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Charlie Brown Jr. lança CD com 25 novas músicas


Cláudio Luis de Souza
Da Redaçao

06/06/1999 | 17:33


Há mais ou menos dois anos, foi lançado o disco Transpiraçao contínua prolongada, estréia em CD da banda santista Charlie Brown Jr. A crítica torceu o nariz. O tratamento foi o que geralmente cabe às bandas derivativas e que, ainda por cima, escrevem letras chulas e panacas, como a de Gimme o anel (nao vale a pena transcrevê-la), ou somente panacas, como a de Proibida pra mim(idem).   

Mas as cançoes grudentas do Charlie Brown caíram na boca da molecada - quem vai a show deles e tem mais de 25 anos é tio. O grupo se transformou num sucesso e vendeu mais de 250 mil cópias do Transpiraçao, além de ter realizado mais de uma centena de shows em todo o Brasil desde o lançamento do CD - e tudo isso passando muito longe de possuir um megaesquema promocional como, por exemplo, possui o Jota Quest, que aparece até em filme da Angélica.   

A figura desencanada de Chorao (skatista, cabelo supostamente ensebado, roupas street) virou ícone para uma garotada que também idolatra Raimundos, mas já desconfia de Paralamas, Barao e quetais - e virou também modelo, na medida em que pode ensejar na turma pensamentos do tipo "poderia ser eu lá em cima do palco".   

Tanto sucesso e, principalmente, uma apresentaçao antológica no Close-Up Planet de 1996, na qual Chorao cantou sentado devido a uma lesao numa perna, tornaram impossível ignorar o Charlie Brown - mas também ficou mais fácil curti-los e respeitá-los porque as FMs passaram a martelar uma boa música do grupo, Quinta-feira (aparentemente sobre cocaína), uma daquelas cançoes que podem ficar despercebidas na audiçao de um disco que já tem quatro hits nas rádios, mas que, ouvindo bem, sao definidoras dos rumos de uma banda. E a pergunta rolava: por que o Charlie Brown nao pode ser mais Quinta-feira e menos Gimme o anel, hein?   

O novo CD do grupo é uma resposta a isso: nada impede o Charlie Brown de ser melhor do que já foi. Preço curto, prazo longo acaba de chegar às lojas em meio a um desastre promocional em termos de imprensa escrita - nada de entrevistas, nem ao menos uma foto de divulgaçao junto com o CD, release pouco inspirado etc. - mas surfando outra vez a onda do sucesso radiofônico, com o single Zóio d lula (é assim mesmo que escreve), executada dia e noite nas rádios que ainda nao viraram gospeleiras ou pagodeiras.   

O disco nao é duplo, mas tem 25 faixas. Segundo consta, a maioria dessas composiçoes já estava nos arquivos do Charlie Brown havia algum tempo. Muitas faixas têm menos de dois minutos, várias têm entre dois e três, poucas passam dos três e vao até quatro ou cinco.   

Essa configuraçao faz pensar uma coisa, para além da presunçao dos rapazes em imaginar que nós realmente queremos e podemos ouvir 25 faixas de qualquer disco: para eles é muito fácil fazer música.   

E música de boa qualidade - mais Quinta-feira, menos Gimme o anel. Há muitas letras bem resolvidas no CD; a temática pode ser adolescente ou até pirralha, mas a maneira de tratá-la amadureceu. E cabe observar que os músicos sao muito bons. Fazia tempo nao se ouvia guitarras tao bem tocadas e originais como as conduzidas por Thiago e Marcao - e olhe que estamos falando de um grupo que tem hardcore e ska como matrizes, gêneros que podem ser limitantes em alguns aspectos.   

Obviamente, os vários pontos altos de Preço curto, prazo longo deixam claro que seria muito mais legal ter em maos um CD menos extenso, que receberia cotaçao ótima de qualquer crítico que se preze. Mas os caras nao quiseram assim.   

O fato é que, muito rapidamente, você vai descobrir seu próprio Greatest hits dentro de Preço curto, prazo longo. Aqui vai a sugestao do Diário: Zóio d lula (faixa 2), a única cançao de memória recente que tem três possíveis refroes ("Meu escritório é na praia...", "Deixe viver, deixe ficar" e "Os dias passam, horas se estendem..."), isso quando a maioria das bandas funde a cuca para achar um único gancho para suas composiçoes; Resolve o meu problema aí (faixa 3), um hardcore mixado a ska com show de guitarras; Te levar (faixa 4), hardcore pop meigo para a namorada de Chorao que simplesmente inutiliza o Green Day; O preço (faixa 6), uma simpática cópia descarada de Capítulo 4, versículo 3 dos Racionais; Nao deixe o mar te engolir (faixa 7) funk-metal típico que suga Freedom, do Rage Against The Machine; Hoje de noite (faixa 8), semibalada grunge (à la Come as you are); Uniao (faixa 11), delírio mano com os rappers Homens Crânio; Mantenha a dúvida (faixa 14), hardcore melódico fantástico e quase épico; A grande volta (faixa 18), que revisita os hits do disco anterior e deve ser o próximo single; e 12 + 1 (faixa 20), gangsta rap com P.MC e DJ Deco Murphy, colegas de Virgin.   

