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Colômbia quer incentivar turismo no país


Adriana Mompean
Do Diário do Grande ABC

24/02/2007 | 17:28


A Colômbia quer reforçar para o mundo que tem potencial turístico. Para isso, irá realizar entre segunda e quarta-feira a Macro Rodada de Turismo 2007, em Bogotá, com o objetivo de divulgar destinos e atrair investimentos estrangeiros, o que contribui para a melhoria da imagem do país, que é constantemente associado a problemas com a guerrilha e o narcotráfico. Nos encontros promovidos no ano passado, os empresários brasileiros foram os que mais se interessaram em levar turistas ao país, com um total de 19% dos contatos.

Em entrevista ao Diário, o embaixador da Colômbia no Brasil, Mario Galofre, abordou os esforços realizados para combater a violência e estimular o turismo internacional no país, que no ano passado faturou cerca de 110,3 milhões de pesos. “Desde que chegou à presidência, Álvaro Uribe promoveu um incremento da Força Pública, colocou aparatos em pequenos povoados e cidades e também resgatou a segurança nas rodovias e hidrovias”, diz. “Hoje, o país possui um dos menores indicadores de violência da América do Sul”, acrescentou. De acordo com dados do governo, em 1996, para cada 100 mil habitantes a taxa de homicídios era de 67,8%, percentual que recuou para 39,2% em 2005.

Galofre também abordou a questão da troca de civis seqüestrados pela guerrilha por rebeldes presos pelo governo, a relação do país com os Estados Unidos, as relações de parceria com o Brasil e a capacidade que a Colômbia possui para ser um agente de integração em todo o continente. “A Colômbia tem vocação para ser um país articulador entre os mercados do norte e os sul-americanos”, garante Galofre.

DIÁRIO – A presença do narcotráfico e das guerrilhas têm associado à imagem da Colômbia como um país violento, o que pode dificultar o potencial turístico. Quais as ações que o governo têm desenvolvido para mudar essa realidade?

MARIO GALOFRE - Desde a chegada do presidente Álvaro Uribe à presidência da República, a primeira coisa realizada foi o resgate da autoridade em todo o país, porque realmente a Colômbia estava muito na mão da subversão e do paramilitarismo e o governo tinha sido diminuído a uma mínima expressão. O presidente realizou um incremento da Força Pública, colocou aparatos em pequenos povoados e cidades e também resgatou a segurança nas rodovias e hidrovias. Depois fez uma série de caravanas pelo país convidando as pessoas a transitarem de novo, o que foi recuperando a confiança da população. Também foi iniciado um plano de colaboração para a cidadania com a Força Pública e com as autoridades para a delação dos delinqüentes. E isso deu muito resultado, que foi o envolvimento da população em colaboração com as autoridades. Hoje, a Colômbia conta com um dos menores indicadores de violência entre os países da América do Sul.

DIÁRIO – Onde a guerrilha está concentrada no país?

GALOFRE – A guerrilha tem se afastado para as fronteiras. Está praticamente na floresta amazônica, perto da Venezuela, Brasil e Equador.

DIÁRIO – O senhor acredita que hoje a Colômbia é um lugar seguro para o turista?

GALOFRE – Sem dúvida. Principalmente naqueles destinos que a Colômbia está promovendo como San Andrés, uma ilha caribenha, Cartagena, Bogotá, Medellín, Santa Marta, que também fica no Caribe e é um local de mergulho e de turismo ecológico e de aventura.

DIÁRIO – Recentemente, o presidente Álvaro Uribe disse que está disposto a aceitar um acordo razoável para a troca de civis seqüestrados pela guerrilha por rebeldes presos pelo governo. Como está a questão da libertação dos reféns. Isso é uma prioridade do governo Uribe?

GALOFRE – É uma prioridade sim. O presidente tem uma política de mão forte e de coração grande, como ele mesmo fala. Isso quer dizer que o governo está realmente em condições para disseminar e vencer a guerrilha, não deixando de lado a oportunidade de trocas de reféns.

DIÁRIO – A Colômbia também é considerada a grande aliada dos Estados Unidos na América do Sul, uma região em que governos chamados de esquerda se proliferaram nos últimos anos. O país é estratégico neste momento em que o governo Bush mostrou disposição de voltar os olhos novamente para o continente?

MARIO GALOFRE – A Colômbia sempre foi amiga dos EUA. Aliás, a Colômbia é o país da América do Sul mais próximo dos EUA e às vezes esta condição é mal compreendida pelos sul-americanos. Estamos em torno de uma bacia caribenha, que é um meio de comunicação natural entre os países caribenhos, os EUA e o México. Então, nós temos uma comunicação muito tradicional. O que o presidente falou é que a Colômbia tem vocação para ser um país articulador entre os mercados do norte e os mercados sul-americanos.

DIÁRIO – Por que o país é mal compreendido por causa da relação com os EUA?

GALOFRE – Eu acho que o país foi mal compreendido quando procurou ajuda internacional para arbitrar e combater o narcotráfico. Esse foi um apelo que a Colômbia fez nas Nações Unidas e o único país que respondeu imediatamente foi os Estados Unidos. E depois, pouco a pouco outros países também responderam. E acho que esta aliança foi mal interpretada por países sul-americanos e só agora estão entendendo que o problema do narcotráfico não é só um problema da Colômbia e sim uma questão internacional.

DIÁRIO – O senhor acha que a Colômbia tem condições de ser um articulador entre a América do Sul e os EUA?

GALOFRE – É a vocação que tem. Primeiro, temos de lembrar que a Colômbia tem em sua Constituição um mandato para ser um país que lute pela integração da América do Sul. Segundo, por que a Colômbia foi o primeiro país do continente que foi integrador, isso desde Símon Bolívar. Também foi na Colômbia onde se assinou o pacto andino que virou a Can (Comunidade Andina das Nações), que por 40 anos tem sido a aliança econômica mais estável da América do Sul.

DIÁRIO – As principais relações comerciais entre Colômbia e Brasil se resumem a investimentos mútuos no setor eletrônico, elétrico, de comunicações e na pecuária. Quais outras relações comerciais, o senhor destacaria?

GALOFRE – Possuímos também relações no setor metalúrgico. Temos na Colômbia investimentos do grupo Gerdau. Também no setor petroleiro, com investimentos da Petrobras.

DIÁRIO – Existe uma possibilidade para ampliar as parcerias? Em que áreas?

GALOFRE – A área siderúrgica é um dos segmentos mais atrativos. Nós produzimos carvão, o melhor do continente. Mas nós não temos minério de ferro. O Brasil tem minério de ferro, mas não tem carvão. É um setor onde há possibilidades de parcerias.

DIÁRIO – E a respeito de uma parceria para a troca de informações sobre o narcotráfico entre os dois países?

GALOFRE – Isso já existe e está dando bons resultados.

DIÁRIO – Os Estados Unidos já investiram US$ 3 milhões no plano Colômbia (criado em 2000 para combater a produção e o tráfico de cocaína no país). Quais são os principais resultados que essa política trouxe ao país?

GALOFRE – A diminuição das áreas de cultivo de narcóticos. Também a disseminação dos narcotraficantes.


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