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Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Bia Moço
Especial para o Diário

18/02/2018 | 07:00


O medo da violência dos dias atuais obriga, muitas vezes, as famílias a se trancarem em suas residências. Nada de portas e janelas abertas, como se via antigamente. Mas, para o pequeno ‘exército’ de agentes comunitários de Saúde que atuam nas sete cidades, as portas estão sempre abertas. Normalmente são visitas aguardadas até com ansiedade, com direito a bolo e café, porque são eles que cuidam da saúde dos moradores e que, em muitas vezes, são as únicas companhias para uma boa conversa.

Os protetores comunitários, como são chamados, trabalham todos os dias na rua, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Condições climáticas não os incomoda. Sobem e descem ruas e percorrem quilômetros diariamente, sempre com sorriso no rosto, a fim de levar cuidado e atenção.

Embora orientação e informações sejam o principal foco do atendimento, os profissionais da Saúde acabam fazendo papel de ombro amigo, terapeutas e agentes sociais. A assistência médica dada à população deixa os munícipes confortáveis. Tanto que muitos deles acolhem os funcionários como amigos. Divididos por região, uma vez por mês visitam cada uma das casas cadastradas na rede municipal, acompanhados por médicos e enfermeiros.

Já que muitas vezes a comunidade não vai ao posto de Saúde, o cuidado vai até eles. Roseli Xavier, 46 anos, é agente de Saúde da USF (Unidade de Saúde da Família) Jardim Carla, em Santo André, há sete anos. Apaixonada pelo que faz, atende duas áreas de alta demanda: morro da Kibon e Jardim do Mirante. “Nosso papel principal é a prevenção. A importância do nosso trabalho é imensa. Vindo trazer a Saúde dentro da comunidade conseguimos evitar que, no futuro, tenhamos situação precária. A comunidade precisa ser orientada e receber informação. Muitos se recusam a ir ao posto de Saúde, portanto, vamos até eles.”

A equipe do Diário acompanhou um dia de trabalho de Roseli. Ao longo do percurso, diversos moradores pararam a profissional para tirar dúvidas, pedir informações, conselhos e, até mesmo, contar sobre resoluções de problemas antigos. O envolvimento da agente com a comunidade criou laços. “Além desse atendimento da Saúde, também realizamos trabalho dentro das casas como parceiros. Somos o elo do munícipe com a unidade de Saúde, mas nos envolvemos.”

A cabeleireira Camila Oliveira da Silva, 24, cuida de sua irmã com deficiência intelectual e física. Para ela, as visitas de Roseli são presente. “Esse atendimento é maravilhoso. Não fosse por ela eu ficaria perdida. A Roseli é quem me dá todas as orientações e pega no meu pé para que eu me cuide”, observa Camila.


Região não consegue suprir demanda por atendimentos

Embora o trabalho dos agentes comunitários de Saúde seja de grande importância para preservação da Saúde da população, a região ainda carece de cobertura de atendimento, já que o número de profissionais não consegue suprir toda a demanda.

Em Santo André, por exemplo, somente 25% da área recebe a ação. Ao todo, são 291 profissionais para 51 equipes de Saúde da Família. Já em São Bernardo, 650 funcionários atuam em 70% da cidade.

Diadema destacou que há necessidade frequente de ampliação do número de equipes, tendo em vista o aumento populacional constante. Atualmente, estão em exercício cerca de 460 agentes de Saúde.

O coordenador do GT (Grupo de Trabalho) Saúde do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e secretário da Pasta em São Bernardo, Geraldo Reple, ressalta que os agentes comunitários não trabalham sozinhos. “Para ter estes funcionários é preciso formar equipe de Saúde da família, composta por médico, enfermeiro e auxiliar de enfermagem. O custo para cada município é alto. Não basta contratar mais agentes, temos de formar as equipes e criar estratégias.”

Reple destaca que cada município recebe verba – proveniente do governo federal – de R$ 1.100 por agente, o que não paga o funcionário. “Cada um deles nos custa o dobro deste valor. O repasse para médicos e enfermeiros não chega a 40% do custo. (A falta de verba) É um dos complicadores para aumentar o quadro de funcionários.”

Ele ressalta que o trabalho é de extrema importância, até porque cada agente tem de morar na área que vai atuar. “Eles conhecem a comunidade, as demandas e carências. O ideal seria a cobertura de 100% das cidades. Vale lembrar que o serviço não se resume a bairros carentes e sim a toda população.”BM


Equipes reduzidas dificultam ações e diminuem sucesso de visitas mensais


Uma das dificuldades enfrentadas pelos agentes de Saúde é em relação às pessoas que não entendem o trabalho prestado pelos profissionais e, por isso, não autorizam visitas, além de se recusarem a ir ao posto de Saúde.

No entanto, a falta de integrantes nas equipes de Saúde da Família também atrapalha no trabalho do dia a dia. Em Santo André, no Jardim Carla, grupos que deveriam atuar com seis agentes exercem a função com apenas dois. Para que possam contratar mais funcionários é necessário realizar concurso e capacitação nas unidades, porém, a procura pelo trabalho é baixa.

Uma das principais ações dos agentes é a visita domiciliar realizada às famílias de cada microárea, separada por região. O objetivo do trabalho é permitir que conheçam os domicílios e suas características ambientais, socioeconômicas e culturais, além de verificar a estrutura e dinâmica familiar e atuar no controle e prevenção de doenças transmissíveis e não transmissíveis.

Os profissionais também mantêm atualizados os cadastros de domicílios e de famílias para que os sistemas de informação captem as mudanças e calculem indicadores de avaliação.


Temer sanciona com vetos lei que muda carreira de agente de Saúde


No início do ano, o presidente Michel Temer (MDB), sancionou – com vetos – lei que reformula a carreira de agentes comunitários de Saúde.

A rejeição foi para indenização de transporte aos agentes e a jornada de trabalho, alegando que a questão deveria ser tratada pelos respectivos entes federados, conforme a disponibilidade de recursos e o interesse público. Quanto à jornada, falava-se em carga de trabalho para fins de piso salarial de 40 horas semanais integralmente dedicada a ações e serviços da Saúde, das quais 30 horas seriam para atividades externas e dez horas semanais para atividades de planejamento e avaliação de ações. 



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