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‘Região ainda será ícone nas vendas de veículos em 10 anos’

André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Soraia Pedrozo
Yara Ferraz

09/04/2018 | 07:00


 “Daqui a dez anos, a região ainda será um ícone em vendas de veículos no Brasil, porque ela tem aquilo que ainda não se pode prescindir: a massa humana preparada”, avalia Octavio Leite Vallejo, 78 anos, superintendente do Sincodiv-SP (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado de São Paulo). Para Vallejo, apesar da mudança do perfil de quem compra carro, e do fechamento de cerca de 1.000 revendedoras no País, o Grande ABC ainda tem o mais importante, que é a mão de obra qualificada.

O Diário completa, em maio, 60 anos. Ao longo dessas seis décadas, o senhor acredita que o jornal tenha sido importante para o desenvolvimento da economia da região?
Não se escreve o presente sem a história do passado, em especial para que o futuro possa ser bem projetado. Assim, nenhuma região do País pode se desenvolver sem uma imprensa livre e democrática, totalmente isenta, que seja parceira dos seus desenvolvimentos econômico, tecnológico e cultural. Uma imprensa que tenha uma bandeira de liberdade como escudo para defesa dos interesses da região e contexto nos quais está inserida.

De que maneira?
Apoiando os órgãos de desenvolvimento, indústria, comércio e setores de base de sua região, divulgando sua pujança e defendendo suas necessidades.

O senhor se lembra de quando teve o primeiro contato com o Diário?
Moro em Santo André desde a época em que o News Seller mudou o nome para Diário (em 1968), transformando-se em uma das maiores empresas jornalísticas do País. E eu já tinha uma ligação com o jornal, porque o meu sogro fornecia chumbo, naquela época utilizado para a impressão. Atuei no ramo de concessionárias de veículos por 40 anos em Santo André e, nesse período, sempre houve um estreito relacionamento comercial com o Diário, pois a melhor forma de propaganda são os classificados em jornais de grande tiragem. Também sou antigo assinante (código 209) e guardo com carinho as boas lembranças dos amigos Edson (Dotto) e Fausto (Polesi) que, juntamente ao Maury (Dotto) e ao Angelo (Puga), fundaram uma empresa que cresceu com solidez e se tornou referência nacional. Participei de eventos como alguns almoços, que a diretoria fazia quando vinha uma autoridade até Santo André, e também da inauguração da gráfica, que ficava na Vila Guiomar.

Lembra-se de quando o Diário publicou a primeira reportagem a seu respeito e por qual razão?
O tempo, que sempre é o melhor aliado do homem, também o trai algumas vezes, dando-lhe a surpresa do esquecimento. No momento, não me lembro. Mas me recordo do dia em que me despedi da Sandrecar (concessionária Ford) e dei entrevista de agradecimento à sociedade e à comunidade, que foi publicada em uma página inteira (em fevereiro de 2002).

Há quantos anos o senhor atua no Sincodiv-SP (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado de São Paulo)?
Atuo no Sincodiv-SP desde 1973, presidindo a entidade em várias gestões desde 1995 até 2013. Atualmente, continuo na direção executiva, exercendo o cargo de superintendente.

E quanto tempo permaneceu na Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André)?
Permaneci na Acisa de 1977 a 2015, ocupando os cargos de terceiro vice-presidente, vice-presidente administrativo, vice-presidente de ação política e institucional e integrante do conselho superior por várias gestões. Ainda permaneço, com muita honra, como integrante do conselho superior.

Em algum momento da sua carreira à frente da Acisa ou como superintendente do Sincodiv-SP o Diário lhe foi útil de alguma maneira?
As instituições sindicais e associativas não podem prescindir da parceria com a imprensa, levando à comunidade seus feitos e reivindicações. Inúmeras vezes, ambas as entidades fizeram uso deste veículo de comunicação para atingir seu público-alvo. Motivo pelo qual sou grato e, ao mesmo tempo, me furto a citar apenas uma ocasião, temendo deixar tantas outras importantes de lado.

O senhor acredita que o jornal tenha contribuído para a expansão do setor automobilístico no Grande ABC? Por quê?
O Grande ABC foi o berço da indústria automobilística do País, setor este hoje espalhado por outras inúmeras regiões. O Diário contribuiu, sim, para a expansão desta indústria automobilística em todo o Brasil, promovendo seminários, discussões e eventos com integrantes do governo e com altos dirigentes desta indústria, divulgando suas conquistas e inovações, cumprindo o seu papel de canal de reivindicações, marcando sua época e fazendo parte da história da região, destacando-se por vários anos por sua expressiva tiragem e quantidade de classificados.

