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‘Paulo Guedes não abre mão de rever o pacto federativo’

Divulgação/Agência Senado Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Evaldo Novelini
do Diário do Grande ABC

30/09/2019 | 07:00


O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) é dado a superlativos. Diz que já apresentou 168 projetos, mais que um a cada uma das 153 sessões de que participou em oito meses de mandato. Ao ser questionado sobre livro e artista que recomenda ou admira, cita dezenas. Também eleva a adjetivação ao descrever amigos, como o apresentador José Luiz Datena, ou adversários, como o governador paulista João Doria (PSDB) e seu secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy. Embora senador por Goiás, demonstra conhecer os pleitos do Grande ABC, como o desejo dos prefeitos de rediscutir o pacto federativo.

A que o sr. atribui a grande exposição que o seu mandato, de oito meses, tem obtido na mídia?
Penso o contrário. Acho que tenho pouco espaço na mídia porque boa parte dela não gosta de mim, porque também não gosto dela. Boa parte da mídia, durante 40 anos, chamei-a de corrupta. Comprei várias brigas com redes de televisão. Pedi demissão ao vivo e fui demitido no ar, em rede nacional. Poderia ter muito mais espaço em função de minhas ações neste primeiro ano de mandato. Nunca aconteceu, na história do Senado, em tão pouco tempo, em apenas 153 sessões, alguém apresentar 168 projetos, com conteúdo.

Um dos projetos do sr., aliás, diz respeito ao aumento do percentual de reserva ambiental legal nos imóveis rurais do cerrado. Como o sr. acha que o Brasil cuida do meio ambiente?
Exatamente pelo fato de o Brasil cuidar muitíssimo mal do meio ambiente é que priorizei como tripé de meu mandato a saúde, a educação e o meio ambiente. No Estado de Goiás, a maior beleza natural do Centro-Oeste brasileiro, visitada pelo mundo inteiro, está morrendo. Chama-se Rio Araguaia. Há empresários de São Paulo e de outros lugares que montaram empresas ao lado do rio e retiram, sem exagero, (o equivalente para abastecer) uma Goiânia, cidade de 1,6 milhão de habitantes, de água por dia. O rio está morrendo. O (presidente da República Jair) Bolsonaro errou feio na escolha do ministro do Meio Ambiente (Ricardo Salles).

Uma das principais críticas dos prefeitos é que o pacto federativo tem estrangulado os municípios. Muita responsabilidade sem contrapartida financeira. O sr. acha que é hora de rever o pacto?
Não tem contrapartida. Aproveito para lhe informar em primeira mão a conversa que tive com o ministro (da Economia) Paulo Guedes, que é meu amigo. A contrapartida é zero, o desrespeito é total e, assim que a reforma da Previdência passar, segundo ele, o pacto federativo é a segunda prioridade e ele não abre mão.

O sr. é um entusiasta do que se convencionou chamar de CPI da Lava Toga...
Não gosto de falar Lava Toga. Acho que é pré-julgamento, demonstra revanchismo. Prefiro chamar de CPI do Judiciário Brasileiro. Para mostrar a realidade do Judiciário em todo Brasil. A venda de sentenças. Em uma grande cidade, como Santo André, São Caetano, São Bernardo, ou então lá em Cajuru, onde nasci, que tem 25 mil habitantes. Repito: sem revanchismo. Agora, que vai pegar mais aqui em Brasília, vai. Porque os maiores escândalos do Judiciário estão aqui.

O que mais lhe incomoda no Senado?
Os senadores (risos). Pela falta de preparo. Tenho muita vergonha do Estado de Goiás, que não merecia isso de forma alguma. Goiás teve senador que fez história – Henrique Santillo, já falecido, que foi também ministro da Saúde –, e hoje tem três, (mas) dois deles falam pobrema. Eles usaram a tribuna até hoje três vezes; eu usei 291. Sou campeão de pronunciamentos.

Foi esse cenário desolador que levou-o a dizer que renunciaria ao cargo meses após assumir?
Minha decepção foi com quem trabalha como se fosse jagunço de mídia. Foi feita uma fake news por causa do meu voto sobre o porte de armas. Aprovei para propriedades rurais e casas. E disse, com relação a armas nas ruas: o Brasil vai virar um bangue-bangue se não houver preparo para isso. Especialmente pela potência das armas. Tinha até fuzil! Você imagina um marido ciumento com uma arma dessa na mão, um sujeito embriagado, um psicopata no trânsito. Mas muita gente não entendeu e fui execrado nas redes sociais, por causa de fake news. Aquilo me decepcionou.

