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Uma em cada dez mulheres que dão à luz na região é adolescente

André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Especialistas defendem atuação governamental para redução dos índices entre as sete cidades


Aline Melo

19/11/2018 | 07:00


 De cada dez mulheres que deram à luz no Grande ABC em 2017, ao menos uma tinha idade entre 15 e 19 anos – em 2017, nasceram 35.609 bebês na região. Apesar da ocorrência de gravidez na adolescência nesta faixa etária ter caído em dez anos, o tema ainda precisa de atenção do poder público, avaliam especialistas.

De acordo com dados da Pesquisa de Registro Civil do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), considerando todos os nascimentos de 2007 no Grande ABC, 13,20% das mães tinham entre 15 e 19 anos. A proporção caiu para 9,95% no ano passado.

Entre as cidades, todos os municípios apresentaram queda na proporção, com exceção de Rio Grande da Serra. No outro extremo, São Caetano tem o menor índice de mães adolescentes e também apresenta a maior queda no período. O coordenador do Instituto de Pesquisas da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Leandro Prearo, destaca que as questões socioeconômicas estão diretamente ligadas ao fenômeno. “Quanto melhor o nível educacional e financeiro das pessoas, mais haverá planejamento e cuidados com a natalidade”, citou.

O coordenador médico do Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) de São Caetano, Mauricy Chinaglia Bonaparte, atribui os números da cidade à oferta de serviços de Saúde para as adolescentes, bem como a realização de palestras nas escolas sobre sexualidade e planejamento familiar. “Temos ambulatório especializado, o Usca (Unidade da Criança e do Adolescente) e, dentro do Caism, existe profissional que atende apenas jovens com menos de 20 anos”, explicou. Na avaliação do profissional, facilitar o acesso aos métodos contraceptivos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) é fundamental para evitar a situação.

Prearo afirma que há alguns anos era possível atribuir a gravidez na adolescência à falta de informação e/ou à falta de acesso aos métodos anticoncepcionais. Atualmente, essa não é mais a realidade. “Os números do Grande ABC são até melhores do que os nacionais (no Brasil, 16% dos bebês nasceram de mães com idade entre 15 e 19 anos no ano passado)”, opinou.

Para o coordenador, os governos deveriam adotar ações semelhantes às que são utilizadas pelo Ministério da Saúde no combate ao fumo, com ilustrações e fotos chocantes em maços de cigarro. “É preciso que as pessoas sejam confrontadas com as consequências de uma gravidez não planejada na adolescência, como dificuldades para se formar e estabelecer carreira.”

As consequências também são citadas pelo professor titular da disciplina de Saúde Sexual, Reprodutiva e Genética Populacional da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Caio Parente Barbosa, que avalia como pequena a queda na proporção de partos entre mulheres de 15 a 19 anos. “Nessa idade, aumenta a chance de ter sido uma gestação não planejada, que pode implicar em série de restrições e até perpetuar ciclo de pobreza”, pontuou. “Ainda existem falhas importantes no planejamento familiar e na educação sexual dessas meninas”, concluiu.

Para Prearo, as ações não devem se concentrar apenas em abordagens em escolas. “As redes sociais são um campo vasto para atingir essas meninas”, apontou.

Nascimento da filha fez fotógrafa optar pelo ensino a distância
A fotógrafa Giulia Ribeiro Taveira, 21 anos, moradora de Santo André, tinha 19 anos quando deu à luz Cecília, em setembro do ano passado. A gravidez trouxe mudança de vida. Além de ir morar com o namorado, o consultor Matheus Oliveira Silva, 22, na casa da sogra, ela trocou a graduação presencial pelo ensino a distância.

Na época em que engravidou, Giulia cursava o segundo ano de Ciências Sociais. Menos de um ano depois, ela voltou a estudar no sistema de ensino à distância. “Não teria condições de conciliar um curso presencial com os cuidados da bebê”, reconheceu.

Após a maternidade, a jovem se aprofundou em atividade que praticava por hobbie – a fotografia. Ela atua no registro de momentos familiares. “Não tinha experiência profissional, e acabei mudando minha área de atuação”, pontuou ela, que planeja se mudar para casa própria no ano que vem. “Vamos ter que começar do zero”, detalhou Giulia, que não pensa em ter outros filhos.

Prefeituras destacam atuação junto ao público jovem
Cinco das sete cidades destacaram ações junto aos jovens com o intuito de conscientizar sobre temas diversos, entre eles a gravidez precoce.

