André Henriques/DGABC

Um homem morreu na manhã de ontem em uma agência do banco Bradesco, na Avenida Marechal Deodoro, em São Bernardo, depois de se desentender com um segurança. O fiscal Sandro Antônio Cordon, 33 anos, levou quatro tiros. A versão do desentendimento foi confirmada pela polícia.
Tudo começou quando a vítima, que era cliente, foi impedida de entrar na agência na sexta-feira porque o horário de expediente havia se encerrado. Naquele dia, Sandro discutiu com o vigia que o barrou, Jonatas Pereira Lima, 29, e foi embora.
Ontem, por volta das 10h, Sandro retornou à agência na companhia de um amigo. Sacou a quantia de R$ 200 e pediu para que o colega o aguardasse na porta do banco. Ao subir ao primeiro andar, reencontrou o vigia. Os dois voltaram a discutir e o segurança atirou contra Sandro, que fez menção de que pegaria uma arma. No entanto, a vítima estava desarmada. Após o primeiro disparo, Sandro, assustado, utilizou uma recepcionista do banco como escudo. Em seguida, tentou fugir e foi atingido três vezes pelas costas. O primeiro tiro foi na região da barriga.
A Polícia Militar acredita que a vítima tenha tentado tirar satisfações com Jonatas, que, com medo, agiu de forma desequilibrada. O crime foi qualificado como homicídio doloso qualificado, sem chance de defesa e por motivo torpe. "Seria o caso de ter exagerado nos disparos. A vítima não teve tempo de raciocinar. Mas trata-se de um moço (o vigia) centrado e disse que irá colaborar com as investigações", disse o delegado titular do 1º Distrito Policial, Victor Lutti. Até ontem à noite, sete pessoas tinham sido ouvidas.
A polícia pediu exame toxicológico da vítima. Segundo Lutti, Sandro era usuário de drogas e estava afastado da família havia cerca de dois meses. Os pais da vítima compareceram à delegacia ontem à tarde e foram embora apressados. "Foi covardia", disse a mãe da vítima, Sandra Alves da Silva, emocionada. "Queremos justiça", emendou o pai, Antônio Cordon Filho.
CÂMERAS
As imagens de uma das câmeras postadas no corredor de acesso, no primeiro andar da agência, mostram Sandro entrando na sala onde estava o vigilante, às 10h02. Dois minutos depois, o fiscal deixou a sala, agarrado a uma funcionária do banco. Soltou a mulher e, em desespero, andou por cerca de três metros, tentando fugir encostado à parede. Ele já estava ferido. Lima então se posicionou, fez mira e atirou três vezes contra as costas de Antônio, que cambaleou e caiu, agonizando, às 10h04.
O banco Bradesco informou em nota que o funcionário era de uma empresa terceirizada e que "lamenta profundamente a perda e presta total solidariedade aos familiares."
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