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Dólar fecha acima de R$ 4 pela 1ª vez desde maio com temor de recessão mundial



14/08/2019 | 17:55


A trégua no mercado de câmbio na terça-feira durou pouco. Após cair a R$ 3,94 na mínima da terça-feira, o dólar subiu 1,79% nesta quarta - maior alta porcentual desde 27 de março - e fechou em R$ 4,0388 - valor mais alto desde 23 de maio. Indicadores fracos da atividade econômica na China e na Alemanha renovaram preocupações com a perda de fôlego da economia mundial e provocaram forte fuga de ativos de risco no mercado financeiro mundial. Nos Estados Unidos, a inversão da curva dos rendimentos do títulos de 2 e 10 anos do Tesouro, mecanismo que historicamente não costuma falhar em prever recessões na maior economia do mundo, adicionou ainda mais preocupação nas mesas de operação em Wall Street. No mês, o dólar já acumula alta de 5,7%.

No mercado local, as mesas de câmbio monitoraram ainda a situação da Argentina, que teve novo dia de intervenções do Banco Central no câmbio, que não evitaram nova disparada de 8% da moeda americana no país vizinho. Os estrategistas do banco dinamarquês Danske Bank Jakob Ekholdt Christensen e Vladimir Miklashevsky avaliam que a Argentina pode seguir tendo algum contágio no Brasil, pela proximidade, mas o que vai pesar mesmo no apetite ao risco dos investidores e nos mercados de moedas emergentes, incluindo o real, é o desenrolar da relação comercial China/Estados Unidos, a situação da economia mundial e os rumos da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Nesta quarta o que pesou mais foi o segundo destes fatores, o estado da economia mundial. O dólar abriu em alta aqui e seguiu assim o dia todo, com investidores aumentando posições defensivas no mercado futuro. Só nos últimos cinco dias, os estrangeiros aumentaram apostas contra o real, em posições compradas na B3, em US$ 1,7 bilhão. Na mesma estratégia, os fundos de investimento reduziram posições vendidas (que apostam na queda do dólar) em US$ 1,6 bilhão.

"Os números econômicos chineses vieram muito ruins e provocaram forte reação negativa e os investidores compraram dólar", ressalta o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem. Por isso, enquanto esse impasse comercial não for resolvido, o dólar pode testar níveis ainda mais altos. Apesar do nervosismo, ele observa que não houve problema de liquidez no mercado. A taxa do dólar casado (a diferença entre o dólar à vista e o futuro) caiu a 5,70 pontos, mas seguindo dentro do padrão de normalidade do mercado.

Com o "tsunami de números negativos" vindos do exterior, o chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, observa que o noticiário local positivo, como a aprovação da MP Liberdade Econômica, não conseguiu reverter o movimento de compra de dólares. O Ibovespa caiu quase 3%, com as vendas de ações por investidores estrangeiros pressionando ainda mais o câmbio.



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Dólar fecha acima de R$ 4 pela 1ª vez desde maio com temor de recessão mundial


14/08/2019 | 17:55


A trégua no mercado de câmbio na terça-feira durou pouco. Após cair a R$ 3,94 na mínima da terça-feira, o dólar subiu 1,79% nesta quarta - maior alta porcentual desde 27 de março - e fechou em R$ 4,0388 - valor mais alto desde 23 de maio. Indicadores fracos da atividade econômica na China e na Alemanha renovaram preocupações com a perda de fôlego da economia mundial e provocaram forte fuga de ativos de risco no mercado financeiro mundial. Nos Estados Unidos, a inversão da curva dos rendimentos do títulos de 2 e 10 anos do Tesouro, mecanismo que historicamente não costuma falhar em prever recessões na maior economia do mundo, adicionou ainda mais preocupação nas mesas de operação em Wall Street. No mês, o dólar já acumula alta de 5,7%.

No mercado local, as mesas de câmbio monitoraram ainda a situação da Argentina, que teve novo dia de intervenções do Banco Central no câmbio, que não evitaram nova disparada de 8% da moeda americana no país vizinho. Os estrategistas do banco dinamarquês Danske Bank Jakob Ekholdt Christensen e Vladimir Miklashevsky avaliam que a Argentina pode seguir tendo algum contágio no Brasil, pela proximidade, mas o que vai pesar mesmo no apetite ao risco dos investidores e nos mercados de moedas emergentes, incluindo o real, é o desenrolar da relação comercial China/Estados Unidos, a situação da economia mundial e os rumos da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Nesta quarta o que pesou mais foi o segundo destes fatores, o estado da economia mundial. O dólar abriu em alta aqui e seguiu assim o dia todo, com investidores aumentando posições defensivas no mercado futuro. Só nos últimos cinco dias, os estrangeiros aumentaram apostas contra o real, em posições compradas na B3, em US$ 1,7 bilhão. Na mesma estratégia, os fundos de investimento reduziram posições vendidas (que apostam na queda do dólar) em US$ 1,6 bilhão.

"Os números econômicos chineses vieram muito ruins e provocaram forte reação negativa e os investidores compraram dólar", ressalta o responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem. Por isso, enquanto esse impasse comercial não for resolvido, o dólar pode testar níveis ainda mais altos. Apesar do nervosismo, ele observa que não houve problema de liquidez no mercado. A taxa do dólar casado (a diferença entre o dólar à vista e o futuro) caiu a 5,70 pontos, mas seguindo dentro do padrão de normalidade do mercado.

Com o "tsunami de números negativos" vindos do exterior, o chefe da mesa de câmbio da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, observa que o noticiário local positivo, como a aprovação da MP Liberdade Econômica, não conseguiu reverter o movimento de compra de dólares. O Ibovespa caiu quase 3%, com as vendas de ações por investidores estrangeiros pressionando ainda mais o câmbio.

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