E para o desenvolvimento do comércio e do empreendedorismo de Santo André, qual teria sido a maior contribuição do Diário em sua avaliação?
O Diário sempre dedicou espaço – em matérias, classificados ou artigos – para as promoções locais ocorridas em datas festivas (Páscoa, Natal, Dias das Mães etc.), bem como aos eventos da cidade e das entidades de classe. O veículo tem por missão oferecer espaços de qualidade em suas páginas, dedicados a anúncios, promoções culturais e de eventos, divulgação de festas e realizações locais. Essas são, sem dúvida, ótimas expressões do fomento à região e importância local, pois, por sua grande circulação e interpenetração em vários níveis profissionais, sociais etc, o jornal estabeleceu – e ainda o faz – intercâmbio maior de toda a sociedade, o comércio, empreendedores e trabalhadores e também com as entidades de classe. Hoje, a necessidade nos convida a que tudo isso deva ser expandido para que não haja uma evasão do Grande ABC para a Capital, como, infelizmente, tem ocorrido nos últimos anos por conta de dificuldades como a Mobilidade Urbana, por exemplo.

Se pudesse realizar qualquer feito no Grande ABC, qual seria?
Faria um movimento pela melhoria da Mobilidade Urbana, e que deve ser realizado concomitantemente em todos os municípios da região. O trânsito hoje está um caos e nada tem sido feito nos últimos tempos. Precisamos de ideias e ações.

Em sua opinião, qual a importância do jornalismo regional? E do Diário?
Precisamos dar foco aos acontecimentos regionais e, também, expor as reivindicações locais com intensidade e visibilidade. Isso porque, em um mundo tão, dito, globalizado, preocupamo-nos com o ‘tão longe’ e nos esquecemos do nosso quintal com certa frequência. Uma visão regional nos permite uma atuação mais próxima de nossa realidade e entorno, o que nos atinge diretamente e àqueles que nos cercam, portanto, é inegável a relevância da imprensa local quando sua atuação é objetiva e mira o desenvolvimento, missão esta que tem sido realizada pelo Diário nestas seis décadas.

E para as montadoras, concessionárias e demais atores do segmento automotivo, o jornal é um canal? Por quê?
Sim, é e sempre foi um ótimo veículo para interconectar as partes interessadas.

Em sua opinião, o que mais o Diário pode fazer para ajudar a fortalecer tanto a economia quanto o ramo automobilístico da região?
Continuar vigilante na sua missão de criar um elo forte entre as partes envolvidas, com jornalismo de qualidade e credibilidade.

O senhor atuou por 40 anos no ramo das concessionárias. Hoje há uma redução da presença dessas lojas? Como vê este cenário?
Existe esta redução, principalmente nos últimos três anos, que foram de muita dificuldade e muita mutação de mercado. Várias concessionárias desapareceram e muitas se fundiram. Este não é um fenômeno brasileiro, também foi observado nos Estados Unidos. Revendedores sobreviventes terão mais modelos de veículos, mas menos em estoque, em vez de manter grandes inventários.

Qual o perfil do jovem que compra carro hoje?
O jovem hoje não quer carro. Anteriormente, o sonho na nossa época era chegar aos 18 anos para dirigir. E o carro era o prêmio por entrar na universidade, por exemplo. Hoje, a geração do milênio demonstrou índices menores de posses de carro, mas agora ela compõe o nosso segmento. Mas, também por conta disso, além de outros fatores, muitos revendedores fecharam no País, cerca de 1.000 revendedores.

Essa diminuição é uma tendência?
Sim. O mundo sempre nos traz novas eras e sempre uma nova perspectiva. Estamos sentindo o mundo falar nas mudanças dos carros como o híbrido, o elétrico e também o selfcar, que é o carro sem motorista. Este último esfriou um pouco com o atropelamento e morte daquela ciclista nos Estados Unidos. Mas se tratam de transformações que temos que nos preparar.

