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Regina Maura diz não ser a sucessora de Auricchio

Osvaldo Ventura/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Beto Silva
Do Diário do Grande ABC

12/04/2009 | 07:16


A ex-secretária de Saúde de São Caetano, Regina Maura Zetone, tem trajetória semelhante à do atual chefe do Executivo, José Auricchio Júnior (PTB). Foi braço-direito do petebista quando ele ainda era diretor da mesma Pasta que Regina viria a ocupar após a primeira eleição de Auricchio para administrar a cidade, em 2005.

Hoje, Regina Maura subiu um degrau na confiança do prefeito - é assessora Especial de Coordenação de Ações Sociais - e mantém discurso afinado ao plano de governo proposto pelo petebista na campanha eleitoral de 2008, que o levou à reeleição. Apesar dos atributos soprarem para que seja a sucessora de Auricchio em 2012, a médica não está disposta a ser a candidata do grupo governista ao Palácio da Cerâmica no próximo pleito municipal. "Nunca pensei nisso, todos falam, brincam, mas não tenho esse tipo de ambição."

Regina Maura ressalta que deixou a área de Saúde num bom patamar, mas alguns projetos terão de ser colocados em prática pela nova comandante do setor, Helaine Balieiro de Souza. "Ainda falta algo a ser melhorado, como a Saúde Mental, mais unidades básicas por fazer, ampliar o Programa Saúde da Família..." enumera a interlocutora, que evita o rótulo de supersecretária. Na atual função, a qual exerce há pouco mais de três meses, Regina Maura ressalta que o principal avanço até o momento foi formar uma associação de moradores de um imóvel no Bairro Fundação, com o objetivo de regularizar a documentação e dar dignidade às famílias que lá residem.

Em entrevista exclusiva ao Diário, a médica fala sobre a falta de fornecimento de remédios pela qual a cidade passou nos últimos meses, critica algumas entidades que não cumprem seu papel social, frisa que São Caetano tentará participar do projeto do governo federal que prevê a construção de 1 milhão de casas populares e afirma que o sucesso no novo desafio profissional será alcançado porque não olha o próprio umbigo. "Eu tenho de olhar para vários umbigos."

DIÁRIO - A sra. deixou a Saúde pronta ou faltou algo para ser concluído?
REGINA MAURA - Sempre falta alguma coisa. A Saúde nunca vai estar 100%. Quando você acha que já atingiu um patamar, a demanda já cresceu, outros problemas aparecem. E quando há melhor qualidade na prestação de serviço a tendência é haver mais busca por parte da população. Ainda falta algo a ser melhorado, como a Saúde Mental, mais unidades básicas por fazer, ampliar o PSF (Programa Saúde da Família)...

DIÁRIO - Já se adaptou à atual função de assessora?
REGINA MAURA - O prefeito Auricchio queria aproximar as áreas para solucionar casos de crianças e adolescentes com uma equipe multidisciplinar, com vários elementos da sociedade para formatar algo na política de inclusão social. Ele imaginou uma pessoa que pudesse integrar as secretarias, numa assessoria direta para ajudá-lo. Criou o cargo e conversou comigo. São necessárias ações para colocar todos os projetos existentes em funcionamento e, para isso, também é preciso buscar verbas federais. Deixei um cargo executivo para trabalhar mais no assessoramento e coordenar políticas, um cargo mais político.

DIÁRIO - Quais os avanços até o momento em sua nova função?
REGINA MAURA - Um dos principais resultados diz respeito a um imóvel no Bairro Fundação, invadido há mais de 30 anos, que tem forte risco social, onde moram 72 famílias. Formamos uma associação de moradores e pretendemos acionar o Estado para assessoramento sobre como fazer para tentar tirar as famílias daquele local. Mas não é só isso neste caso. Entramos na Secretaria de Obras, na de Emprego... Temos de avançar ainda na formalização do contrato de gestão para o cumprimento de metas nas secretarias, propondo que os funcionários sejam gratificados conforme os objetivos forem sendo alcançados, para motivação dos servidores e consequente melhora nos serviços prestados. Vamos começar pela Saúde, porque estou melhor ambientada.

DIÁRIO - Como a sra. lida com ego, já que se trata de um posto político e de relação com diversas outras pessoas com poder de decisão?
REGINA MAURA - Tenho muita facilidade de lidar com pessoas. Formei-me médica, gosto de me relacionar, sei muito bem me relacionar, sei falar não, a forma como falar, sem ofender ou magoar. Fiz muitos cursos de gestão de recursos humanos e tenho amizade de muitos anos com a maioria dos secretários. E eles sabem que não estou querendo nada para mim. Eu não olho para o meu umbigo, eu tenho de olhar para vários umbigos. Para promover a inclusão social, todas as Pastas têm de estar funcionando em sinergia para que os resultados sejam ainda melhores. É um processo conjunto.

