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Choro se aprende na escola


Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

07/05/2005 | 13:12


Ao falar das motivações que o conduziram à militância pela preservação do chorinho, o maestro Marcos Murillo de Almeida Passos expressa-se com ufanismo próximo ao de um Policarpo Quaresma. Coordenador da Escola Nacional do Choro de São Bernardo, o músico elegeu o gênero musical como um signo da resistência ao colonialismo cultural do Brasil, “que está debaixo do nosso nariz, na nossa porta, com a Rede Globo na TV e essa cultura de shopping center que não é nossa”. Esse levante a favor do orgulho nacional está no cerne da fundação da escola, que desde outubro de 2004 ministra uma oficina profissionalizante no município, e prepara-se para apresentar parte de seus esforços nos próximos dias 11 e 25, na Câmara de Cultura Antonino Assumpção, com as edições inaugurais do Choro ao Meio-dia.

Com aulas gratuitas, a Escola Nacional do Choro de São Bernardo gaba-se de ser a segunda do gênero no país, na esteira da pioneira, mantida em Brasília. É um projeto idealizado pela ONG (Organização Não-Governamental) International Brazilian Heart e bancado pelo Departamento de Ações Culturais, subordinado à Secretaria de Educação e Cultura do município. Hoje, em suas fileiras, estão matriculados cerca de 70 alunos, que têm se enturmado com as minúcias técnicas do violão, do bandolim, do clarinete, da flauta, do cavaquinho e da percussão.

“Olhe, vamos deixar uma coisa bem clara: essa oficina não é terapia ocupacional”, alerta Passos, incomodado pelo conceito de que curso financiado por prefeitura não passa de iniciativa para preencher o tempo vago dos cidadãos. Sua advertência vem envolta pelo caráter profissionalizante da oficina; uma de suas ações é o Circuito Cultural do Choro, que encaminha os alunos que adquiriram um certo conhecimento da causa para apresentações em casas noturnas e outros espaços do Grande ABC – o Choro ao Meio-dia é uma delas.

A pretensão da escola é fazer irradiar o chorinho pelo país e, quem sabe, pelo mundo a longo prazo. Pelo menos, é essa a finalidade teórica da Brazilian Heart: conservar o patrimônio artístico brasileiro e, num segundo instante, exportá-lo como parte do RG cultural da nação. “Podem achar que queremos atirar pedra na lua, porque ainda estamos engatinhando no projeto. Mas já pensou que chique chegar lá fora e mostrar o chorinho feito aqui em São Bernardo, e no resto do país, como uma peça de resgate da identidade do brasileiro?”.

Esse afã de advogar em prol do chorinho como expressão legítima do país começou lá atrás, em 1993, quando Passos ingressou na equipe da Universidade Livre de Música Tom Jobim. Saiu do sério ao perceber que, nos estudos de prática de conjunto, havia uma tendência dos alunos em se tornarem “paga-pau de europeu e americano”, ao se entregarem à música erudita de procedência gringa. “Assim não dá, o povo fica com a auto-estima zerada mesmo”.

O maestro credita essa inclinação em direção ao “primeiro mundo musical” à falta de material didático, documentado, de obras genuinamente brasileiras destinadas à prática em conjunto – para a posterior formação de grupos de câmara. Passou a escrever arranjos que se avizinhassem dos gêneros nacionais e o chorinho tomou a liderança nas partituras, para compensar a carência de material então detectada pelo professor. Parte desse acervo de composições e arranjos, inédito, tem proveito também na oficina de São Bernardo.

Sustentada por um corpo docente de seis professores, a oficina não exige idade específica tampouco experiência prévia com os instrumentos. Seus ensaios são realizados no Parque Cidade de São Bernardo, à avenida Kennedy, e os interessados podem buscar informações junto ao Departamento de Ações Culturais (tel.: 4123-8083). n

Choro ao Meio-dia – Show com os integrantes da Oficina de Chorinho de São Bernardo. Dias 11 e 25, às 12h. Na Câmara de Cultura Antonino Assumpção – r. Marechal Deodoro, 1.325, São Bernardo. Tel.: 4125-0054. Entrada franca.