Quais transformações, por exemplo?
Não adianta sonharmos amanhã em ter o carro elétrico. Cadê as tomadas nas ruas? Você vai querer abastecer o carro em cinco minutos, mas o abastecimento do carro elétrico leva oito horas. Outro detalhe é que hoje os carros, inegavelmente, estão tecnicamente muito mais aprimorados e retornam à oficina muito menos que os fabricados dez anos atrás. Então, nós não podemos pensar tecnicamente em oficinas tão grandes. Quem dirá que daqui a pouco tempo nós não teremos oficinas compartilhadas? Já tivemos diversos momentos de mudanças no setor automotivo, entre elas a do carro movido a álcool, por exemplo. E nós temos que parar para pensar em todo o cenário com muito bom-senso e não nos precipitar.

O Grande ABC se configurou como um dos principais polos do setor automotivo do País. Qual o cenário que podemos encontrar daqui a dez anos?
A região ainda será um ícone em vendas de veículos no Brasil, porque ela tem aquilo que ainda não se pode prescindir: a massa humana preparada. O homem é o princípio e o fim de todas as coisas, e nós temos este homem preparado. O que realmente friso e faço um alerta é na questão da Mobilidade Urbana. Se não houver uma preocupação, enfatizo uma vez mais, séria, por parte dos prefeitos da região nesta questão, nós corremos o risco de ter uma nova evasão de indústrias do nosso polo. É preciso ter diversos investimentos em infraestrutura.

Que futuro o senhor espera para o Grande ABC?
Que prossiga na sua história de pioneirismo como polo de desenvolvimento, com um povo que sempre se pautou pela ética e pelo trabalho, construindo o seu destino apesar das adversidades inevitáveis da vida.

Octavio Leite Vallejo e o Diário
Octavio Leite Vallejo nasceu em 24 de janeiro de 1940, em Santos, no Litoral Paulista. Se mudou para Santo André no fim de 1963, e seu contato inicial com o Diário se deu por meio da família, já que seu sogro fornecia o chumbo utilizado na impressão do jornal. Fundador da rede de concessionárias Ford Sandrecar, uma das mais importantes da região, o empresário e bacharel em Direito não se lembra qual foi a primeira (de muitas) aparição no jornal, mas tem recordações de momentos importantes, entre as quais destacou entrevista que concedeu para falar de sua saída da companhia, em 2002.



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‘Região ainda será ícone nas vendas de veículos em 10 anos’

Soraia Pedrozo
Yara Ferraz

09/04/2018 | 07:00


 “Daqui a dez anos, a região ainda será um ícone em vendas de veículos no Brasil, porque ela tem aquilo que ainda não se pode prescindir: a massa humana preparada”, avalia Octavio Leite Vallejo, 78 anos, superintendente do Sincodiv-SP (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado de São Paulo). Para Vallejo, apesar da mudança do perfil de quem compra carro, e do fechamento de cerca de 1.000 revendedoras no País, o Grande ABC ainda tem o mais importante, que é a mão de obra qualificada.

O Diário completa, em maio, 60 anos. Ao longo dessas seis décadas, o senhor acredita que o jornal tenha sido importante para o desenvolvimento da economia da região?
Não se escreve o presente sem a história do passado, em especial para que o futuro possa ser bem projetado. Assim, nenhuma região do País pode se desenvolver sem uma imprensa livre e democrática, totalmente isenta, que seja parceira dos seus desenvolvimentos econômico, tecnológico e cultural. Uma imprensa que tenha uma bandeira de liberdade como escudo para defesa dos interesses da região e contexto nos quais está inserida.

De que maneira?
Apoiando os órgãos de desenvolvimento, indústria, comércio e setores de base de sua região, divulgando sua pujança e defendendo suas necessidades.

O senhor se lembra de quando teve o primeiro contato com o Diário?
Moro em Santo André desde a época em que o News Seller mudou o nome para Diário (em 1968), transformando-se em uma das maiores empresas jornalísticas do País. E eu já tinha uma ligação com o jornal, porque o meu sogro fornecia chumbo, naquela época utilizado para a impressão. Atuei no ramo de concessionárias de veículos por 40 anos em Santo André e, nesse período, sempre houve um estreito relacionamento comercial com o Diário, pois a melhor forma de propaganda são os classificados em jornais de grande tiragem. Também sou antigo assinante (código 209) e guardo com carinho as boas lembranças dos amigos Edson (Dotto) e Fausto (Polesi) que, juntamente ao Maury (Dotto) e ao Angelo (Puga), fundaram uma empresa que cresceu com solidez e se tornou referência nacional. Participei de eventos como alguns almoços, que a diretoria fazia quando vinha uma autoridade até Santo André, e também da inauguração da gráfica, que ficava na Vila Guiomar.

