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Jobim Sinfônico, muito prazer

Gislaine Gutierre
Do Diário do Grande ABC
05/07/2003 | 17:47
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Garota de Ipanema, Desafinado, Chega de Saudade: qualquer brasileiro que se pretende bem informado sabe mencionar ao menos um ou dois sucessos de Tom Jobim, principalmente com seu valioso parceiro Vinicius de Moraes. Mas a obra orquestral do compositor carioca, com a qual um privilegiado grupo tomou contato de forma intensa no fim de 2002, agora está ao alcance de qualquer pessoa, por meio do álbum duplo Jobim Sinfônico (Biscoito Fino, R$ 30 no site www.biscoitofino.com.br). Há versão em DVD.

Os discos contêm registros dos dois concertos homônimos de dezembro de 2002, na Sala São Paulo, com 70 músicos da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) sob regência de Roberto Minczuk.

O projeto, concebido e dirigido pelo filho de Tom, Paulo Jobim, e pelo violonista Mario Adnet, teve participação de Milton Nascimento (voz), Benjamin Taubkin e Daniel Jobim (piano), Nailor Proveta (clarinete e clarone), Miúcha Adnet (voz) e Cláudio Cruz (spalla).

O trabalho é brilhante. Não só pela beleza das composições e seus arranjos – que permitiram a execução do repertório por orquestra sinfônica e banda –, mas pelo fato de dar corpo a um tipo de produção de Tom Jobim que se encontrava pulverizada. A excelência da equipe envolvida também contribui, e muito, para o resultado.

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O que se ouve em Jobim Sinfônico é um bom apanhado do que Tom escreveu para teatro, cinema ou eventos. Não é uma porção secundária na carreira do artista. Essa vertente precede o período de fama do Jobim da bossa nova e revela muito de sua gênese musical.

Na juventude, Tom pensou em ser concertista. Mas sua professora de piano, Lúcia Branco – a mesma que lecionou para Nelson Freire e que lhe pôs em sintonia com Bach, Beethoven, Chopin, Ravel e Debussy – jogou sobre ele também um balde de água fria ao dizer que jamais poderia ser um grande pianista clássico. O motivo: a pouca abertura de suas pequenas mãos, que não permitia que ele desse uma oitava.

Nada, porém, o impediria de manifestar sua genialidade. Antes de se tornar responsável por arranjos e orquestrações na gravadora Continental, Tom estudou com Lúcia Branco, depois com o maestro Paulo Silva e ainda mergulhou em estudos como Princípios de Orquestração, de Rimsky-Korsakov. Nos tempos de Continental, foi "apadrinhado" pelo maestro Radamés Gnatalli, um admirador do talento do rapaz.

E foi por meio do convite desse padrinho que Tom, então com 28 anos, participou do Quando os Maestros se Encontram, da Rádio Nacional. Sua estréia no pódio foi regendo Lenda, peça sua, feita em homenagem a seu pai.

Lenda era inédita até esse Jobim Sinfônico. Outra novidade desse disco é Prelúdio. Datada de 1956, foi descoberta quase ao acaso, quando Mário Adnet entrevistou o pianista Evandro Ribeiro Rosa, colega de Tom nas aulas com Lúcia Branco. O amigo deu-lhe a partitura de presente.

O álbum, eclético, abre com a solene Brasília, Sinfonia da Alvorada, encomendada pelo presidente Juscelino Kubistscheck para a inauguração de Brasília. No mesmo volume, há Orfeu da Conceição (Overture, Macumba, Modinha e Se Todos Fossem Iguais a Você, com Milton); A Felicidade e Imagina, valsa composta por Tom aos 18 anos.

No segundo disco estão Saudade do Brasil, Matita Perê, Canta, Canta Mais, A Casa Assassinada (trilha de filme homônimo de Paulo César Saraceni), Bangzália, Meu Amigo Radamés, Gabriela e Garota de Ipanema. Imperdível.




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