Governador de São Paulo, João Doria ameaçou processá-lo por 27 crimes contra a honra – 18 por injúria, seis por difamação e três por calúnia...
Se ele tem 27 crimes contra mim, tenho 27 mil contra ele. O tanto que ele já roubou na vida, como jornalista e político... É só ver os rolos dele com empreiteiras, com esquema. Ele não teve de demitir o diretor do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), Maurício Alves? Por quê? Estava tendo escândalo de R$ 2 bilhões em registro de veículos, emplacamento, exames toxicológicos, simuladores... Ele sabia desse escândalo porque o chefe da quadrilha é o secretário de Transportes (Metropolitanos), Alexandre Baldy. O Doria é mitômano. Tem compulsão por mentira. Mente 24 horas por dia. Trabalhei com ele dois anos, na RedeTV! Tinha aquele programa dominical, Show Business. Fazia quatro entrevistas por domingo. Só com gente rica. Ele não entrevistava pobre. Sabe por quê? Ele cobrava por entrevista. Cento e cinquenta mil reais. É um picareta social.

Falando em pessoas que o sr. já conheceu, o Alexandre Baldy...
Esse eu não conheci; só o vi uma vez na minha vida, graças a Deus, e nem quero ver mais. Quando o vi, já saquei quem ele era. Depois, puxei a capivara dele. A partir de agora, se vê-lo de novo, a primeira coisa que vou fazer é colocar as minhas mãos no bolso, para que nada seja retirado. Eu disse como que é (na questão do Detran). É máfia. Em Goiás, esse esquema é comandado por um contraventor, um bicheiro, o (Carlinhos) Cachoeira.

Ele é outro que diz que está processando o sr., por 66 crimes...
Então vou processá-lo por 600 crimes. Porque o que ele já fez no Detran e no Ministério das Cidades dá, no mínimo, 600 crimes. Não tenho medo não. Minha munição é grande – e ainda não mostrei toda.

O sr. disse que entregou ao presidente Jair Bolsonaro algumas gravações que o envolvem. Que gravações são essas?
Gravações que comprovam o escândalo dos Detrans, porque não era um só, e recebimento de propinas no Ministério das Cidades. Quem é esse Alexandre Baldy? São Paulo não conhece. Ele não tinha nem sapato para usar.

O Grande ABC está conhecendo o Baldy. Ele acaba de trocar o projeto do Metrô, substituindo-o pelo BRT, que é corredor de ônibus. Pelo que o sr. sabe, o Metrô não chega?
Pode ter certeza que não. Agora, se chegar, a população do Grande ABC pode ter certeza absoluta: o que vai ter de propina! Coisa de bilhões. Porque não existe negócio com ele sem propina. Não existe ideal na vida dele. O ideal da vida dele é um só:ficar rico.

O sr. tem um grande amigo em São Paulo, o apresentador José Luiz Datena, cujo nome está sendo cotado para ser candidato a prefeito da Capital. Recomenda a via política a ele?
Ele poderia ter sido senador, se quisesse. (Para prefeito) Ganha no primeiro turno. Sonho para que ele venha para a vida pública porque o Brasil ganhará um homem raro. O Datena é o homem mais honesto que conheci. É o único que paga 100% dos impostos todo mês. Tem um coração maior do que ele. Você não tem noção do tanto de gente que o Datena ajuda. É ser humano especial, que ama o social, o próximo. A vida pública precisa de homens assim. Mais do que isso: ele é preparado. É um dos jornalistas mais cultos do Brasil. Misturou polícia com social. O Datena já evitou greve, assassinato, suicídio. No ar, ao vivo. Por causa desse lado dele. Sabe conversar. Sabe como ninguém discutir saúde, educação, cultura, segurança pública. Tem respeito pelo meio ambiente. Não podemos perder um homem como esse. Tomara que São Paulo entenda a importância de eleger um homem como esse ao invés de eleger um picareta social como o João Doria.