Sao dez faixas. Isso nao quer dizer que as outras 15 sao ruins - o termo supérfluas cai melhor. E um cínico diria que é melhor sobrar do que faltar.



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Charlie Brown Jr. lança CD com 25 novas músicas

Cláudio Luis de Souza
Da Redaçao

06/06/1999 | 17:33


Há mais ou menos dois anos, foi lançado o disco Transpiraçao contínua prolongada, estréia em CD da banda santista Charlie Brown Jr. A crítica torceu o nariz. O tratamento foi o que geralmente cabe às bandas derivativas e que, ainda por cima, escrevem letras chulas e panacas, como a de Gimme o anel (nao vale a pena transcrevê-la), ou somente panacas, como a de Proibida pra mim(idem).   

Mas as cançoes grudentas do Charlie Brown caíram na boca da molecada - quem vai a show deles e tem mais de 25 anos é tio. O grupo se transformou num sucesso e vendeu mais de 250 mil cópias do Transpiraçao, além de ter realizado mais de uma centena de shows em todo o Brasil desde o lançamento do CD - e tudo isso passando muito longe de possuir um megaesquema promocional como, por exemplo, possui o Jota Quest, que aparece até em filme da Angélica.   

A figura desencanada de Chorao (skatista, cabelo supostamente ensebado, roupas street) virou ícone para uma garotada que também idolatra Raimundos, mas já desconfia de Paralamas, Barao e quetais - e virou também modelo, na medida em que pode ensejar na turma pensamentos do tipo "poderia ser eu lá em cima do palco".   

Tanto sucesso e, principalmente, uma apresentaçao antológica no Close-Up Planet de 1996, na qual Chorao cantou sentado devido a uma lesao numa perna, tornaram impossível ignorar o Charlie Brown - mas também ficou mais fácil curti-los e respeitá-los porque as FMs passaram a martelar uma boa música do grupo, Quinta-feira (aparentemente sobre cocaína), uma daquelas cançoes que podem ficar despercebidas na audiçao de um disco que já tem quatro hits nas rádios, mas que, ouvindo bem, sao definidoras dos rumos de uma banda. E a pergunta rolava: por que o Charlie Brown nao pode ser mais Quinta-feira e menos Gimme o anel, hein?   

O novo CD do grupo é uma resposta a isso: nada impede o Charlie Brown de ser melhor do que já foi. Preço curto, prazo longo acaba de chegar às lojas em meio a um desastre promocional em termos de imprensa escrita - nada de entrevistas, nem ao menos uma foto de divulgaçao junto com o CD, release pouco inspirado etc. - mas surfando outra vez a onda do sucesso radiofônico, com o single Zóio d lula (é assim mesmo que escreve), executada dia e noite nas rádios que ainda nao viraram gospeleiras ou pagodeiras.   

O disco nao é duplo, mas tem 25 faixas. Segundo consta, a maioria dessas composiçoes já estava nos arquivos do Charlie Brown havia algum tempo. Muitas faixas têm menos de dois minutos, várias têm entre dois e três, poucas passam dos três e vao até quatro ou cinco.   

Essa configuraçao faz pensar uma coisa, para além da presunçao dos rapazes em imaginar que nós realmente queremos e podemos ouvir 25 faixas de qualquer disco: para eles é muito fácil fazer música.   

E música de boa qualidade - mais Quinta-feira, menos Gimme o anel. Há muitas letras bem resolvidas no CD; a temática pode ser adolescente ou até pirralha, mas a maneira de tratá-la amadureceu. E cabe observar que os músicos sao muito bons. Fazia tempo nao se ouvia guitarras tao bem tocadas e originais como as conduzidas por Thiago e Marcao - e olhe que estamos falando de um grupo que tem hardcore e ska como matrizes, gêneros que podem ser limitantes em alguns aspectos.   

Obviamente, os vários pontos altos de Preço curto, prazo longo deixam claro que seria muito mais legal ter em maos um CD menos extenso, que receberia cotaçao ótima de qualquer crítico que se preze. Mas os caras nao quiseram assim.   

O fato é que, muito rapidamente, você vai descobrir seu próprio Greatest hits dentro de Preço curto, prazo longo. Aqui vai a sugestao do Diário: Zóio d lula (faixa 2), a única cançao de memória recente que tem três possíveis refroes ("Meu escritório é na praia...", "Deixe viver, deixe ficar" e "Os dias passam, horas se estendem..."), isso quando a maioria das bandas funde a cuca para achar um único gancho para suas composiçoes; Resolve o meu problema aí (faixa 3), um hardcore mixado a ska com show de guitarras; Te levar (faixa 4), hardcore pop meigo para a namorada de Chorao que simplesmente inutiliza o Green Day; O preço (faixa 6), uma simpática cópia descarada de Capítulo 4, versículo 3 dos Racionais; Nao deixe o mar te engolir (faixa 7) funk-metal típico que suga Freedom, do Rage Against The Machine; Hoje de noite (faixa 8), semibalada grunge (à la Come as you are); Uniao (faixa 11), delírio mano com os rappers Homens Crânio; Mantenha a dúvida (faixa 14), hardcore melódico fantástico e quase épico; A grande volta (faixa 18), que revisita os hits do disco anterior e deve ser o próximo single; e 12 + 1 (faixa 20), gangsta rap com P.MC e DJ Deco Murphy, colegas de Virgin.   

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