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Cães que viram heróis nas tragédias

Edmilson Magalhães/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Bruna Gonçalves
Do Diário do Grande ABC

19/06/2011 | 07:00


Eles salvam vidas brincando. É assim que os cães do canil do Corpo de Bombeiros do Ipiranga encaram o trabalho. Graças ao faro e à disciplina, são capazes de encontrar de um brinquedo a uma vítima de acidente.

A ideia surgiu em 1998, com o objetivo de auxiliar as buscas de vítimas soterradas ou sob escombros. Atualmente são 12 cães das raças pastor belga de malinois, labrador, golden retriever, pastor alemão e border colie que servem o Estado. Desses, apenas três são machos. As fêmeas predominam porque, ao contrário dos machos, não têm o instinto de marcar território.

Os requisitos para ser um bom profissional são: instinto de caça apurado, sociável, corajoso, com bastante energia e que não seja agressivo. Qualidades encontradas em todos do quartel visitado pela equipe do Diário para acompanhar alguns treinamentos.

O adestramento começa cedo, assim que os filhotes comprados pelo Estado chegam. Parece puxado, mas para os cães não passa de uma brincadeira.

O cuidador conta com a ajuda de uma segunda pessoa, que se esconde levando um brinquedo. O cão, então, precisa encontrá-los. Assim que localiza, precisa latir para chamar a atenção do resgate. Em seguida recebe a recompensa.

O cabo Maximiliano Panagassi, 38 anos, explica que, em média, leva-se até um ano e meio para que o animal esteja apto para ir às ocorrências. Mas os exercícios não param nunca. "A brincadeira exercita o faro. Por isso, ao longo do treino vamos dificultando para estimular", diz o cabo, que há 19 anos está na corporação e há 13 no canil.

Além do treino no quartel, os animais são levados para áreas externas, em locais com lama, escombros e mata, em temperaturas e horários diferentes.

Não são apenas os cães que passam por treinamento. Os donos também fazem curso de cinotecnia na Polícia Militar, onde aprendem como tratar, adestrar e lidar com o comportamento e doenças dos cães.

PARCERIAS
Jade, Beck e Conan são algumas das responsáveis pelos bons resultados. Quem observa a espoleta Jade (pastor belga de malinoi), 3 anos, não imagina o que traz em seu currículo. Desde os nove meses, começou a trabalhar em deslizamentos em Santa Catarina, depois na explosão em loja que vendia fogos de artifício, em Santo André, e deslizamentos em Mauá. "O serviço de busca é difícil. Por isso o treinamento é fundamental. Estou com ela desde os três meses", explica o cabo Laércio Lelis, 34, responsável pela pastora.

Assim como Jade, Beck tem resistência de sobra e muita responsabilidade nas ocorrências. "Essa raça precisar ter um cuidado no treinamento, mas sempre apresenta bons resultados", afirma Panagassi, responsável pelo animal de 2 anos.

O sargento Marcelo Garcia Dias, 38, prefere a raça labrador. "É mais tranquilo, gosta de brincar e não é tão metódico", afirma.
 

Aposentada, Any vive em São Bernardo

Não são apenas os humanos que se aposentam após um período de trabalho. Os cães também têm, com a vantagem de isso acontecer aos 8 anos. Geralmente, o animal fica com o próprio bombeiro que o acompanha. Caso não seja possível, pode ficar com algum familiar ou conhecido. Se não houver ninguém interessado, fica no quartel.

Esse não foi o caso de Any, uma mistura de golden retrivier e labrador, que há dois está aposentada e vive em São Bernardo com o seu companheiro de trabalho, o cabo Maximiliano Panagassi, 38 anos. Existe um termo de doação e de responsabilidade que o Estado e o novo dono assinam.

Any, que está com 10 anos, teve brilhante carreira no trabalho no Corpo de Bombeiros do Ipiranga. Por trás dos pelos brancos do focinho e o olhar de preguiça, Any ainda guarda energia para brincadeiras e para destruir alguns objetos da casa.

Enquanto a equipe do Diário esteve na casa do cabo, na sexta-feira, ela se distraía com um pedaço de carvão ou farejava todo o quintal, de grama. "A adaptação dela foi tranquila em casa. Ela tem um bom relacionamento com meus outros dois cães e adora crianças", explica o cabo.

TRAJETÓRIA
Any chegou ao canil por meio de uma doação, com 50 dias de vida. O treinamento começou e, com menos de 1 ano, já saía para ajudar os bombeiros nas ocorrências.

Entre todas de seu currículo, Panagassi destaca a mais importante: Any foi a primeira cadela a localizar vítima com vida no Brasil, em 2001.

O local era soterramento em um depósito de logística na Avenida Aricanduva, na Zona Leste da Capital. "Ela sempre foi muito corajosa e entrava em qualquer lugar para tentar localizar alguém. O bom relacionamento do cão e do bombeiro é fundamental."

Depois vieram outras, entre elas, no Grande ABC. Ela participou das buscas às vítimas soterradas por conta de um desabamento no Jardim Silvina, em São Bernardo. Foram localizadas oito pessoas, sendo sete crianças e um adulto. Any foi a responsável pelo encontro de três crianças.

Também teve boa atuação no acidente do Metrô Pinheiro, em 2007, e do acidente do avião da TAM, em 2008.