Impossível conversar com o sr. sem falar em esporte. Enquanto jornalista, foi grande crítico da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). O atual presidente, Rogério Caboclo, é o alvo da CPI do Esporte que o sr. propôs?
Não é o alvo. É o esporte em geral. Tem de investigar o Comitê Olímpico Brasileiro – é uma CBF, as federações de futebol do Brasil, as confederações de esportes amadores. Não é uma CPI da CBF. A CBF fatura bilhões e, como é empresa privada, não presta contas a ninguém. É absurdo. A Seleção Brasileira é patrimônio do povo, então a CBF tinha de prestar contas do que ela arrecada, do que ela faz com esse dinheiro. Qual é a destinação desses bilhões? O Caboclo mandou dizer para mim que a CBF mudou. Mentira. O que mudou? Só a coleira. Os cachorros são os mesmos.

Por que, a despeito de o sr. já possuir as assinaturas para instaurá-la, a CPI não anda?
Porque a CBF chegou no presidente do Senado (Davi Alcolumbre) e fez pressão nele. Pressionou-o e pressionou o governo. Pressão tem quantos esses? Dois. E ‘s’ significa o quê também? Cifrão. Por exemplo, o Supremo. Como é que pressiona para não ter a CPI da Toga? Ameaçando os políticos que têm processo lá. O presidente do Senado tinha duas investigações contra ele. Foram arquivadas. Daí ele deu a palavra ao presidente (do STF) Dias Toffoli de que não permitiria a CPI, que iria engavetá-la. Como de fato está engavetando.

Qual sua avaliação da administração do presidente Jair Bolsonaro? Gostou do discurso dele na ONU (Organização das Nações Unidas)?
O discurso não foi dele, foi feito a oito mãos. Mas isso é bom, demonstra que tem boa assessoria. Foi um discurso muito bem- feito, indiscutivelmente. Ele tem uma vantagem que poucos têm: é bem intencionado. Não rouba e, na minha opinião, não deixa roubar. Eu sei porque, quando fiquei duas horas e cinco minutos na sala dele, em que levei tudo do Detran e do Denatran, todo o esquema, ele chamou o ministro Sérgio Moro (Justiça), o ministro Tarcísio (Gomes de Freitas, Infraestrutura), o delegado da Polícia Federal (Maurício Valeixo), lado a lado comigo, e disse: “Pode pegar quem quiser aqui, não quero nem saber quem vai pegar. Seja quem for, pode começar a investigação”. Começou a investigação, o primeiro que pegaram quem foi? O diretor do Detran de São Paulo, Maurício Alves. Vai chegar no Baldy. 



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‘Paulo Guedes não abre mão de rever o pacto federativo’

Evaldo Novelini
do Diário do Grande ABC

30/09/2019 | 07:00


O senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) é dado a superlativos. Diz que já apresentou 168 projetos, mais que um a cada uma das 153 sessões de que participou em oito meses de mandato. Ao ser questionado sobre livro e artista que recomenda ou admira, cita dezenas. Também eleva a adjetivação ao descrever amigos, como o apresentador José Luiz Datena, ou adversários, como o governador paulista João Doria (PSDB) e seu secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy. Embora senador por Goiás, demonstra conhecer os pleitos do Grande ABC, como o desejo dos prefeitos de rediscutir o pacto federativo.

A que o sr. atribui a grande exposição que o seu mandato, de oito meses, tem obtido na mídia?
Penso o contrário. Acho que tenho pouco espaço na mídia porque boa parte dela não gosta de mim, porque também não gosto dela. Boa parte da mídia, durante 40 anos, chamei-a de corrupta. Comprei várias brigas com redes de televisão. Pedi demissão ao vivo e fui demitido no ar, em rede nacional. Poderia ter muito mais espaço em função de minhas ações neste primeiro ano de mandato. Nunca aconteceu, na história do Senado, em tão pouco tempo, em apenas 153 sessões, alguém apresentar 168 projetos, com conteúdo.

Um dos projetos do sr., aliás, diz respeito ao aumento do percentual de reserva ambiental legal nos imóveis rurais do cerrado. Como o sr. acha que o Brasil cuida do meio ambiente?
Exatamente pelo fato de o Brasil cuidar muitíssimo mal do meio ambiente é que priorizei como tripé de meu mandato a saúde, a educação e o meio ambiente. No Estado de Goiás, a maior beleza natural do Centro-Oeste brasileiro, visitada pelo mundo inteiro, está morrendo. Chama-se Rio Araguaia. Há empresários de São Paulo e de outros lugares que montaram empresas ao lado do rio e retiram, sem exagero, (o equivalente para abastecer) uma Goiânia, cidade de 1,6 milhão de habitantes, de água por dia. O rio está morrendo. O (presidente da República Jair) Bolsonaro errou feio na escolha do ministro do Meio Ambiente (Ricardo Salles).

