Ruslan leva seu equipamento para a calçada da rua Santa Catarina, em São Caetano, e monta a banquinha de CDs. Lá, toca violino e vende os discos, gravados em casa, por R$ 10. A vida de marreteiro não é por uma necessidade financeira. “Minha intenção é levar alegria às pessoas, ver as reações, atender aos pedidos. Às vezes, toco a mesma música umas quatro vezes”, diz o artista.
Pelo menos uma vez por semana, o violinista cumpre essa rotina por conta própria. Nesta sexta, ele estará na mesma rua entre 11h e 13h. Mas Ruslan também cumpre um compromisso com a Prefeitura de São Caetano. Ele foi contratado para fazer apresentações pelo projeto Arte na Rua. Só este mês serão 16 shows. Dois deles já aconteceram: quarta no asilo Grupo da Luz, e nesta quinta na rua Santa Catarina.
O contrato vai até dezembro e, por conta dele, Ruslan interromperá as apresentações que faz regularmente aos fins de semana em Águas de Lindóia, interior de São Paulo. “Lá tem bastante turistas, que sempre pedem músicas da minha terra natal”, afirma.
Por conta desses pedidos, o artista já planeja a gravação de seu décimo CD. “Terá 18 músicas eslavas”, diz. Os outros discos são de canções românticas, temas de cinema, samba e bolero, entre outras.
Além de levar de casa todo o equipamento, o próprio Ruslan o instala. Ele toca o violino sobre o acompanhamento em play-back. O público, normalmente apressado, apenas passa e dá uma olhada. Alguns param e apreciam por alguns minutos. Outros até fazem comentários, como “olha lá, ele toca com sentimento” ou “essa é boa”. A maioria das observações é de quem não esta acostumado com esse tipo de som. “As pessoas são carentes de boa música”, afirma Ruslan.
Há um outro motivo especial para o artista levar adiante o prazer de tocar. “Me sinto substituindo meu grande amigo (polonês) Henry Polank, com quem aprendi a tocar violino. Ele morreu há três anos, em Curitiba (PR), mas sinto ele sempre perto de mim”, diz.
O ucraniano mantém a academia Ballet Ruslan, em Santo André, desde 1962. Até hoje é um dos professores. Uma de suas ilustres ex-alunas é a andreense Lucélia Santos, que enveredou para a carreira de atriz. Como bailarino e coreógrafo, já recebeu mais de uma centena de prêmios.
Atualmente, a atividade tem um forte lado beneficente, e a próxima exibição com esse caráter acontecerá dia 21 deste mês, no Teatro do Instituto Coração de Jesus, em Santo André. Ruslan sobe ao palco com o violino e seus alunos. “Mostraremos um espetáculo que mistura música e balé. Uma das coreografias é O Nordestino, para a qual toco músicas nordestinas. No final, eu também danço uma música folclórica da minha terra”, afirma.
A arte em sua vida surgiu por extensão das atividades do pai, o cantor de ópera, diretor e ator de cinema Stanislaw Gawriljuk. Ruslan começou no balé aos 15 anos. Ensinou aos filhos os primeiros passos de dança e, hoje, uma delas, Helena, é coordenadora da Ballet Ruslan.
Outro filho, Douglas, mora há 11 anos em Miami, nos Estados Unidos, com a mulher Marifé Giménez. O casal é do corpo de bailarinos da Maximum Dance Company, que este mês faz miniturnê pela Hungria.
“É a terceira geração de artistas na família, e isso é uma alegria muito grande para mim. Agora, tenho cinco netos, vamos ver se algum segue este caminho”, diz Ruslan.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.