Santo André relatou que todas as unidades de Saúde contam com programação voltada à prevenção e orientação deste público por meio de grupos de planejamento familiar. “No Hospital da Mulher, as equipes oferecem informação de educação em Saúde, além de acompanhamento com psicóloga e assistente social.”

Em São Bernardo, a Secretaria de Saúde realiza, nas 34 UBSs, grupos de apoio com os adolescentes. São discutidos temas como saúde reprodutiva e sexual, gravidez na adolescência, paternidade e maternidade responsável e a importância do uso do preservativo em todas as relações sexuais. A rede disponibiliza preservativos masculinos e femininos gratuitamente e em livre demanda.

São Caetano afirmou que dispõe do programa Saúde na Escola, com profissionais que visitam as unidades escolares para orientar os jovens sobre diversos temas. “Quando identificado caso que requeira maior atenção, este é encaminhado ao ambulatório do Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) para receber as devidas orientações e atendimento médico especializado”, relatou em nota.

A Prefeitura de Mauá informou que, nas UBSs, há serviços para planejamento familiar, além de informações sobre sexualidade e doenças sexualmente transmissíveis. “Nas visitas domiciliares, também são abordadas a compreensão da psicodinâmica familiar, a discussão e o acompanhamento de casos complexos. São ofertados atendimento multidisciplinar, psicossocial, grupos e articulação intersetorial com os equipamentos que trabalham com crianças e adolescentes.” A cidade também realiza, por meio do Programa de Saúde na Escola, palestras e orientações sexuais com os alunos. Todas as unidades de Saúde do município também disponibilizam gratuitamente preservativos (masculinos e femininos).

Em Ribeirão Pires, ações de prevenção à gravidez não planejada são realizadas nas unidades da atenção básica por equipe multidisciplinar. “A rede municipal faz a busca ativa de famílias com adolescentes, oferecendo informações sobre os serviços disponíveis nas UBSs e aproximando esse público das unidades, onde estão disponíveis preservativos e métodos contraceptivos. As equipes também orientam os moradores na faixa etária sobre a importância da prevenção às infecções sexualmente transmissíveis.”

Diadema e Rio Grande não informaram as ações realizadas sobre o tema até o fechamento desta edição.



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Uma em cada dez mulheres que dão à luz na região é adolescente

Especialistas defendem atuação governamental para redução dos índices entre as sete cidades

Aline Melo

19/11/2018 | 07:00


 De cada dez mulheres que deram à luz no Grande ABC em 2017, ao menos uma tinha idade entre 15 e 19 anos – em 2017, nasceram 35.609 bebês na região. Apesar da ocorrência de gravidez na adolescência nesta faixa etária ter caído em dez anos, o tema ainda precisa de atenção do poder público, avaliam especialistas.

De acordo com dados da Pesquisa de Registro Civil do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), considerando todos os nascimentos de 2007 no Grande ABC, 13,20% das mães tinham entre 15 e 19 anos. A proporção caiu para 9,95% no ano passado.

Entre as cidades, todos os municípios apresentaram queda na proporção, com exceção de Rio Grande da Serra. No outro extremo, São Caetano tem o menor índice de mães adolescentes e também apresenta a maior queda no período. O coordenador do Instituto de Pesquisas da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Leandro Prearo, destaca que as questões socioeconômicas estão diretamente ligadas ao fenômeno. “Quanto melhor o nível educacional e financeiro das pessoas, mais haverá planejamento e cuidados com a natalidade”, citou.

O coordenador médico do Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) de São Caetano, Mauricy Chinaglia Bonaparte, atribui os números da cidade à oferta de serviços de Saúde para as adolescentes, bem como a realização de palestras nas escolas sobre sexualidade e planejamento familiar. “Temos ambulatório especializado, o Usca (Unidade da Criança e do Adolescente) e, dentro do Caism, existe profissional que atende apenas jovens com menos de 20 anos”, explicou. Na avaliação do profissional, facilitar o acesso aos métodos contraceptivos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) é fundamental para evitar a situação.

Prearo afirma que há alguns anos era possível atribuir a gravidez na adolescência à falta de informação e/ou à falta de acesso aos métodos anticoncepcionais. Atualmente, essa não é mais a realidade. “Os números do Grande ABC são até melhores do que os nacionais (no Brasil, 16% dos bebês nasceram de mães com idade entre 15 e 19 anos no ano passado)”, opinou.