Uma das principais críticas dos prefeitos é que o pacto federativo tem estrangulado os municípios. Muita responsabilidade sem contrapartida financeira. O sr. acha que é hora de rever o pacto?
Não tem contrapartida. Aproveito para lhe informar em primeira mão a conversa que tive com o ministro (da Economia) Paulo Guedes, que é meu amigo. A contrapartida é zero, o desrespeito é total e, assim que a reforma da Previdência passar, segundo ele, o pacto federativo é a segunda prioridade e ele não abre mão.

O sr. é um entusiasta do que se convencionou chamar de CPI da Lava Toga...
Não gosto de falar Lava Toga. Acho que é pré-julgamento, demonstra revanchismo. Prefiro chamar de CPI do Judiciário Brasileiro. Para mostrar a realidade do Judiciário em todo Brasil. A venda de sentenças. Em uma grande cidade, como Santo André, São Caetano, São Bernardo, ou então lá em Cajuru, onde nasci, que tem 25 mil habitantes. Repito: sem revanchismo. Agora, que vai pegar mais aqui em Brasília, vai. Porque os maiores escândalos do Judiciário estão aqui.

O que mais lhe incomoda no Senado?
Os senadores (risos). Pela falta de preparo. Tenho muita vergonha do Estado de Goiás, que não merecia isso de forma alguma. Goiás teve senador que fez história – Henrique Santillo, já falecido, que foi também ministro da Saúde –, e hoje tem três, (mas) dois deles falam pobrema. Eles usaram a tribuna até hoje três vezes; eu usei 291. Sou campeão de pronunciamentos.

Foi esse cenário desolador que levou-o a dizer que renunciaria ao cargo meses após assumir?
Minha decepção foi com quem trabalha como se fosse jagunço de mídia. Foi feita uma fake news por causa do meu voto sobre o porte de armas. Aprovei para propriedades rurais e casas. E disse, com relação a armas nas ruas: o Brasil vai virar um bangue-bangue se não houver preparo para isso. Especialmente pela potência das armas. Tinha até fuzil! Você imagina um marido ciumento com uma arma dessa na mão, um sujeito embriagado, um psicopata no trânsito. Mas muita gente não entendeu e fui execrado nas redes sociais, por causa de fake news. Aquilo me decepcionou.

Governador de São Paulo, João Doria ameaçou processá-lo por 27 crimes contra a honra – 18 por injúria, seis por difamação e três por calúnia...
Se ele tem 27 crimes contra mim, tenho 27 mil contra ele. O tanto que ele já roubou na vida, como jornalista e político... É só ver os rolos dele com empreiteiras, com esquema. Ele não teve de demitir o diretor do Detran (Departamento Estadual de Trânsito), Maurício Alves? Por quê? Estava tendo escândalo de R$ 2 bilhões em registro de veículos, emplacamento, exames toxicológicos, simuladores... Ele sabia desse escândalo porque o chefe da quadrilha é o secretário de Transportes (Metropolitanos), Alexandre Baldy. O Doria é mitômano. Tem compulsão por mentira. Mente 24 horas por dia. Trabalhei com ele dois anos, na RedeTV! Tinha aquele programa dominical, Show Business. Fazia quatro entrevistas por domingo. Só com gente rica. Ele não entrevistava pobre. Sabe por quê? Ele cobrava por entrevista. Cento e cinquenta mil reais. É um picareta social.

Falando em pessoas que o sr. já conheceu, o Alexandre Baldy...
Esse eu não conheci; só o vi uma vez na minha vida, graças a Deus, e nem quero ver mais. Quando o vi, já saquei quem ele era. Depois, puxei a capivara dele. A partir de agora, se vê-lo de novo, a primeira coisa que vou fazer é colocar as minhas mãos no bolso, para que nada seja retirado. Eu disse como que é (na questão do Detran). É máfia. Em Goiás, esse esquema é comandado por um contraventor, um bicheiro, o (Carlinhos) Cachoeira.

Ele é outro que diz que está processando o sr., por 66 crimes...
Então vou processá-lo por 600 crimes. Porque o que ele já fez no Detran e no Ministério das Cidades dá, no mínimo, 600 crimes. Não tenho medo não. Minha munição é grande – e ainda não mostrei toda.

