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‘Complexidade do Grande ABC dificulta solução de problemas’

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Stepan Unseld, da União Europeia, liderou grupo italiano que visitou a região na semana passada


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

05/03/2018 | 07:00


 A complexidade da ocupação do espaço urbano do Grande ABC dificulta o encontro de soluções para os clássicos desafios das metrópoles, como a melhoria do trânsito e do transporte público, avaliou Stepan Unseld, gestor da cooperação internacional da União Europeia, em entrevista exclusiva ao Diário.

Unseld integrou a delegação da cidade de Turim, da Itália, que desembarcou em Santo André na semana passada para debater soluções inteligentes na área de Mobilidade Urbana. O grupo, composto por executivos de empresas especializadas em pesquisa e execução de tecnologias em favor das cidades, integra o Programa de Cooperação Urbana, da União Europeia, ao qual Consórcio Intermunicipal também está inserido.

A ideia do intercâmbio é trocar experiências e conhecimentos para a elaboração de projetos conjuntos que melhorem a vida de motoristas, pedestres e de usuários do transporte público. No fim do ano, as ideias voltadas ao planejamento urbano sustentável dos municípios serão apresentadas na União Europeia, se iniciando buscas por financiamento.

“A delegação de Turim pode entender a problemática, os desafios na prática e a complexidade desta região, que tem a ver com seu desenvolvimento natural e histórico de toda sua infraestrutura. O Grande ABC teve crescimento diferente de Turim, por exemplo. Lá, existiu um crescimento (urbano) coordenado, então é mais fácil controlar o trânsito e de desenhar os tipos de mobilidade. Aqui, não. Existem casas pequenas e grandes, centros de indústrias, centros de produção, do lado de condomínios, favelas, grandes aglomerações dentro da cidade que não são formalizadas. Não existe isso em Turim. É uma forma de complexidade que a Itália não tem”, explicou.

Secretário executivo do Consórcio Intermunicipal, Fabio Palacio (PR) destacou que o intercâmbio foi além do debate exclusivo sobre projetos de mobilidade. “Quando a gente sobrevoou o Grande ABC (na terça-feira), foi num dia de chuvas e eles viram como os nossos piscinões enchem, perceberam como é impactante a questão das enchentes na nossa mobilidade. (Concluímos que) Por mais que a gente possa melhorar o controle do tráfego, inclusive com a construção de avenidas, se a gente não tiver um plano de contingência de enchentes, nada disso (alternativas discutidas) vai dar certo. Esse é problema que eles também sofrem em Turim.”

Nesse contexto, Palacio enalteceu a recente criação do CGE (Central de Gerenciamento de Emergências) do Consórcio, que realiza o monitoramento das condições meteorológicas na região, auxiliando o trabalho da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros com informações sobre a intensidade e quantidade de chuva prevista para uma determinada área do Grande ABC. “Um dos principais apontamentos da delegação de Turim foi a falta de informação ao cidadão. Nos próximos dias, vamos inaugurar o aplicativo do CGE, que vai permitir que a população receba informação de qual rua está alagada e onde, por exemplo, caiu árvores. Isso acaba ajudando na mobilidade, já que os moradores vão saber quais ruas estão interditada.”

 

DESINDUSTRIALIZAÇÃO

Outro tema que entrou em discussão foi a questão do impacto da desindustrialização no acesso ao transporte público. “Em relação às linhas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), percebemos que, na verdade, elas cortam exatamente a área desindustrializada do Grande ABC. Hoje a linha da CPTM tem zona morta até se encontrar a população, do outro lado. As antigas áreas industriais que se desenvolveram ao longo da linha da CPTM (e que deixaram a região ao longo dos anos) se transformam em barreira na utilização do transporte público. Entendemos que essa área pode ser reurbanizada, não só através da chegada de novas indústrias, mas principalmente através de residências e novos comércios, atraindo e aproximando a população do transporte sobre trilhos”, reconheceu Palacio.



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