Para o coordenador, os governos deveriam adotar ações semelhantes às que são utilizadas pelo Ministério da Saúde no combate ao fumo, com ilustrações e fotos chocantes em maços de cigarro. “É preciso que as pessoas sejam confrontadas com as consequências de uma gravidez não planejada na adolescência, como dificuldades para se formar e estabelecer carreira.”

As consequências também são citadas pelo professor titular da disciplina de Saúde Sexual, Reprodutiva e Genética Populacional da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Caio Parente Barbosa, que avalia como pequena a queda na proporção de partos entre mulheres de 15 a 19 anos. “Nessa idade, aumenta a chance de ter sido uma gestação não planejada, que pode implicar em série de restrições e até perpetuar ciclo de pobreza”, pontuou. “Ainda existem falhas importantes no planejamento familiar e na educação sexual dessas meninas”, concluiu.

Para Prearo, as ações não devem se concentrar apenas em abordagens em escolas. “As redes sociais são um campo vasto para atingir essas meninas”, apontou.

Nascimento da filha fez fotógrafa optar pelo ensino a distância
A fotógrafa Giulia Ribeiro Taveira, 21 anos, moradora de Santo André, tinha 19 anos quando deu à luz Cecília, em setembro do ano passado. A gravidez trouxe mudança de vida. Além de ir morar com o namorado, o consultor Matheus Oliveira Silva, 22, na casa da sogra, ela trocou a graduação presencial pelo ensino a distância.

Na época em que engravidou, Giulia cursava o segundo ano de Ciências Sociais. Menos de um ano depois, ela voltou a estudar no sistema de ensino à distância. “Não teria condições de conciliar um curso presencial com os cuidados da bebê”, reconheceu.

Após a maternidade, a jovem se aprofundou em atividade que praticava por hobbie – a fotografia. Ela atua no registro de momentos familiares. “Não tinha experiência profissional, e acabei mudando minha área de atuação”, pontuou ela, que planeja se mudar para casa própria no ano que vem. “Vamos ter que começar do zero”, detalhou Giulia, que não pensa em ter outros filhos.

Prefeituras destacam atuação junto ao público jovem
Cinco das sete cidades destacaram ações junto aos jovens com o intuito de conscientizar sobre temas diversos, entre eles a gravidez precoce.

Santo André relatou que todas as unidades de Saúde contam com programação voltada à prevenção e orientação deste público por meio de grupos de planejamento familiar. “No Hospital da Mulher, as equipes oferecem informação de educação em Saúde, além de acompanhamento com psicóloga e assistente social.”

Em São Bernardo, a Secretaria de Saúde realiza, nas 34 UBSs, grupos de apoio com os adolescentes. São discutidos temas como saúde reprodutiva e sexual, gravidez na adolescência, paternidade e maternidade responsável e a importância do uso do preservativo em todas as relações sexuais. A rede disponibiliza preservativos masculinos e femininos gratuitamente e em livre demanda.

São Caetano afirmou que dispõe do programa Saúde na Escola, com profissionais que visitam as unidades escolares para orientar os jovens sobre diversos temas. “Quando identificado caso que requeira maior atenção, este é encaminhado ao ambulatório do Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) para receber as devidas orientações e atendimento médico especializado”, relatou em nota.

A Prefeitura de Mauá informou que, nas UBSs, há serviços para planejamento familiar, além de informações sobre sexualidade e doenças sexualmente transmissíveis. “Nas visitas domiciliares, também são abordadas a compreensão da psicodinâmica familiar, a discussão e o acompanhamento de casos complexos. São ofertados atendimento multidisciplinar, psicossocial, grupos e articulação intersetorial com os equipamentos que trabalham com crianças e adolescentes.” A cidade também realiza, por meio do Programa de Saúde na Escola, palestras e orientações sexuais com os alunos. Todas as unidades de Saúde do município também disponibilizam gratuitamente preservativos (masculinos e femininos).

Em Ribeirão Pires, ações de prevenção à gravidez não planejada são realizadas nas unidades da atenção básica por equipe multidisciplinar. “A rede municipal faz a busca ativa de famílias com adolescentes, oferecendo informações sobre os serviços disponíveis nas UBSs e aproximando esse público das unidades, onde estão disponíveis preservativos e métodos contraceptivos. As equipes também orientam os moradores na faixa etária sobre a importância da prevenção às infecções sexualmente transmissíveis.”

Diadema e Rio Grande não informaram as ações realizadas sobre o tema até o fechamento desta edição.

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