbetes, diretores, atores, fotógrafos, produtores, movimentos e técnicas que ajudaram a construir a atribulada cinematografia nacional.

"O diretor de cinema é um artista diferente de um pintor; ele precisa de toda uma equipe e esse nosso trabalho é um caminho para reencontrar essa gente", afirma Miranda, também autor do "Dicionário de Cineastas Brasileiros" (Art Editora, 1990) e responsável pelas filmografias da "Enciclopédia". Fernao Ramos, organizador de "História do Cinema Brasileiro" (Art Editora, 1987), afirma: "A Enciclopédia é mais complexa; "História..." seguia ciclos de produçao; para elaborar a "Enciclopédia", tivemos de pensar no conjunto da criaçao cinematográfica brasileira."

Com a colaboraçao de 45 pesquisadores, que assinam os verbetes, a "Enciclopédia do Cinema Brasileiro" tem uma divisao básica entre tópicos temáticos e de personalidades. Os primeiros (80, no total) discutem de questoes técnicas (som, montagem, fotografia, por exemplo) a temas como legislaçao e distribuiçao, passando por produçoes regionais, períodos e empresas ligadas ao setor. Nao há verbetes para filmes, nem mesmo para os que marcaram movimentos. Essa é uma lacuna ainda a ser preenchida.

Ramos e Miranda se conhecem desde a década de 80. A idéia da "Enciclopédia" surgiu no começo dos anos 90, quando o cinema brasileiro vivia uma de suas piores crises, em funçao das medidas adotadas pelo presidente Fernando Collor. Em 1996, quando a produçao nacional já começava a viver a retomada tornada possível pelas leis de incentivo fiscal, criadas depois da queda de Collor, os dois obtiveram uma bolsa da Fundaçao Vitae.

Com o projeto aprovado, começaram a elaboraçao da filmografia e a definiçao dos verbetes. Ramos sugeriu a inclusao dos itens temáticos e de personalidades que, embora participem brevemente na história do cinema, têm seu nome marcado na vida cultural brasileira. Cacilda Becker, por exemplo, atuou em apenas dois filmes ("Luz dos Meus Olhos", 1947, e "Floradas na Serra", 1954), mas conta um verbete próprio, em que é contada a trajetória nos palcos da grande dama do teatro brasileiro.

A enciclopédia proporciona reencontros com nomes hoje pouco em evidência. Monique Lafond, por exemplo, musa de filmes de forte apelo erótico, como "Emmanuele Tropical" (1977) e "Gisele" (1980), nao filma desde 1991, quando fez "Nao Quero Falar Disso" agora (1991).

Entre as personalidades, também se incluem críticos como Paulo Emílio Salles Gomes e Vinícius de Morais. O tópico dedicado a J.B. Tanko narra o inesperado casamento da técnica do diretor de origem croata com o improviso do grupo Os Trapalhoes.

Os verbetes temáticos buscam centrar-se nas discussoes técnicas sob a ótica específica do cinema brasileiro. Assim, nao se explica o significado da fotografia no cinema em geral, mas como as técnicas fotográficas foram absorvidas e utilizadas pelos realizadores nacionais.

A definiçao dos verbetes estava limitada ao espaço indicado pela editora. Os tópicos foram divididos em pequenos (como o do fotógrafo Valdemar Lima, que participou do movimento cinemanovista baiano), médios (Carlos Manga) e grandes (Gláuber Rocha). Nem sempre os colaboradores respeitaram a medida e a versao entregue à editora era 20% maior do que o combinado - mas o excesso foi mantido.

Um dos aspectos do trabalho é a utilizaçao de um critério quantitativo na seleçao de verbetes - e nao apenas o qualitativo. "Quem participou de muitas obras ganhou um verbete mesmo que o trabalho nao seja considerado marcante para a história do cinema brasileiro", explica Ramos. "Isso levou a uma supervalorizaçao de personalidades da Boca do Lixo, em que a produçao foi numerosa, mas decidimos que essa era uma discussao que nao deveria ser evitada", avalia.

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