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MPF investiga Caruana por aviso a Jacob Barata

Tânia Rêgo/ABr  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Empresário foi preso em agosto, no aeroporto, com documento que antecipava operação da PF


Júnior Carvalho
Do Diário do Grande ABC

10/10/2017 | 07:00


O MPF (Ministério Público Federal) confirmou ao Diário que investiga a Caruana Financeira, financiadora de ônibus no País, por supostamente vazar informação ao empresário do ramo do transporte Jacob Barata Filho, do Rio de Janeiro, sobre a Operação Ponto Final, que culminou com sua prisão, em 2 de julho.

Barata Filho foi detido pela PF (Polícia Federal) no aeroporto do Galeão, quando tentava embarcar para Portugal. Na ocasião, levava documento que antecipava sua possível detenção. Tratava-se do ofício da 7ª Vara Federal Criminal que determinava a quebra de sigilo de investigados na Operação Ponto Final. A ação foi desdobramento da Lava Jato.

O documento, que é destinado aos funcionários do alto escalão de bancos para informarem sobre movimentações financeiras de investigados, havia sido enviado à Caruana.

O jornal Folha de S.Paulo revelou no mês passado que o MPF investigava possível roteiro de fuga de Barata Filho. A Procuradoria vê indícios de que a tentativa de fuga havia sido planejada dez dias antes de sua prisão. De acordo com o jornal, os procuradores encontraram registros que indicam preparativos para a saída desde o dia 23 de junho, como troca de e-mails e telefonemas.

A reportagem revela que, embora a Caruana tenha recebido oficialmente o pedido de quebra de sigilo bancário dos investigados no dia 23 de junho, dois dias antes a agenda de Barata Filho revela almoço com o presidente da Caruana, José Garcia Netto, o Netinho. Para os procuradores, o encontro indica que os dois tinham contato direto.

Ainda de acordo com a publicação, no dia em que a Caruana foi informada formalmente sobre a operação, a secretária do empresário carioca convocou reunião extraordinária da Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro), para o dia 28 de junho. O então presidente da entidade, Lélis Teixeira – que também viria a ser preso –, renunciou ao cargo. No dia seguinte, também deixou o comando do Rio Ônibus (Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro).

Tanto Barata Filho quanto Teixeira cumprem prisão domiciliar desde agosto, quando o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), concedeu habeas corpus. A medida fez com que a PGR (Procuradoria-Geral da República) pedisse à presidente do STF, Cármen Lúcia, a suspeição de Gilmar no caso, alegando relações pessoais entre eles. Gilmar foi padrinho de casamento de Beatriz Barata, filha do magnata.

A Caruana, por sua vez, tem relações próximas com políticos e empresas do ramo do transporte no Grande ABC, como a Suzantur, que detém o controle total das linhas em Mauá desde 2013. Netinho é irmão de Ângelo Roque Garcia, que foi sócio da Suzantur.

O Banco Central, a PF e o MPF não revelaram detalhes da investigação. O Código Penal tipifica o crime de violação de sigilo funcional, que prevê pena de detenção de até dois anos para quem “revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação”.

A defesa de Barata Filho não se manifestou. 



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