Terceirização Prefeito eleito de Sto.André, Paulo Serra critica andamento de concessão do serviço a Odebrecht

O prefeito eleito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), sustentou que o atual governo, chefiado por Carlos Grana (PT), “não tem legitimidade para dar prosseguimento a projeto tão estratégico” como o processo de privatização do serviço de gerenciamento de água e esgoto da cidade, 48 horas depois do resultado das urnas, no qual o petista saiu derrotado na disputa da reeleição – o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) aprovou proposta técnica da Odebrecht Ambiental. “É lamentável, não pelo modelo ou formato (do plano), mas pela falta de compromisso, é desrespeito com os munícipes. Estava paralisado há um semestre (sua tramitação). Isso não cabe mais na política. Não dá para admitir essa situação ao apagar das luzes, na calada da noite.”
O tucano considerou que o andamento da terceirização “é divisor de águas” ao pontuar, inclusive, que o processo se dá “sem transparência”. “Não estamos colocando em xeque a licitude ou se é a melhor proposta. Até porque hoje não temos dados apurados do que, na prática, isso vai significar. Poderia muito bem ser pauta da transição, que vai iniciar na segunda-feira”, disse, ao citar que estudará medidas para interromper eventual contrato. “Temos esperança que o processo seja revisto. Seria irresponsabilidade levar essa situação adiante.”
Pelo edital, sob tutela do Semasa, o valor estipulado do contrato é de R$ 598,7 milhões pelo período de 35 anos. A administração petista publicou que a Odebrecht foi a única classificada. A empresa tem parceria semelhante com o Paço de Mauá, autorizada pelo prefeito Donisete Braga (PT). Paulo alegou que existem informações de que o serviço é “mal avaliado” na cidade vizinha. “Recebi relatos de que houve aumento na taxa de esgoto, além de descumprimento do item (do contrato) que trata do investimento na modernização da rede de distribuição.”
O vereador Donizeti Pereira (PV) alegou que, diante do cenário, “o processo acaba soando como outras coisas”, tendo em vista o cenário político nacional, envolvendo o nome da empresa. “Passar para a Odebrecht 25% da água? Vejo com decepção, esperava outra postura. Aguardamos que não venham outras surpresas, pacote de maldade, pois quase 80% da cidade já disseram ‘não’ à atual gestão. Da minha parte, quero questionar a legalidade”. Ailton Lima (SD) pontuou também que a escolha levanta “muita suspeita”. “Por que não fizeram antes, com clareza? O governo atual não tem condições políticas para tratar do processo. Maciçamente reprovado. E não é legal fazer trato com inquilino que está sendo despejado.”
Tucano define comissão de transição, que inicia segunda
Eleito para comandar o Paço de Santo André a partir de 2017, o ex-vereador Paulo Serra (PSDB) acertou com o atual governo do prefeito Carlos Grana (PT) o início dos trabalhos do processo de transição para segunda-feira. A requisição do encontro para troca de dados oficiais foi protocolada ontem na Prefeitura.
A equipe do tucano será encabeçada por Leandro Petrin, ex-diretor da SATrans e que atuou no corpo jurídico da campanha. A formação contabiliza ainda Ana Claudia Cebrian Leite, técnica jurídica do prefeiturável desde a época de Câmara, e Ajan Marques de Oliveira, empresário e que estava fora do cenário eleitoral.
“É equipe enxuta, só que suficiente neste momento. O mais urgente é tratar Orçamento e questão da água”, disse Paulo. Ajan é a única surpresa do time. Ele já ocupou cargo de superintendente do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) na gestão de Newton Brandão, de 1992 a 1996. Chegou a ser pré-candidato a prefeito em 2008, pelo PDT. A sigla, no entanto, recuou do projeto.
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