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Boxe feminino luta para não ir à lona

Henrique Munhos Especial para o Diário
19/06/2011 | 07:03
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O boxe feminino entrou no programa olímpico - estreia nos Jogos de Londres/2012 - e, consequentemente, fará parte do Pan de Guadalajara (México), em outubro. Mesmo assim, a modalidade ainda luta para não ir à lona.

Que o diga as irmãs Letícia e Larissa Rojo, de São Bernardo. Ambas sentem na pele a falta de patrocinadores, têm dificuldade de conseguir lutas rentáveis e são obrigadas a trabalhar em outra profissão.

Letícia tem 28 anos e está há mais tempo no pugilismo do que sua irmã, que tem 23. Profissional desde 2006, a lutadora convive com a indiferença desde então. "Nunca tive nenhum apoio, seja por parte do governo ou de empresas privadas. É vergonhoso. Nos outros países, os lutadores são muito mais valorizados", afirma.

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A lutadora já disputou o título brasileiro e o mundial. Na luta nacional, a adversária foi a sérvia Duda Yankovich, que está radicada no País desde 2000 e naturalizou-se brasileira. No segundo desafio, a oponente era a uruguaia Chris Namus. Saiu derrotada nos dois desafios.

Além da desvalorização da modalidade, as mulheres ainda são prejudicadas pelo preconceito. "As pessoas só enxergam o lado agressivo. Não conseguem observar a técnica e a parte boa do esporte. O boxe trabalha com todas as capacidades físicas", apontou Letícia.

Larissa também ressalta o preconceito ao falar das dificuldades das boxeadoras. "No Brasil só valorizam o homem. Mesmo no futebol, que é o esporte mais visto e divulgado, as meninas são esquecidas", reclama.

Na luta pela sobrevivência, sobra até para Duda Yankovich, a única boxeadora que atingiu certa fama no País. "Ela contou com muita ajuda. Deve ser porque veio da Sérvia. Para as brasileiras, ninguém olha", dispara Larissa.

 

PAN - O Brasil já garantiu duas vagas no boxe feminino para os Jogos de Guadalajara. Adriana Araujo e Roseli Feitosa conquistaram a classificação no torneio realizado na Venezuela.

 

Irmãs  disputam apenas quatro  lutas por ano

Em uma luta de boxe profissional, as irmãs Letícia e Larissa Rojo ganham entre R$ 1.500 e R$ 2.000. Entretanto, elas competem apenas três ou, no máximo, quatro vezes por ano, em média. Por isso, tiveram de optar por outra profissão para sobreviver.

Ambas são formadas em Educação Física. Letícia dá aula de boxe e Muay Thai em cinco academias de São Bernardo. Larissa tem um estúdio de boxe e é personal trainer. "Se fosse viver só do boxe, teria de sair do País. Aqui é impossível", afirmou Larissa.

O pugilismo tornou-se um complemento da renda, já que 90% do que ganham vem das outras atividades que desempenham.

As duas também lutam Muay Thai. Leticia é bicampeã paulista. Já Larissa está em vias de desistir da modalidade. "Machuca muito e não vale a pena. Não vou subir no ringue, sair toda marcada para ganhar R$ 400", declarou.

Com poucas lutas e falta de apoio para o esporte, as irmãs Rojo vão lutando para sobreviver. Porém, essa batalha é muito maior fora dos ringues.




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