DIÁRIO - Um dos projetos que sua assessoria deve tocar é o da Habitação. Há interesse da Prefeitura em buscar recursos dentro do programa recém-lançado pelo governo federal de construção de 1 milhão de casas populares?
REGINA MAURA - Sim. Todos os convênios são com a Caixa Econômica Federal. Vamos falar com o gerente da caixa na cidade para que possa encaixar os programas para São Caetano receber verbas. A Prefeitura ainda tem alguns terrenos com algo construído, que podem ser mudados de local.

DIÁRIO - Qual é a grande carência da área social de São Caetano: o menor ou o idoso?
REGINA MAURA - Em número temos muito mais idosos que precisam de atenção, mas também temos menores que necessitam de ressocialização. Acho que o grande trabalho mesmo é com a família. O vínculo familiar é o principal responsável pelo equilíbrio da pessoa. Isso seria também uma responsabilidade da Prefeitura. Hoje há menores infratores, ou usuário de drogas, porque eles têm um lar em desequilíbrio.

DIÁRIO - A sra. assumiu essa função de integradora no momento em que a cidade passou por falta de distribuição de remédio, crise econômica... Que tipo de assessoria pode prestar sendo que a Saúde é o ‘calcanhar de Aquiles' de qualquer prefeitura?
REGINA MAURA - No fim de outubro do ano passado, a Home Care foi completamente lacrada. A partir daí paramos de receber medicamentos, depois voltou de uma forma regular, pois ainda havia estoque, mas imediatamente abrimos processo licitatório no mês de novembro. Do que poderia ter acontecido não aconteceu nem 1%. Poderia ter entrado em desespero, rompido o contrato na hora, mas fomos na calma e na paciência. O contrato estava para vencer (em meados de dezembro). Fizemos uma espécie de escambo entre os municípios, e quem nos socorreu também foi o Hospital Estadual Mário Covas. A Fumusa (Fundação Municipal de Saúde, com orçamento de R$ 14 milhões em 2009) também comprou suprimentos. Então, foram várias pequenas ações para conseguir sanar o problema. E ainda verificamos que as empresas vencedoras dos lotes que abrimos não tinham capacidade de entregar todos os remédios. A entrega ainda é demorada. Faremos um planejamento de estoque interno para não sofrermos mais problemas. Daqui a seis meses haverá nova licitação. Agora com um pouco mais de calma, para termos mais garantia. Não existe a competência de logística e estoque que a Home Care. E isso ninguém vai ter a curto e médio prazo. Tínhamos prontidão.

DIÁRIO - No caso do Irmão Alexandre, uma creche que teve problemas financeiros e ameaçou fechar as portas, a Prefeitura assumiu o funcionamento. Não havia outra solução?
REGINA MAURA - Realmente a administração assumiu totalmente e vai continuar, não tem como.

DIÁRIO - É certo, a cada problema que vai despontando, a Prefeitura assumir?
REGINA MAURA - O poder público não é o único responsável por todos os problemas que acontecem na cidade. Para isso existem clubes de serviços, associações e órgãos que trabalham para o avanço da sociedade. A administração acaba disponibilizando, por convênio, mão de obra, medicamentos, subsídios anuais... A Prefeitura procura ajudar da melhor forma, mas também existe uma gestão própria dessas entidades, que tem de ser competente. O terceiro setor é importante, não podemos abrir mão disso. Mas elas têm de cumprir seu papel.

DIÁRIO - E as entidades estão cumprindo seu papel?
REGINA MAURA - Existe uma equipe da Prefeitura completa, multidisciplinar, que uma vez por semana visita todas as instituições de longa permanência. Há fiscalização para ver o que existe de irregularidade, orientar e tentar corrigir. Se for ver com bastante rigor, nenhuma cumpre todas as determinações que deveriam. Que culpa o poder público tem se alguns estabelecimentos cobram das pessoas e não dão a assistência necessária?

DIÁRIO - A sra. vai dar sequência ao trabalho do prefeito Auricchio? É uma sucessora natural?
REGINA MAURA - Acredito que não. Nunca pensei nisso, todos falam, brincam, mas não tenho esse tipo de ambição. Sou estritamente técnica, tenho capacidade de falar e lidar com as pessoas, gosto disso, tenho formação, mas não tenho nenhum tipo de pretensão política.

DIÁRIO - Nem se houver convite do grupo?
REGINA MAURA - A gente nunca deve pensar isso. Não estou esperando esse convite. Para ser convidada, a pessoa tem de estar envolvida nisso. Não estou me propondo a isso, não é minha proposta, não é minha finalidade.



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