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Deputados federais deixam R$ 11 milhões debaixo do colchão


Alceu Luís Castilho
Especial para o Diário

16/02/2007 | 22:08


É como nos tempos em que não se preocupava com inflação. O deputado Jofran Frejat (PTB-DF) declarou R$ 1,3 milhão em espécie à Justiça Eleitoral – fora as aplicações bancárias. Nada menos que 77 entre os que tomaram posse no dia 1º de fevereiro fizeram declarações semelhantes, num total de mais de R$ 11 milhões em cofres, ‘em poder do declarante’, ‘em moeda corrente’, ‘dinheiro na residência’ ou descrições parecidas.

Entre esses 77 deputados, 33 mantêm mais de R$ 100 mil longe de agências bancárias, perfazendo R$ 9,3 milhões de R$ 11 milhões. Oito (24%) são paulistas. Reinaldo Nogueira (PDT) é o segundo da lista, declarando ter R$ 785 mil em sua residência em 31 de dezembro de 2005. Arnaldo Faria de Sá (PTB) declarou R$ 320 mil ‘em poder do declarante’.

Não se tratam de quantias baixas, portanto. Apenas três deputados declararam possuir em espécie cifras inferiores a R$ 10 mil; outros cinco, valores inferiores a R$ 20 mil. Nada menos que 49 entre os 77 deixaram de investir em bancos ou outras aplicações quantias superiores a R$ 50 mil.

Somente um deputado tem motivos evidentes para guardar dinheiro em casa: o fluminense Manoel Ferreira (PTB) é dono de uma coleção de moedas e cédulas antigas, R$ 70 mil. Motivos numismáticos à parte, a prática de guardar o dinheiro no colchão não costuma ser citada por especialistas entre os investimentos mais recomendados – ou muito pelo contrário.

CONTAS NO EXTERIOR
Apenas quatro deputados afirmaram possuir contas no Exterior. A mais famosa delas é a de Silvia Maluf, confirmada na declaração de bens entregue pelo marido Paulo Maluf (PP-SP) ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral). A conta no Banco Caisse Régionale de Crédit Agricole em Paris atinge R$ 6 milhões. Maluf segue negando ter alguma conta em seu nome no Exterior, apesar das investigações a respeito.

Herdeiro político de um desafeto histórico de Maluf, o deputado Brizola Neto (PDT-RJ) possui uma conta no Uruguai – onde seu avô viveu durante o exílio. Ele tem R$ 252 mil numa conta do BBVA em Montevidéu. Outro parlamentar fluminense, Arolde de Oliveira (PFL), possui R$ 388 mil em dólar “no Exterior”, no Citibank, mas não especificou o país.

A quadra é completada por outro paulista, Régis de Oliveira (PSC), prefeito-relâmpago de São Paulo durante a gestão de Celso Pitta – outro velho conhecido de Maluf. Ele possui US$ 26 mil no banco UBS, nos Estados Unidos. Oliveira também foi um dos únicos a declararem dólares em mãos, no caso R$ 80 mil em dinheiro e cheques de viagem.

A ausência de contas fora do Brasil chama a atenção, num ambiente povoado por milionários que volta e meia viajam para o Exterior. A série ‘Câmara Bilionária’, iniciada segunda-feira, mostra que 503 deputados (não há dados sobre 10 parlamentares) reúnem uma fortuna de R$ 1,25 bilhão, maior que o orçamento anual de Roraima. Os principais investimentos comuns são os empresariais, seguidos dos imóveis urbanos e imóveis rurais.

O dinheiro em instituições financeiras ou em espécie fica em quarto lugar, à frente dos veículos. No total, os 503 parlamentares guardam ou investem em bancos/ações uma soma de R$ 112 milhões. A reportagem não levou em conta os suplentes – vários deputados já deixaram o cargo, principalmente para assumir secretarias de Estado.

NOS BANCOS

Entre os R$ 112 milhões em dinheiro ou aplicações, R$ 64 milhões estão concentrados em 72 itens de pelo menos R$ 200 mil cada um, conforme a declaração entregue pelos deputados. Desse total, R$ 50,8 milhões distribuem-se em apenas 33 itens, encabeçados pelo deputado Sandro Mabel (PTB-GO). Ele possui R$ 9,5 milhões em “créditos, saldos bancários e aplicações”.

Em seguida vem o baiano Paulo Magalhães (PFL), com R$ 9 milhões em renda fixa no Bradesco, e a conta parisiense de Silvia Maluf. Dois potiguares da família Maia (João e Felipe) possuem contas, respectivamente, no Citibank e Sudameris, na faixa dos R$ 3 milhões e R$ 2 milhões. Outros seis deputados declararam investimentos na casa do milhão.

Os fundos DI foram especificados 11 vezes entre as aplicações superiores a R$ 200 mil, principalmente no Banco do Brasil, onde os deputados costumam receber os salários. Em segundo lugar vem o Bradesco. Poucos deputados apostam na poupança. Nessa faixa de valores, somente o professor Ruy Pauletti (PSDB-RS) fez esse tipo de investimento, com R$ 201 mil.

Aplicar em ações também não é uma prática comum entre os parlamentares. Uma exceção é o maranhense Pedro Novais (PMDB), que declarou, entre outros, um investimento de R$ 1,3 milhão na Arcelor e um de R$ 631 na Gerdau.


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