Primeira-dama Mulher do ex-prefeito Aron Galante, em S.Bernardo, se elegeu deputada estadual; atual primeira-dama é cotada para concorrer à Assembleia

Caso o nome da primeira-dama de São Bernardo, Carla Morando (PSDB), seja efetivado na lista de candidatos a deputado estadual, a tucana entra na disputa para tentar repetir, em outubro, resultado de Eni Galante, mulher do ex-prefeito Aron Galante, que se elegeu à Assembleia Legislativa pelo MDB, em 1986, quando o marido administrava São Bernardo (entre 1983 e 1988).
Mulher do atual chefe do Executivo, Orlando Morando (PSDB), Carla deixou – em abril – a função de presidente do Fundo Social de Solidariedade, ficando apta para integrar a chapa, mas ainda não formalizou a decisão em torno do processo eleitoral. A definição acontecerá em até 30 dias.
Eni anunciou a pré-candidatura em maio daquele exercício. A título de curiosidade, a entrevista da primeira-dama ao Diário foi acompanhada pelo vice-prefeito Walter Demarchi e o então presidente do MDB, William Dib, também secretário de Saúde – ambos tornaram-se prefeitos mais adiante do município. Foi eleita com 46.542 votos, obtidos em sua maioria em São Bernardo, exercendo o mandato entre 1987 a 1991. Levantou a bandeira da mulher como plataforma de trabalho. No pleito, o Grande ABC elegeu outros sete parlamentares (José Cicote, Expedito Soares, Fernando Leça, Ivan Valente, Luiz Tortorello, Israel Zekcer e Daniel Marins).
Em sua fala de posse na Assembleia, Eni entoou famigerado discurso de interesse na formação de frente para defender os interesses das cidades por onde se elegeram. Na tribuna, ela garantiu que não teria dificuldades na conciliação de suas atribuições de primeira-dama com a carreira política ora iniciada. Emocionada com a solenidade, destacou que já vem mantendo contatos com vários secretários nomeados pelo então governador Orestes Quércia, para atender o Grande ABC em suas “reivindicações mais urgentes”. “Nunca fui parlamentar, mas, aos poucos, a gente vai se adaptando, sempre tendo em conta as prioridades daqueles que nos elegeram”, disse, em ato em março de 1987.
Memorialista, o jornalista Ademir Medici, do Diário, relembrou que Aron investiu muito na área social, estimulando, por exemplo, os movimentos por moradia. “Realizou obras importantes (de infraestrutura) em favelas. Núcleos como Areião, Vila São Pedro e inúmeros outros tiveram a complacência de Aron. Diante disso, Eni Galante foi eleita.” Neste período, a Prefeitura também iniciou a urbanização de algumas dessas áreas. Dizia-se, nos bastidores, que as portas do gabinete do prefeito eram mais abertas aos vereadores do PT do que aos de seu partido.
Há outro caso parecido com o de Eni, ocorrido na vizinha Santo André, só que o êxito não se deu dentro do exercício do mandato do chefe do Executivo. Já fora do posto à frente do Paço, o ex-prefeito José Silveira Sampaio (assumiu a cadeira em 1962 com a cassação de Osvaldo Gimenez) aderiu à candidatura da mulher e ex-vereadora Crolinda Sampaio a estadual. Ela foi eleita pelo PTB (e exerceu a função de 1983 a 1988), a primeira parlamentar paulista pela cidade, a segunda da região, depois de Tereza Delta, de São Bernardo.
No páreo municipal subsequente, em 1988, Mauricio Soares, então no PT, conquistou a primeira de suas três vitórias majoritárias. Walter Demarchi (PTB) ficou em segundo lugar e Tito Costa (MDB, ex-prefeito e que depois seria eleito vice na chapa de Demarchi em 1992), na terceira colocação. Aron teria ficado “em cima do muro”, sem escolher entre seu vice e seu correligionário.
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