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Desenvolvimento ou crescimento econômico?


Alexandre Borbely*

18/06/2016 | 07:00


Toda vez que comparamos a situação econômica de diferentes países nos vêm à cabeça o crescimento e o desenvolvimento econômico. São temas de grande relevância principalmente no que tange ao planejamento macroeconômico. É assunto instigante debatido entre as diversas correntes do pensamento econômico. Mas o que é desenvolvimento econômico? Qual sua real importância e o que é necessário para sua realização?

Muitas pessoas confundem desenvolvimento com crescimento econômico. O crescimento econômico refere-se ao crescimento quantitativo do produto agregado. Ou seja, é um indicador de quanto variou, em termos quantitativos, o PIB (Produto Interno Bruto) em determinado período de tempo.

Já desenvolvimento econômico vai mais além. Este conceito está atrelado às mudanças qualitativas nas condições de vida da sociedade, na qualidade e eficiência das instituições e também das estruturas produtivas do País. Visa ainda, como principal elemento, a melhoria no nível de bem-estar. Pensar em desenvolvimento econômico é pensar em modernidade, em mão de obra qualificada e valorizada, em inovações tecnológicas produzidas por empresas domésticas, em eficiência da estrutura produtiva e também governamental.

O desenvolvimento econômico implica em mudanças no quadro político, institucional, econômico e social. Ou seja, exige-se mudanças estruturais. Acima de tudo, tais mudanças devem ter como principal objetivo a melhoria do nível de bem-estar da sociedade e, principalmente, a redução da pobreza.

As crises econômicas agravam os problemas da miséria, da pobreza e das questões sociais. O empobrecimento da população desestrutura o sistema social. São nestes momentos que nas economias em desenvolvimento e emergentes observa-se o aumento dos indicadores de criminalidade, do nível de desnutrição, evasão escolar e falta de perspectiva da população.

O desenvolvimento econômico depende do crescimento econômico. Este último deve gerar condições para o aumento do nível real de renda per capita. Só assim é possível a população mais carente conseguir melhorar o padrão de vida, gerando melhoria no nível de bem-estar da sociedade. Assim, o crescimento da economia é o fio condutor para redução da pobreza.

Conforme divulgado recentemente, o Banco Mundial reduziu a expectativa de crescimento da economia mundial para este ano. Dentre os principais motivos a baixa dos preços das commodities, o fraco desempenho do comércio global, a desaceleração da economia chinesa, a redução dos fluxos de capitais e a recuperação lenta das economias avançadas.

Os países emergentes estão tendo dificuldades para se adaptar aos preços baixos das commodities. Estes países dependem das exportações de tais produtos. A desaceleração da economia chinesa, além da lenta recuperação das economias avançadas, dificulta os países em desenvolvimento de crescerem e vislumbrarem melhorias na redução do nível de pobreza.

Somado a tudo isso, o Brasil passa por momento de recessão. O PIB per capita deve registrar queda. Acumulamos, assim, o terceiro ano consecutivo de baixa. Desta forma, a expectativa da renda per capita para este ano também é de redução. Ou seja, estamos diante do empobrecimento da população.

Reverter este quadro exige sacrifícios e transparência. O que se espera são mudanças de cunho estrutural. Mas não vislumbrando o curto prazo, ou seja, as próximas eleições.

O crescimento deve vir acompanhado da melhoria do nível de renda real da população e não da concentração desta renda.

Ao longo de muitos anos, a sociedade brasileira acompanhou a concentração de renda em uma camada muito pequena da população, tornando, assim, o mercado interno pequeno. Talvez este seja o principal motivo por não sermos desenvolvidos. Não é o tamanho da população de um país que faz com que seu mercado seja grande, mas sim a renda da população.

Estudos econômicos demonstram que em períodos de queda da atividade econômica os assalariados e pequenos empresários são os mais afetados. Sendo, portanto, o baixo crescimento econômico o principal motivo para a queda na renda per capita no curto prazo. O desenvolvimento econômico está diretamente relacionado à estabilidade e ao crescimento econômico e à eficiência de suas instituições.

A esperança que nos resta é a de o Brasil criar um projeto em que a base do desenvolvimento econômico seja construída. Para isso, o crescimento econômico é urgente.

* Alexandre Borbely é professor de Economia da Escola de Gestão e Direito da Universidade Metodista de São Paulo 



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Desenvolvimento ou crescimento econômico?

