Fechar
Publicidade

Sábado, 23 de Outubro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

Economia

economia@dgabc.com.br | 4435-8057

Contenção do crédito não freia inflação


Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

09/02/2011 | 07:03


As medidas tomadas pelo governo federal para conter o crédito no País não foram o suficiente para frear a inflação de janeiro. Segundo a gerente de pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Irene Machado, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) variou 0,83%. O resultado foi igual ao de novembro e maior desde abril de 2005.

No entanto, os efeitos da elevação da taxa básica de juros Selic, ocorrida no dia 20, aparecerão em fevereiro, analisou o coordenador das pesquisas de juros da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel Ribeiro de Oliveira.

"A elevação na Selic demora para ser percebida. Ainda mais com o mercado extremamente aquecido, os empregos lá em cima e a renda aumentando. Normalmente o resultado ocorre dois meses depois na ponta", explicou o especialista.

O professor de Teoria Econômica da USP (Universidade de São Paulo) e conselheiro do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia) Manuel Enriquez Garcia disse que alterações na Selic atingem a inflação dos bens de consumo duráveis, que não tiveram contribuição relevante para a pressão inflacionária do mês passado.

"Questões relacionadas à taxa de juros têm impacto na demanda por crédito para o consumo de TVs, móveis e veículos", afirmou o acadêmico.

O consultor econômico Andrei Bastos ressaltou que o IPCA de janeiro foi pressionado por efeitos sazonais. "Os preços dos alimentos e dos transportes pesaram muito no indicador." Para ele, como o consumo destes produtos não depende de crédito, por isso, o BC (Banco Central) não deve alterar a Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

Por nota, o professor Alcides Leite, que ministra aulas na Trevisan Escola de Negócios, concordou que a elevação no IPCA teve forte contribuição dos alimentos e transportes, que são sazonais.

Porém, o professor de Macroeconomia da FGV-EESP (Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), Rogério Mori informou que o BC deve aumentar a Selic na próxima reunião. "O patamar da inflação brasileira é relativamente alto", justificou por nota.

 

Quem manda no avanço dos preços são os alimentos

O bolso do consumidor ficou mais cheio em janeiro. Mas não foi de dinheiro, e sim de água. As chuvas tiveram grande contribuição para que a inflação do mês passado registrasse 0,83%. E esta alta no IPCA, apurada pelo IBGE, teve nome: produtos in natura. Este indicador aponta o avanço médio dos preços às famílias com renda de até 40 salários-mínimos em todo o País.

Somente o grupo alimentos e bebidas representou 0,27 ponto percentual no índice oficial de inflação. Esse aumento vem dos produtos in natura - frutas, legumes e verduras - que tiveram oferta prejudicada pelas chuvas.

Exemplo desta degradação é o preço do tomate. Para a gerente de pesquisas do IBGE, Irene Machado, o episódio ocorrido no ano passado se repete. "A inflação do tomate passou de 8,86%, em dezembro, para 27,11% em janeiro", disse.

Em janeiro de 2010, o tomate apresentou deflação de 13,7%. No entanto, os quase 40 dias de chuva seguidos no começo do ano passado impactaram no preço do produto nos meses seguintes. O encarecimento do fruto foi, em média, 17,2% em fevereiro. E em março, a alta chegou a 42%.

Irene afirmou que o grupo transporte foi a segunda maior contribuição da inflação de janeiro. O segmento avançou 1,55%, enquanto em dezembro a alta foi de 0,29%. "Este grupo contribuiu com 0,29 ponto percentual do IPCA. Somando aos alimentos e bebidas, representaram 67% do indicador no mês", explicou. E a alta de 4,13% no ônibus urbano foi o maior peso no grupo.

As visitas aos parentes em outros Estados também pesaram mais no bolso das famílias. Conforme o Banco de Dados Agregados Sidra (Sistema IBGE de Recuperação Automática), os ônibus interestaduais encareceram, em média, 3,6%. E as passagens aéreas subiram 6,2%.

Quem possui veículo flex - bicombustível - teve a chance de escolher o melhor custo-benefício. Mas quem dirige automóvel a álcool percebeu alta média de 3,7% no produto, enquanto a gasolina subiu 0,6%.

 

Roupas agridem menos o bolso do consumidor

De acordo com a gerente de pesquisas do IBGE, Irene Machado, o consumidor sofreu menos para comprar roupas em janeiro.

O grupo vestuário passou de inflação de 1,34% em dezembro para 0,12% no mês passado.

"Este efeito ocorreu principalmente pelas promoções. Estamos em período de mudança de coleções", explicou a pesquisadora.

E o produto com maior deflação foi justamente um dos mais procurados entre novembro e janeiro. A roupa feminina de banho apresentou variação negativa de 2,2%.

SÃO PAULO - a Região Metropolitana, a inflação ficou acima do índice nacional, com 0,88%.

Porém o grupo vestuário correu por baixo da média do País, com 0,11%. A maior queda no segmento foi no preço da bolsa, de - 2,2%.



Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;