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Companhia Estudo de Cena usa peças para dar outro ponto de vista a histórias conhecidas do País


Miriam Gimenes

14/08/2018 | 07:00


 Apreciar uma obra ou manifestação de arte dá a oportunidade ao público de formar sua opinião sobre o assunto em questão, de maneira subjetiva. O importante nesta troca de informações entre artista/plateia é estar aberto a diferentes pontos de vista, ser portador de uma visão macro. E, de olho neste tipo de ‘espectador’, a Companhia Estudo de Cena apresenta, na quinta-feira e na próxima semana, dois espetáculos – A Farsa da Justiça e Guerras Desconhecidas – na Fafil (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Fundação Santo André).

No projeto Teatro e Memória o grupo aborda parte da história do Brasil pouco contada e convida a população para um encontro de valorização das nossas história e cultura. “O teatro é uma maneira da gente expressar nossa visão de mundo e socializar com o público. A gente (Cia) olha para história do País e a contamos de outro ponto de vista. Ampliamos o debate e convidamos o público a participar da arena política não tão comum”, diz o diretor da Companhia, Diogo Noventa.

O primeiro espetáculo em questão, A Farsa da Justiça, trata do massacre de Eldorado dos Carajás, aconteceu no Sul do estado do Pará, quando um grupo de trabalhadores sem terra interditou a estrada PA-150 em um ato pela reforma agrária, mas foi reprimido pela polícia militar que agiu com violência e matou 19 trabalhadores – depois mais dois morreram no hospital – e deixou 71 feridos. Entre os sobreviventes estava Inácio Pereira, que se fez de morto, foi jogado no caminhão dos corpos e se revelou vivo apenas quando chegou ao Hospital de Eldorado dos Carajás. “Nós fizemos uma adaptação do espetáculo feito para ser apresentado, em 2005, na Marcha da Reforma Agrária, em Brasília. E o massacre foi muito falado na mídia, até internacionalmente, sempre culpabilizando os manifestantes com um ponto de vista mais atrelado aos donos da terra do que os trabalhadores. Nós damos o outro lado”, explica Noventa.

Já o Guerras Desconhecidas, que é apresentado em uma barraca de cena – ambos espetáculos serão no pátio da Fafil – , mostra ao público três guerras brasileiras que não aparecem na história oficial do País: Guerra do Pau-de-Colher (fenômeno messiânico e milenarista ocorrido na Bahia na primeira metade do século 20, que culminou com o massacre de seus participantes), Guerra de São Bonifácio (conflito de 1987 na cidade de Marabá entre os garimpeiros de Serra Pelada e a Polícia Militar do Pará) e Guerra do Quintino Gatilheiro (conflito se dá entre posseiros de terras e a empresa privada Cidapar (Companhia de Agropecuário, Industrial e Mineral do Pará).

A Farsa da Justiça e Guerras Desconhecidas – Teatro. Na Fafil – Avenida Príncipe de Gales, 281. Dia 16, às 19h30 e dia 22, às 22h30. Gratuito.



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