Alexandre Borbely*

18/06/2016 | 07:00


Toda vez que comparamos a situação econômica de diferentes países nos vêm à cabeça o crescimento e o desenvolvimento econômico. São temas de grande relevância principalmente no que tange ao planejamento macroeconômico. É assunto instigante debatido entre as diversas correntes do pensamento econômico. Mas o que é desenvolvimento econômico? Qual sua real importância e o que é necessário para sua realização?

Muitas pessoas confundem desenvolvimento com crescimento econômico. O crescimento econômico refere-se ao crescimento quantitativo do produto agregado. Ou seja, é um indicador de quanto variou, em termos quantitativos, o PIB (Produto Interno Bruto) em determinado período de tempo.

Já desenvolvimento econômico vai mais além. Este conceito está atrelado às mudanças qualitativas nas condições de vida da sociedade, na qualidade e eficiência das instituições e também das estruturas produtivas do País. Visa ainda, como principal elemento, a melhoria no nível de bem-estar. Pensar em desenvolvimento econômico é pensar em modernidade, em mão de obra qualificada e valorizada, em inovações tecnológicas produzidas por empresas domésticas, em eficiência da estrutura produtiva e também governamental.

O desenvolvimento econômico implica em mudanças no quadro político, institucional, econômico e social. Ou seja, exige-se mudanças estruturais. Acima de tudo, tais mudanças devem ter como principal objetivo a melhoria do nível de bem-estar da sociedade e, principalmente, a redução da pobreza.

As crises econômicas agravam os problemas da miséria, da pobreza e das questões sociais. O empobrecimento da população desestrutura o sistema social. São nestes momentos que nas economias em desenvolvimento e emergentes observa-se o aumento dos indicadores de criminalidade, do nível de desnutrição, evasão escolar e falta de perspectiva da população.

O desenvolvimento econômico depende do crescimento econômico. Este último deve gerar condições para o aumento do nível real de renda per capita. Só assim é possível a população mais carente conseguir melhorar o padrão de vida, gerando melhoria no nível de bem-estar da sociedade. Assim, o crescimento da economia é o fio condutor para redução da pobreza.

Conforme divulgado recentemente, o Banco Mundial reduziu a expectativa de crescimento da economia mundial para este ano. Dentre os principais motivos a baixa dos preços das commodities, o fraco desempenho do comércio global, a desaceleração da economia chinesa, a redução dos fluxos de capitais e a recuperação lenta das economias avançadas.

Os países emergentes estão tendo dificuldades para se adaptar aos preços baixos das commodities. Estes países dependem das exportações de tais produtos. A desaceleração da economia chinesa, além da lenta recuperação das economias avançadas, dificulta os países em desenvolvimento de crescerem e vislumbrarem melhorias na redução do nível de pobreza.

Somado a tudo isso, o Brasil passa por momento de recessão. O PIB per capita deve registrar queda. Acumulamos, assim, o terceiro ano consecutivo de baixa. Desta forma, a expectativa da renda per capita para este ano também é de redução. Ou seja, estamos diante do empobrecimento da população.

Reverter este quadro exige sacrifícios e transparência. O que se espera são mudanças de cunho estrutural. Mas não vislumbrando o curto prazo, ou seja, as próximas eleições.

O crescimento deve vir acompanhado da melhoria do nível de renda real da população e não da concentração desta renda.

Ao longo de muitos anos, a sociedade brasileira acompanhou a concentração de renda em uma camada muito pequena da população, tornando, assim, o mercado interno pequeno. Talvez este seja o principal motivo por não sermos desenvolvidos. Não é o tamanho da população de um país que faz com que seu mercado seja grande, mas sim a renda da população.

Estudos econômicos demonstram que em períodos de queda da atividade econômica os assalariados e pequenos empresários são os mais afetados. Sendo, portanto, o baixo crescimento econômico o principal motivo para a queda na renda per capita no curto prazo. O desenvolvimento econômico está diretamente relacionado à estabilidade e ao crescimento econômico e à eficiência de suas instituições.

A esperança que nos resta é a de o Brasil criar um projeto em que a base do desenvolvimento econômico seja construída. Para isso, o crescimento econômico é urgente.

* Alexandre Borbely é professor de Economia da Escola de Gestão e Direito da Universidade Metodista de São Paulo 

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