O sr. disse que entregou ao presidente Jair Bolsonaro algumas gravações que o envolvem. Que gravações são essas?
Gravações que comprovam o escândalo dos Detrans, porque não era um só, e recebimento de propinas no Ministério das Cidades. Quem é esse Alexandre Baldy? São Paulo não conhece. Ele não tinha nem sapato para usar.

O Grande ABC está conhecendo o Baldy. Ele acaba de trocar o projeto do Metrô, substituindo-o pelo BRT, que é corredor de ônibus. Pelo que o sr. sabe, o Metrô não chega?
Pode ter certeza que não. Agora, se chegar, a população do Grande ABC pode ter certeza absoluta: o que vai ter de propina! Coisa de bilhões. Porque não existe negócio com ele sem propina. Não existe ideal na vida dele. O ideal da vida dele é um só:ficar rico.

O sr. tem um grande amigo em São Paulo, o apresentador José Luiz Datena, cujo nome está sendo cotado para ser candidato a prefeito da Capital. Recomenda a via política a ele?
Ele poderia ter sido senador, se quisesse. (Para prefeito) Ganha no primeiro turno. Sonho para que ele venha para a vida pública porque o Brasil ganhará um homem raro. O Datena é o homem mais honesto que conheci. É o único que paga 100% dos impostos todo mês. Tem um coração maior do que ele. Você não tem noção do tanto de gente que o Datena ajuda. É ser humano especial, que ama o social, o próximo. A vida pública precisa de homens assim. Mais do que isso: ele é preparado. É um dos jornalistas mais cultos do Brasil. Misturou polícia com social. O Datena já evitou greve, assassinato, suicídio. No ar, ao vivo. Por causa desse lado dele. Sabe conversar. Sabe como ninguém discutir saúde, educação, cultura, segurança pública. Tem respeito pelo meio ambiente. Não podemos perder um homem como esse. Tomara que São Paulo entenda a importância de eleger um homem como esse ao invés de eleger um picareta social como o João Doria.

Impossível conversar com o sr. sem falar em esporte. Enquanto jornalista, foi grande crítico da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). O atual presidente, Rogério Caboclo, é o alvo da CPI do Esporte que o sr. propôs?
Não é o alvo. É o esporte em geral. Tem de investigar o Comitê Olímpico Brasileiro – é uma CBF, as federações de futebol do Brasil, as confederações de esportes amadores. Não é uma CPI da CBF. A CBF fatura bilhões e, como é empresa privada, não presta contas a ninguém. É absurdo. A Seleção Brasileira é patrimônio do povo, então a CBF tinha de prestar contas do que ela arrecada, do que ela faz com esse dinheiro. Qual é a destinação desses bilhões? O Caboclo mandou dizer para mim que a CBF mudou. Mentira. O que mudou? Só a coleira. Os cachorros são os mesmos.

Por que, a despeito de o sr. já possuir as assinaturas para instaurá-la, a CPI não anda?
Porque a CBF chegou no presidente do Senado (Davi Alcolumbre) e fez pressão nele. Pressionou-o e pressionou o governo. Pressão tem quantos esses? Dois. E ‘s’ significa o quê também? Cifrão. Por exemplo, o Supremo. Como é que pressiona para não ter a CPI da Toga? Ameaçando os políticos que têm processo lá. O presidente do Senado tinha duas investigações contra ele. Foram arquivadas. Daí ele deu a palavra ao presidente (do STF) Dias Toffoli de que não permitiria a CPI, que iria engavetá-la. Como de fato está engavetando.

Qual sua avaliação da administração do presidente Jair Bolsonaro? Gostou do discurso dele na ONU (Organização das Nações Unidas)?
O discurso não foi dele, foi feito a oito mãos. Mas isso é bom, demonstra que tem boa assessoria. Foi um discurso muito bem- feito, indiscutivelmente. Ele tem uma vantagem que poucos têm: é bem intencionado. Não rouba e, na minha opinião, não deixa roubar. Eu sei porque, quando fiquei duas horas e cinco minutos na sala dele, em que levei tudo do Detran e do Denatran, todo o esquema, ele chamou o ministro Sérgio Moro (Justiça), o ministro Tarcísio (Gomes de Freitas, Infraestrutura), o delegado da Polícia Federal (Maurício Valeixo), lado a lado comigo, e disse: “Pode pegar quem quiser aqui, não quero nem saber quem vai pegar. Seja quem for, pode começar a investigação”. Começou a investigação, o primeiro que pegaram quem foi? O diretor do Detran de São Paulo, Maurício Alves. Vai chegar no Baldy. 

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