Lembra-se de quando o Diário publicou a primeira reportagem a seu respeito e por qual razão?
O tempo, que sempre é o melhor aliado do homem, também o trai algumas vezes, dando-lhe a surpresa do esquecimento. No momento, não me lembro. Mas me recordo do dia em que me despedi da Sandrecar (concessionária Ford) e dei entrevista de agradecimento à sociedade e à comunidade, que foi publicada em uma página inteira (em fevereiro de 2002).

Há quantos anos o senhor atua no Sincodiv-SP (Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado de São Paulo)?
Atuo no Sincodiv-SP desde 1973, presidindo a entidade em várias gestões desde 1995 até 2013. Atualmente, continuo na direção executiva, exercendo o cargo de superintendente.

E quanto tempo permaneceu na Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André)?
Permaneci na Acisa de 1977 a 2015, ocupando os cargos de terceiro vice-presidente, vice-presidente administrativo, vice-presidente de ação política e institucional e integrante do conselho superior por várias gestões. Ainda permaneço, com muita honra, como integrante do conselho superior.

Em algum momento da sua carreira à frente da Acisa ou como superintendente do Sincodiv-SP o Diário lhe foi útil de alguma maneira?
As instituições sindicais e associativas não podem prescindir da parceria com a imprensa, levando à comunidade seus feitos e reivindicações. Inúmeras vezes, ambas as entidades fizeram uso deste veículo de comunicação para atingir seu público-alvo. Motivo pelo qual sou grato e, ao mesmo tempo, me furto a citar apenas uma ocasião, temendo deixar tantas outras importantes de lado.

O senhor acredita que o jornal tenha contribuído para a expansão do setor automobilístico no Grande ABC? Por quê?
O Grande ABC foi o berço da indústria automobilística do País, setor este hoje espalhado por outras inúmeras regiões. O Diário contribuiu, sim, para a expansão desta indústria automobilística em todo o Brasil, promovendo seminários, discussões e eventos com integrantes do governo e com altos dirigentes desta indústria, divulgando suas conquistas e inovações, cumprindo o seu papel de canal de reivindicações, marcando sua época e fazendo parte da história da região, destacando-se por vários anos por sua expressiva tiragem e quantidade de classificados.

E para o desenvolvimento do comércio e do empreendedorismo de Santo André, qual teria sido a maior contribuição do Diário em sua avaliação?
O Diário sempre dedicou espaço – em matérias, classificados ou artigos – para as promoções locais ocorridas em datas festivas (Páscoa, Natal, Dias das Mães etc.), bem como aos eventos da cidade e das entidades de classe. O veículo tem por missão oferecer espaços de qualidade em suas páginas, dedicados a anúncios, promoções culturais e de eventos, divulgação de festas e realizações locais. Essas são, sem dúvida, ótimas expressões do fomento à região e importância local, pois, por sua grande circulação e interpenetração em vários níveis profissionais, sociais etc, o jornal estabeleceu – e ainda o faz – intercâmbio maior de toda a sociedade, o comércio, empreendedores e trabalhadores e também com as entidades de classe. Hoje, a necessidade nos convida a que tudo isso deva ser expandido para que não haja uma evasão do Grande ABC para a Capital, como, infelizmente, tem ocorrido nos últimos anos por conta de dificuldades como a Mobilidade Urbana, por exemplo.

Se pudesse realizar qualquer feito no Grande ABC, qual seria?
Faria um movimento pela melhoria da Mobilidade Urbana, e que deve ser realizado concomitantemente em todos os municípios da região. O trânsito hoje está um caos e nada tem sido feito nos últimos tempos. Precisamos de ideias e ações.

Em sua opinião, qual a importância do jornalismo regional? E do Diário?
Precisamos dar foco aos acontecimentos regionais e, também, expor as reivindicações locais com intensidade e visibilidade. Isso porque, em um mundo tão, dito, globalizado, preocupamo-nos com o ‘tão longe’ e nos esquecemos do nosso quintal com certa frequência. Uma visão regional nos permite uma atuação mais próxima de nossa realidade e entorno, o que nos atinge diretamente e àqueles que nos cercam, portanto, é inegável a relevância da imprensa local quando sua atuação é objetiva e mira o desenvolvimento, missão esta que tem sido realizada pelo Diário nestas seis décadas.

