Ligação Adelson, presidente do partido em Diadema, diz que não o conhece

Manoel Antônio Ferreira Santos, o Tonny Telles, acusado por ambulantes do bairro Serraria, em Diadema, de extorsão é filiado desde fevereiro de 2005 no PSB, partido cujo presidente é o secretário de Segurança Alimentar, Manoel José da Silva, o Adelson. O registro de Tonny está ativo no cartório eleitoral da zona 222.
Na quinta-feira, quando o Diário divulgou as denúncias de camelôs contra Tonny, Adelson afirmou que não o conhecia, a despeito de os comerciantes locais contarem que Tonny recolhia a taxa irregular para aviso de fiscalização com anuência de Adelson. Ao explicar seu envolvimento no caso, o socialista comentou que somente retirou os ambulantes da Avenida Lico Maia e transferiu para o Shop Serraria, de propriedade do empresário Filipe dos Anjos. "Quem é Tonny Telles?", indagou, em seguida.
Socialistas consultados pelo Diário garantem que Tonny é figura carimbada em reuniões do PSB. Músico, o suspeito de extorsão participou de formulação de jingles de candidatos a vereador e integrou até a linha de frente da campanha do vice-prefeito Gilson Menezes (PSB) à Assembleia Legislativa em 2010.
Militantes garantem também que Adelson tinha contato estreito com Tonny. Como demonstração da proximidade, o presidente do PSB e secretário da Prefeitura chamava o músico de ‘Toninho'. "O Tonny recebia a propina e sempre falava no nome do Adelson. (Se não pagassem a quantia) O Tonny falava que não teríamos informação e uma hora ou outra iríamos perder (a mercadoria)", confirmou um dos ambulantes.
Após a reportagem de quinta-feira, o prefeito Mário Reali (PT) determinou abertura de sindicância interna para apurar os responsáveis pelo caso. Além de Adelson e Tonny, o diretor de departamento da Secretaria de Segurança Alimentar, Frank Miller (PSB), foi acusado por Filipe dos Anjos de passar cheques sem fundo e com assinaturas falsificadas como forma de pagamento pelo aluguel dos boxes de 21 camelôs transferidos ao Shop Serraria. Frank nega as acusações. O empresário estima prejuízo de R$ 21 mil.
Na segunda-feira, o promotor de Cidadania de Diadema, Daniel Serra Azul Guimarães, iniciou a coleta de depoimentos de envolvidos no suposto esquema de extorsão para avaliar se abrirá inquérito para investigar o caso. A polícia e a Câmara também apuram as denúncias.
Adelson e Gilson não retornaram às ligações da equipe do Diário.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.