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Médico do Hospital Municipal de Diadema é afastado por injúria racial

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Profissional teria declarado que técnica de enfermagem merecia 'levar chibatadas'; caso está no 2ºDP


Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

15/08/2019 | 11:27


O médico Sergio Marciano Leme, que atua na maternidade do HM (Hospital Municipal de Diadema), foi afastado das suas funções após denúncia de injúria racial contra a técnica de enfermagem Maria de Lourdes Teodoro dos Santos, 61 anos. Na última segunda-feira (12), Maria de Lourdes pediu que um formulário fosse reimpresso para que ela pudesse preenchê-lo novamente, já que o anterior continha uma rasura. Na frente de outros profissionais, o médico então disse "essa nega (sic)'' merece levar 50 chibatadas." Indignada, a técnica de enfermagem respondeu que "os tempos são outros", mas Leme deixou o local.

Ao longo do dia, a direção do hospital foi informada do ocorrido e garantiu à Maria de Lourdes que o médico seria afastado, mas tentaram dissuadi-la de registrar queixa, porque com a saída do profissional, "a maternidade poderia ter que ser fechada". A técnica de enfermagem foi incentivada por uma colega a não abafar o caso e então ligou para a filha, a ialorixá Janaína Teodoro, 39. "Imediatamente fui encontrá-la para registramos a ocorrência. Queria inclusive já registrar no Decradi (Delegacias de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), mas por conta de uma operação em curso, eles só poderiam atendê-la no dia seguinte. Então viemos à delegacia mais próxima", relatou.

O BO (boletim de ocorrência) foi registrado no 2º DP (Piraporinha) como injúria racial consumada. "Queria que tivesse sido registrado como racismo, mas o delegado explicou que nesse momento, seria esse o registro, mas que ao longo do processo, poderia ser alterado", completou. A professora e especialista em Direito das Diversidades, Ingrid Limeira explicou que, em linhas gerais, o crime de racismo se configura quando a ofensa atinge um colegiado, em questões de raça, orientação sexual e gênero. A injúria racial, por sua vez, tem um caráter mais personalizado. "Como a ofensa foi essa negra, especificamente contra ela, é classificado como injúria racial", pontuou. 

Janaína relatou que a mãe está muito abalada e que esse não foi o primeiro episódio racista de que foi vítima ao longo da vida. "Ninguém merece isso. Ela é uma senhora, não é como as pessoas mais jovens que ainda conseguem enfrentar essa situação", declarou. "Vou até o fim com esse caso para que esse médico ao menos seja exonerado do cargo público. Não é possível que a gente continue mantendo, com os nossos impostos, um racista atendendo ao público", concluiu. Maria de Lourdes teve uma crise de ansiedade na manhã de ontem e está afastada, por três dias, de suas atividades profissionais. "Ela ama trabalhar na maternidade, mas está sentindo que ali não é o seu lugar", finalizou a filha.

A Prefeitura de Diadema informou que o caso foi encaminhado para apuração junto à comissão de ética médica do serviço e um processo administrativo disciplinar foi aberto. "O médico foi afastado das suas atividades assistenciais, já assumidas por outro profissional. A Prefeitura de Diadema não compactua com o ocorrido e toma todas as medidas cabíveis com relação ao caso", relatou em nota. A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa do acusado.



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Médico do Hospital Municipal de Diadema é afastado por injúria racial

Profissional teria declarado que técnica de enfermagem merecia 'levar chibatadas'; caso está no 2ºDP

Aline Melo
Do Diário do Grande ABC

15/08/2019 | 11:27


O médico Sergio Marciano Leme, que atua na maternidade do HM (Hospital Municipal de Diadema), foi afastado das suas funções após denúncia de injúria racial contra a técnica de enfermagem Maria de Lourdes Teodoro dos Santos, 61 anos. Na última segunda-feira (12), Maria de Lourdes pediu que um formulário fosse reimpresso para que ela pudesse preenchê-lo novamente, já que o anterior continha uma rasura. Na frente de outros profissionais, o médico então disse "essa nega (sic)'' merece levar 50 chibatadas." Indignada, a técnica de enfermagem respondeu que "os tempos são outros", mas Leme deixou o local.

Ao longo do dia, a direção do hospital foi informada do ocorrido e garantiu à Maria de Lourdes que o médico seria afastado, mas tentaram dissuadi-la de registrar queixa, porque com a saída do profissional, "a maternidade poderia ter que ser fechada". A técnica de enfermagem foi incentivada por uma colega a não abafar o caso e então ligou para a filha, a ialorixá Janaína Teodoro, 39. "Imediatamente fui encontrá-la para registramos a ocorrência. Queria inclusive já registrar no Decradi (Delegacias de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), mas por conta de uma operação em curso, eles só poderiam atendê-la no dia seguinte. Então viemos à delegacia mais próxima", relatou.

O BO (boletim de ocorrência) foi registrado no 2º DP (Piraporinha) como injúria racial consumada. "Queria que tivesse sido registrado como racismo, mas o delegado explicou que nesse momento, seria esse o registro, mas que ao longo do processo, poderia ser alterado", completou. A professora e especialista em Direito das Diversidades, Ingrid Limeira explicou que, em linhas gerais, o crime de racismo se configura quando a ofensa atinge um colegiado, em questões de raça, orientação sexual e gênero. A injúria racial, por sua vez, tem um caráter mais personalizado. "Como a ofensa foi essa negra, especificamente contra ela, é classificado como injúria racial", pontuou. 

Janaína relatou que a mãe está muito abalada e que esse não foi o primeiro episódio racista de que foi vítima ao longo da vida. "Ninguém merece isso. Ela é uma senhora, não é como as pessoas mais jovens que ainda conseguem enfrentar essa situação", declarou. "Vou até o fim com esse caso para que esse médico ao menos seja exonerado do cargo público. Não é possível que a gente continue mantendo, com os nossos impostos, um racista atendendo ao público", concluiu. Maria de Lourdes teve uma crise de ansiedade na manhã de ontem e está afastada, por três dias, de suas atividades profissionais. "Ela ama trabalhar na maternidade, mas está sentindo que ali não é o seu lugar", finalizou a filha.

A Prefeitura de Diadema informou que o caso foi encaminhado para apuração junto à comissão de ética médica do serviço e um processo administrativo disciplinar foi aberto. "O médico foi afastado das suas atividades assistenciais, já assumidas por outro profissional. A Prefeitura de Diadema não compactua com o ocorrido e toma todas as medidas cabíveis com relação ao caso", relatou em nota. A reportagem ainda não conseguiu contato com a defesa do acusado.

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