E para as montadoras, concessionárias e demais atores do segmento automotivo, o jornal é um canal? Por quê?
Sim, é e sempre foi um ótimo veículo para interconectar as partes interessadas.

Em sua opinião, o que mais o Diário pode fazer para ajudar a fortalecer tanto a economia quanto o ramo automobilístico da região?
Continuar vigilante na sua missão de criar um elo forte entre as partes envolvidas, com jornalismo de qualidade e credibilidade.

O senhor atuou por 40 anos no ramo das concessionárias. Hoje há uma redução da presença dessas lojas? Como vê este cenário?
Existe esta redução, principalmente nos últimos três anos, que foram de muita dificuldade e muita mutação de mercado. Várias concessionárias desapareceram e muitas se fundiram. Este não é um fenômeno brasileiro, também foi observado nos Estados Unidos. Revendedores sobreviventes terão mais modelos de veículos, mas menos em estoque, em vez de manter grandes inventários.

Qual o perfil do jovem que compra carro hoje?
O jovem hoje não quer carro. Anteriormente, o sonho na nossa época era chegar aos 18 anos para dirigir. E o carro era o prêmio por entrar na universidade, por exemplo. Hoje, a geração do milênio demonstrou índices menores de posses de carro, mas agora ela compõe o nosso segmento. Mas, também por conta disso, além de outros fatores, muitos revendedores fecharam no País, cerca de 1.000 revendedores.

Essa diminuição é uma tendência?
Sim. O mundo sempre nos traz novas eras e sempre uma nova perspectiva. Estamos sentindo o mundo falar nas mudanças dos carros como o híbrido, o elétrico e também o selfcar, que é o carro sem motorista. Este último esfriou um pouco com o atropelamento e morte daquela ciclista nos Estados Unidos. Mas se tratam de transformações que temos que nos preparar.

Quais transformações, por exemplo?
Não adianta sonharmos amanhã em ter o carro elétrico. Cadê as tomadas nas ruas? Você vai querer abastecer o carro em cinco minutos, mas o abastecimento do carro elétrico leva oito horas. Outro detalhe é que hoje os carros, inegavelmente, estão tecnicamente muito mais aprimorados e retornam à oficina muito menos que os fabricados dez anos atrás. Então, nós não podemos pensar tecnicamente em oficinas tão grandes. Quem dirá que daqui a pouco tempo nós não teremos oficinas compartilhadas? Já tivemos diversos momentos de mudanças no setor automotivo, entre elas a do carro movido a álcool, por exemplo. E nós temos que parar para pensar em todo o cenário com muito bom-senso e não nos precipitar.

O Grande ABC se configurou como um dos principais polos do setor automotivo do País. Qual o cenário que podemos encontrar daqui a dez anos?
A região ainda será um ícone em vendas de veículos no Brasil, porque ela tem aquilo que ainda não se pode prescindir: a massa humana preparada. O homem é o princípio e o fim de todas as coisas, e nós temos este homem preparado. O que realmente friso e faço um alerta é na questão da Mobilidade Urbana. Se não houver uma preocupação, enfatizo uma vez mais, séria, por parte dos prefeitos da região nesta questão, nós corremos o risco de ter uma nova evasão de indústrias do nosso polo. É preciso ter diversos investimentos em infraestrutura.

Que futuro o senhor espera para o Grande ABC?
Que prossiga na sua história de pioneirismo como polo de desenvolvimento, com um povo que sempre se pautou pela ética e pelo trabalho, construindo o seu destino apesar das adversidades inevitáveis da vida.

Octavio Leite Vallejo e o Diário
Octavio Leite Vallejo nasceu em 24 de janeiro de 1940, em Santos, no Litoral Paulista. Se mudou para Santo André no fim de 1963, e seu contato inicial com o Diário se deu por meio da família, já que seu sogro fornecia o chumbo utilizado na impressão do jornal. Fundador da rede de concessionárias Ford Sandrecar, uma das mais importantes da região, o empresário e bacharel em Direito não se lembra qual foi a primeira (de muitas) aparição no jornal, mas tem recordações de momentos importantes, entre as quais destacou entrevista que concedeu para falar de sua saída da companhia, em 2002.

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