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Com a palavra, a pantera


Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

12/10/2008 | 07:03


É bem difícil diferenciar Maria Alice Vergueiro da senhora que fumava uma substância em um cachimbo no vídeo que foi febre do YouTube em 2005. Brechtiana que é, acha o mesmo. "O Antonio Abujamra me perguntou se eu fumava mesmo maconha. Respondi que fumava todos os dias havia 30 anos. Ele retrucou, pedindo para eu responder, e não a personagem. E eu repeti (...). Essas coisas revolucionam o papel do ator. A Maria Alice sempre chega primeiro", afirma no recém-lançado Tapa na Pantera na Íntegra - Uma Autobiografia Não Autorizada (Ficções Editora, 112 páginas, R$ 24,90).

Sim, a atriz que fez parte do Teatro Oficina, é desbocada e radicalmente fora dos padrões da família paulistana tradicional e conservadora na qual foi criada. Separou-se do marido, com quem teve dois filhos, quando resolveu estudar. Fez Pedadogia na USP e lecionou por mais de 16 anos, inclusive numa passagem polêmica pela ECA (Escola de Comunicação e Artes), onde foi professora de Cacá Rosset, com quem montou o Teatro do Ornitorrinco, no fim dos anos 1970.

O estilo franco se reflete no texto, direto e por vezes muito engraçado. Família, carreira, ditadura, trabalhos. Maria Alice confessa de peito aberto.Quando assumiu de vez a carreira, a atriz deixou os filhos aos cuidados da mãe. Mas sempre se sentiu dividida; "Para minha família, eu era considerada louca. Lá no Teatro Oficina, algumas pessoas me viam como uma burguesa. Era uma luta constante", relata.

Hoje, aos 73 anos, Maria Alice vive ao lado da mãe, de 95, no apartamento da família. Se locomove com dificuldade por conta da artrose nos joelhos e tem Mal de Parkinson. Diz não ter dinheiro e vendeu jóias da família para comprar o computador em que aprendeu a navegar para alimentar um blog. A família se dividiu após a explosão de Tapa na Pantera. O filho e alguns netos adoraram, a filha não gosta até hoje.

Na carona do sucesso, ganhou seu segundo papel na Globo em O Sistema, em 2007 (o primeiro foi em Sassaricando, em 1988). Não gostou. "Fui convidada para um banquete, mas ele não saiu."

Trechos

"Por mais quanto tempo darei para o gasto? Mas saúde é lucidez. Porém já não penso na Copa de 2014. Queria muito ser convidada agora por uma garotada para fazer um On the Road com eles... Meu espírito pede isso. Mas meu corpo não agüentaria. Por isso eu digo: em algum lugar estou velha. A morte está por aí. Dia desses pensei em minha própria morte. Imaginei algo como morrer de uma bala perdida. Algo assim repentino, sem lamúrias, no meio da rua, atrapalhando o trânsito. Uma bela despedida."

"Tive algumas boas experiências sexuais. Mas elas não foram assim imediatas. Porque não dava para, de repente, eu mudar meus hábitos sexuais sem constrangimentos. Cheguei a forçar a barra, porque buscava um autoconhecimento que não podia mais ser só intelectual. Tinha que radicalizar e chegar no corpo, na maneira de se relacionar com o outro. Dormíamos todos juntos. Tinha uma coisa fraternal e muito mais autêntica nisso tudo. Mas um pouco embaraçosa para mim. Eu fugia da hora de dormir... ‘Ai, meu Deus, está chegando a hora...' Essa nova forma chamava-se ‘suruba"

"Na Globo, encontrei um ‘não artístico'. No meu último dia de gravação (em O Sistema), quando já estava totalmente decepcionada, eu peguei um daqueles carrinhos elétricos para ir embora do set e dei um tchau para todo mundo. O carrinho ia passando e as pessoas começaram a me aplaudir. (...) Eu me emocionei. Esses aplausos foram puxados pelo pessoal da técnica. Eu senti que foram aplausos verdadeiros, quase que lhes passei um baseado."

"O importante é não achar que velhice é doença. Porque muitas pessoas acham... Há pessoas que me fazem ter 18, 20 anos. Essas relações parecem ser eternas."



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