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A que ponto chegamos, desigualdade!


Rodolfo de Souza

02/11/2017 | 07:00


 A questão da desigualdade social nesta formosa praia é discussão antiga que paira nos céus de quem realmente se importa com isso, o que certamente não diz respeito à maioria dessa gente simples, que não chega a pensar muito sobre o assunto. Considera, pois, natural que o porteiro receba um salário miudinho, infinitas vezes menor do que ganha o profissional do quinto andar que é gerente de indústria e ostenta, garboso, o título de doutor. Fica aí a impressão de que, em termos de importância, o cargo ocupado pelo homem do quinto andar está a milhares de anos-luz daquele que ocupa o sujeito da portaria, e que, por isso, é justo que este receba remuneração centenas de vezes menor. Soa de fato meio estranho contrapor-se a esta ideia, tendo em vista que assim fomos criados, com o pensamento que nossos pais nos transmitiram e que herdaram dos seus, pessoas que viveram esta realidade por toda uma existência, sem jamais terem experimentado algo diferente.

Não que eu pretenda aqui desmerecer a posição profissional de quem se esmerou numa carteira de faculdade, evoluiu e se especializou em alguma coisa, para a qual é preciso tirar o chapéu. Todos sabem, afinal, que não é fácil. Entretanto, o abismo que separa ambas as profissões ou ambos os salários, coloca um ser humano numa posição que lhe permite viver rodeado de conforto, enquanto o outro só faz lutar pela sobrevivência, sem a esperança de sequer alcançar o primeiro degrau. O que dirá o quinto andar! E é esta situação que torna o porteiro inferior ao doutor, a ponto de fazê-lo baixar a cabeça diante da soberba figura do outro. É possível até ler em seu olhar humilde a expressão: “Quem sou eu diante dele?” E se, por acaso, alguém se aventurar a lhe dizer que não é bem assim, ele contestará, considerando absurda tal afirmação, porque intimamente é o que sente.

O porteiro, assim como tantos, desconhece o fato de que há países por aí, qualquer coisa mais evoluídos que pátria Tupinambá, onde a coisa não funciona desta forma. Os trabalhadores desses lugares recebem remuneração suficiente para não passar aperto e para não terem que morar debaixo da ponte. Não importa se doutores ou motoristas, todos têm oportunidades justas. De maneira alguma imagina, essa gente, a vida de um operário daqui desta terra de coronéis em que magistrados ultra escolarizados e deputados analfabetos são donos de salários que levariam a nocaute uma legião de trabalhadores honestos, todos juntos.

A dignidade é, pois, o resultado dessa prática de bem remunerar, cotidiano de muitas nações que não admitem que um cidadão seu se olhe no espelho e veja um pobre coitado correndo atrás de migalhas, sobras que divide com as pombas.

Não é de hoje que o ser humano necessita de arroz, feijão e dignidade para viver. Como se manter digno, então, envolvido numa luta constante e inglória para comprar o que comer, pagar as contas e o aluguel, e ficar sem nada, no vermelho, devendo para o mês seguinte?

Quem está no comando e tem a faca e o queijo para resolver, volta as costas e continua ditando as regras, como é próprio de sua postura, ditar. Só que estas regras seguem sempre na correnteza que privilegia os interesses de uma elite que paga muito bem e consequentemente exige um serviço de qualidade. É assim que funciona o jogo. Fazer o quê?



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A que ponto chegamos, desigualdade!

Rodolfo de Souza

02/11/2017 | 07:00


 A questão da desigualdade social nesta formosa praia é discussão antiga que paira nos céus de quem realmente se importa com isso, o que certamente não diz respeito à maioria dessa gente simples, que não chega a pensar muito sobre o assunto. Considera, pois, natural que o porteiro receba um salário miudinho, infinitas vezes menor do que ganha o profissional do quinto andar que é gerente de indústria e ostenta, garboso, o título de doutor. Fica aí a impressão de que, em termos de importância, o cargo ocupado pelo homem do quinto andar está a milhares de anos-luz daquele que ocupa o sujeito da portaria, e que, por isso, é justo que este receba remuneração centenas de vezes menor. Soa de fato meio estranho contrapor-se a esta ideia, tendo em vista que assim fomos criados, com o pensamento que nossos pais nos transmitiram e que herdaram dos seus, pessoas que viveram esta realidade por toda uma existência, sem jamais terem experimentado algo diferente.

Não que eu pretenda aqui desmerecer a posição profissional de quem se esmerou numa carteira de faculdade, evoluiu e se especializou em alguma coisa, para a qual é preciso tirar o chapéu. Todos sabem, afinal, que não é fácil. Entretanto, o abismo que separa ambas as profissões ou ambos os salários, coloca um ser humano numa posição que lhe permite viver rodeado de conforto, enquanto o outro só faz lutar pela sobrevivência, sem a esperança de sequer alcançar o primeiro degrau. O que dirá o quinto andar! E é esta situação que torna o porteiro inferior ao doutor, a ponto de fazê-lo baixar a cabeça diante da soberba figura do outro. É possível até ler em seu olhar humilde a expressão: “Quem sou eu diante dele?” E se, por acaso, alguém se aventurar a lhe dizer que não é bem assim, ele contestará, considerando absurda tal afirmação, porque intimamente é o que sente.

O porteiro, assim como tantos, desconhece o fato de que há países por aí, qualquer coisa mais evoluídos que pátria Tupinambá, onde a coisa não funciona desta forma. Os trabalhadores desses lugares recebem remuneração suficiente para não passar aperto e para não terem que morar debaixo da ponte. Não importa se doutores ou motoristas, todos têm oportunidades justas. De maneira alguma imagina, essa gente, a vida de um operário daqui desta terra de coronéis em que magistrados ultra escolarizados e deputados analfabetos são donos de salários que levariam a nocaute uma legião de trabalhadores honestos, todos juntos.

A dignidade é, pois, o resultado dessa prática de bem remunerar, cotidiano de muitas nações que não admitem que um cidadão seu se olhe no espelho e veja um pobre coitado correndo atrás de migalhas, sobras que divide com as pombas.

Não é de hoje que o ser humano necessita de arroz, feijão e dignidade para viver. Como se manter digno, então, envolvido numa luta constante e inglória para comprar o que comer, pagar as contas e o aluguel, e ficar sem nada, no vermelho, devendo para o mês seguinte?

Quem está no comando e tem a faca e o queijo para resolver, volta as costas e continua ditando as regras, como é próprio de sua postura, ditar. Só que estas regras seguem sempre na correnteza que privilegia os interesses de uma elite que paga muito bem e consequentemente exige um serviço de qualidade. É assim que funciona o jogo. Fazer o quê?

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