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Choro se aprende na escola

Cássio Gomes Neves
Do Diário do Grande ABC

07/05/2005 | 13:12


Ao falar das motivações que o conduziram à militância pela preservação do chorinho, o maestro Marcos Murillo de Almeida Passos expressa-se com ufanismo próximo ao de um Policarpo Quaresma. Coordenador da Escola Nacional do Choro de São Bernardo, o músico elegeu o gênero musical como um signo da resistência ao colonialismo cultural do Brasil, “que está debaixo do nosso nariz, na nossa porta, com a Rede Globo na TV e essa cultura de shopping center que não é nossa”. Esse levante a favor do orgulho nacional está no cerne da fundação da escola, que desde outubro de 2004 ministra uma oficina profissionalizante no município, e prepara-se para apresentar parte de seus esforços nos próximos dias 11 e 25, na Câmara de Cultura Antonino Assumpção, com as edições inaugurais do Choro ao Meio-dia.

Com aulas gratuitas, a Escola Nacional do Choro de São Bernardo gaba-se de ser a segunda do gênero no país, na esteira da pioneira, mantida em Brasília. É um projeto idealizado pela ONG (Organização Não-Governamental) International Brazilian Heart e bancado pelo Departamento de Ações Culturais, subordinado à Secretaria de Educação e Cultura do município. Hoje, em suas fileiras, estão matriculados cerca de 70 alunos, que têm se enturmado com as minúcias técnicas do violão, do bandolim, do clarinete, da flauta, do cavaquinho e da percussão.

“Olhe, vamos deixar uma coisa bem clara: essa oficina não é terapia ocupacional”, alerta Passos, incomodado pelo conceito de que curso financiado por prefeitura não passa de iniciativa para preencher o tempo vago dos cidadãos. Sua advertência vem envolta pelo caráter profissionalizante da oficina; uma de suas ações é o Circuito Cultural do Choro, que encaminha os alunos que adquiriram um certo conhecimento da causa para apresentações em casas noturnas e outros espaços do Grande ABC – o Choro ao Meio-dia é uma delas.

A pretensão da escola é fazer irradiar o chorinho pelo país e, quem sabe, pelo mundo a longo prazo. Pelo menos, é essa a finalidade teórica da Brazilian Heart: conservar o patrimônio artístico brasileiro e, num segundo instante, exportá-lo como parte do RG cultural da nação. “Podem achar que queremos atirar pedra na lua, porque ainda estamos engatinhando no projeto. Mas já pensou que chique chegar lá fora e mostrar o chorinho feito aqui em São Bernardo, e no resto do país, como uma peça de resgate da identidade do brasileiro?”.

Esse afã de advogar em prol do chorinho como expressão legítima do país começou lá atrás, em 1993, quando Passos ingressou na equipe da Universidade Livre de Música Tom Jobim. Saiu do sério ao perceber que, nos estudos de prática de conjunto, havia uma tendência dos alunos em se tornarem “paga-pau de europeu e americano”, ao se entregarem à música erudita de procedência gringa. “Assim não dá, o povo fica com a auto-estima zerada mesmo”.

O maestro credita essa inclinação em direção ao “primeiro mundo musical” à falta de material didático, documentado, de obras genuinamente brasileiras destinadas à prática em conjunto – para a posterior formação de grupos de câmara. Passou a escrever arranjos que se avizinhassem dos gêneros nacionais e o chorinho tomou a liderança nas partituras, para compensar a carência de material então detectada pelo professor. Parte desse acervo de composições e arranjos, inédito, tem proveito também na oficina de São Bernardo.

Sustentada por um corpo docente de seis professores, a oficina não exige idade específica tampouco experiência prévia com os instrumentos. Seus ensaios são realizados no Parque Cidade de São Bernardo, à avenida Kennedy, e os interessados podem buscar informações junto ao Departamento de Ações Culturais (tel.: 4123-8083). n

Choro ao Meio-dia – Show com os integrantes da Oficina de Chorinho de São Bernardo. Dias 11 e 25, às 12h. Na Câmara de Cultura Antonino Assumpção – r. Marechal Deodoro, 1.325, São Bernardo. Tel.: 4125-0054. Entrada franca.

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