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Reforma da Previdência freia admissões na indústria

EBC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Em janeiro, foram gerados 100 postos, volume 84% menor do que o total criado um ano atrás


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

16/02/2019 | 07:13


Apesar de fechar no azul, com a geração de 100 postos de trabalho em janeiro, os números do emprego na indústria tiveram queda de 84,62% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram preenchidas 650 vagas. Além disso, o saldo (contratações menos demissões) dos últimos 12 meses ainda é bastante negativo, ao acumular o fechamento de 3.700 oportunidades no setor. Para especialistas, o segmento está em compasso de espera da aprovação da reforma da Previdência, uma vez que ela é vista como crucial para que os investimentos e as contratações aconteçam.

Os dados foram compilados pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e divulgados ontem pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O maior número de demissões aconteceu na regional de Santo André – que também inclui Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra – que registrou o fechamento de 150 postos no mês passado, seguida por São Caetano, que encerrou 50. Já São Bernardo teve o maior número de contratações, com 250.

De acordo com o diretor do Ciesp Diadema, Anuar Dequech Júnior, apenas depois da aprovação da reforma da Previdência os números devem melhorar. “Ela é que vai retomar todo o processo (de crescimento e contratação). Muitos empresários, inclusive de fora, estão aguardando a reforma para ver se vão trazer dinheiro para cá. Caso ela não seja aprovada todo o setor vai sofrer muito”, afirmou.

Um dos projetos considerados pela equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro (PSL) para a Previdência é o modelo de capitalização. Caso seja aprovado, é o trabalhador quem vai arcar com o valor do seu benefício, em uma conta privada. Com isso, há possibilidade de que a participação do pagamento das empresas, que atualmente é de 20%, seja reduzido ou até mesmo extinto.

“Haverá uma diminuição do peso deste pagamento para as indústrias. E, tirando isso, as empresas vão conseguir empregar mais. Atualmente, quando um trabalhador é contratado, os gastos com INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e outras questões, como o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), fazem com que o valor do salário pago praticamente dobre”, afirmou Dequech.

Anteontem, foi anunciada proposta da Previdência que sugere idade mínima para se aposentar de 62 anos para mulheres e 65 para homens. A expectativa é a de que o Congresso vote o projeto até junho (leia mais abaixo).

Em janeiro do ano passado, quando houve 650 contratações, o que representou o melhor saldo para a região em quatro anos e meio, havia expectativa maior para a aceleração da economia, o que não se concretizou no decorrer de 2018. “Neste ano, as empresas ainda não estão sentindo a demanda ou necessidade de contratação. No ano passado, ela existiu em janeiro, com uma consequente tendência de crescimento que foi paralisada por conta da greve dos caminhoneiros (que durou do fim de maio até os primeiros dias de junho) e, a partir desse fato, a expectativa despencou. Em outubro, após a definição de novo governo, houve recuperação da confiança, mas isso ainda não é refletido no faturamento das empresas ou nas contratações, apesar de a expectativa ser positiva. Existe tendência de melhora do ambiente, mas ainda não houve consolidação”, avaliou o diretor do Ciesp de São Bernardo, Mauro Miaguti.

Apesar disso, Miaguti aponta que o setor ainda sente falta de direcionamento no novo governo, principalmente em relação às reformas previstas. “É preciso avançar na questão da reforma tributária, que vai trazer injeção de ânimo no mercado quando for colocada em prática, e também na previdenciária, que já é muito esperada e vai nos dar estabilidade futura”, destacou.


Proposta deve ser votada em junho, diz Maia

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ontem acreditar que o projeto da reforma da Previdência estará pronto para ser votado no início de junho. “Se olharmos a tramitação da proposta do ex-presidente (Michel) Temer (MDB), mais ou menos no mesmo prazo, vai dar ali no início de junho”, avaliou o presidente da Casa. “O que vai ser construído como solução vai depender da nossa capacidade de diálogo. O que eu acho mais importante, e que não tinha visto, é que os governadores querem sentar na mesa e construir um texto”, prosseguiu.

Eleito pelo mercado e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, como o articulador da reforma, Maia também voltou a afirmar que vai se encontrar com o secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, neste fim de semana, para debater a matéria.

“Vou dar a minha opinião sobre alguns temas que a gente precisa ter cuidado no encaminhamento à Câmara dos Deputados. Aposentadoria rural e BPC (Benefício de Prestação Continuada) são temas que para fazer qualquer mudança tem de ser muito bem pensados e muito bem explicados”, disse.

Maia voltou a defender a necessidade de se aprovar prioritariamente a reforma da Previdência como uma forma também de ajudar os Estados saírem das crises econômicas em que se encontram. “Se você não fizer a reforma que organiza despesas primeiro, na hora que for fazer a reforma tributária vai acabar sendo mais receita para o Estado e mais prejuízo para a sociedade.”

Dirigentes de centrais sindicais farão assembleia nacional, na quarta-feira, em São Paulo, em defesa da Previdência Social. O ato, na Praça da Sé, terá a presença de diversas categorias, e, de acordo com os dirigentes, vai marcar a retomada da luta contra a supressão de direitos. Existe o receio de que o projeto que Bolsonaro enviará ao Congresso seja muito duro, como sinalizam informações divulgadas ontem.

“Essa luta precisa ser de toda a sociedade e não apenas dos trabalhadores com carteira assinada”, argumenta João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical. O presidente da Central, Miguel Torres, afirma que a Previdência é patrimônio dos brasileiros. “Entendemos que quaisquer mudanças devam ser amplamente discutidas com a sociedade e os representantes dos trabalhadores de forma democrática e transparente.” 



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