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Cães que viram heróis nas tragédias

Bruna Gonçalves
Do Diário do Grande ABC

19/06/2011 | 07:00


Eles salvam vidas brincando. É assim que os cães do canil do Corpo de Bombeiros do Ipiranga encaram o trabalho. Graças ao faro e à disciplina, são capazes de encontrar de um brinquedo a uma vítima de acidente.

A ideia surgiu em 1998, com o objetivo de auxiliar as buscas de vítimas soterradas ou sob escombros. Atualmente são 12 cães das raças pastor belga de malinois, labrador, golden retriever, pastor alemão e border colie que servem o Estado. Desses, apenas três são machos. As fêmeas predominam porque, ao contrário dos machos, não têm o instinto de marcar território.

Os requisitos para ser um bom profissional são: instinto de caça apurado, sociável, corajoso, com bastante energia e que não seja agressivo. Qualidades encontradas em todos do quartel visitado pela equipe do Diário para acompanhar alguns treinamentos.

O adestramento começa cedo, assim que os filhotes comprados pelo Estado chegam. Parece puxado, mas para os cães não passa de uma brincadeira.

O cuidador conta com a ajuda de uma segunda pessoa, que se esconde levando um brinquedo. O cão, então, precisa encontrá-los. Assim que localiza, precisa latir para chamar a atenção do resgate. Em seguida recebe a recompensa.

O cabo Maximiliano Panagassi, 38 anos, explica que, em média, leva-se até um ano e meio para que o animal esteja apto para ir às ocorrências. Mas os exercícios não param nunca. "A brincadeira exercita o faro. Por isso, ao longo do treino vamos dificultando para estimular", diz o cabo, que há 19 anos está na corporação e há 13 no canil.

Além do treino no quartel, os animais são levados para áreas externas, em locais com lama, escombros e mata, em temperaturas e horários diferentes.

Não são apenas os cães que passam por treinamento. Os donos também fazem curso de cinotecnia na Polícia Militar, onde aprendem como tratar, adestrar e lidar com o comportamento e doenças dos cães.

PARCERIAS
Jade, Beck e Conan são algumas das responsáveis pelos bons resultados. Quem observa a espoleta Jade (pastor belga de malinoi), 3 anos, não imagina o que traz em seu currículo. Desde os nove meses, começou a trabalhar em deslizamentos em Santa Catarina, depois na explosão em loja que vendia fogos de artifício, em Santo André, e deslizamentos em Mauá. "O serviço de busca é difícil. Por isso o treinamento é fundamental. Estou com ela desde os três meses", explica o cabo Laércio Lelis, 34, responsável pela pastora.

Assim como Jade, Beck tem resistência de sobra e muita responsabilidade nas ocorrências. "Essa raça precisar ter um cuidado no treinamento, mas sempre apresenta bons resultados", afirma Panagassi, responsável pelo animal de 2 anos.

O sargento Marcelo Garcia Dias, 38, prefere a raça labrador. "É mais tranquilo, gosta de brincar e não é tão metódico", afirma.
 

Aposentada, Any vive em São Bernardo

Não são apenas os humanos que se aposentam após um período de trabalho. Os cães também têm, com a vantagem de isso acontecer aos 8 anos. Geralmente, o animal fica com o próprio bombeiro que o acompanha. Caso não seja possível, pode ficar com algum familiar ou conhecido. Se não houver ninguém interessado, fica no quartel.

Esse não foi o caso de Any, uma mistura de golden retrivier e labrador, que há dois está aposentada e vive em São Bernardo com o seu companheiro de trabalho, o cabo Maximiliano Panagassi, 38 anos. Existe um termo de doação e de responsabilidade que o Estado e o novo dono assinam.

Any, que está com 10 anos, teve brilhante carreira no trabalho no Corpo de Bombeiros do Ipiranga. Por trás dos pelos brancos do focinho e o olhar de preguiça, Any ainda guarda energia para brincadeiras e para destruir alguns objetos da casa.

Enquanto a equipe do Diário esteve na casa do cabo, na sexta-feira, ela se distraía com um pedaço de carvão ou farejava todo o quintal, de grama. "A adaptação dela foi tranquila em casa. Ela tem um bom relacionamento com meus outros dois cães e adora crianças", explica o cabo.

TRAJETÓRIA
Any chegou ao canil por meio de uma doação, com 50 dias de vida. O treinamento começou e, com menos de 1 ano, já saía para ajudar os bombeiros nas ocorrências.

Entre todas de seu currículo, Panagassi destaca a mais importante: Any foi a primeira cadela a localizar vítima com vida no Brasil, em 2001.

O local era soterramento em um depósito de logística na Avenida Aricanduva, na Zona Leste da Capital. "Ela sempre foi muito corajosa e entrava em qualquer lugar para tentar localizar alguém. O bom relacionamento do cão e do bombeiro é fundamental."

Depois vieram outras, entre elas, no Grande ABC. Ela participou das buscas às vítimas soterradas por conta de um desabamento no Jardim Silvina, em São Bernardo. Foram localizadas oito pessoas, sendo sete crianças e um adulto. Any foi a responsável pelo encontro de três crianças.

Também teve boa atuação no acidente do Metrô Pinheiro, em 2007, e do acidente do avião da TAM, em 2008.

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