
Segundo moradores, a ordem para fechar veio dos "seguranças do morro". Um grupo armado passou de manha na rua dos Vianas mandando que os comerciantes fechassem. Em um raio de 1 km a partir do encontro da Vianas com avenida da Assembléia, nao havia nenhum estabelecimento aberto. Padarias, bares, mecânicos, borracheiros e até as igrejas evangélicas (dezenas na área) tinham as portas cerradas.
A ameaça correu como rastilho de pólvora. Um se aproximava de outro, outro caminhava para o próximo e a ordem corria boca-em-boca. "Tudo fechou entre 11h e 13h", disse uma moradora. "Nem padaria temos para comprar um paozinho." Ao lado desse cruzamento central, um posto da Polícia Militar, onde os soldados observavam impotentes as portas fechadas. "Saímos nas ruas, mas nao conseguimos localizar ninguém ameaçando comerciantes, e esses nao prestaram queixas à polícia por medo", disse um policial.
Lessa estava sendo procurado pela Justiça acusado de matar cerca de 20 pessoas no Grande ABC. De acordo com José Rodrigo Martinez, chefe dos investigadores da Seccional de Sao Bernardo e Sao Caetano, Lessa começou a se estabelecer na área em 1987, quando tinha apenas 17 anos. "O dono do morro" foi o termo usado por um garoto de apenas 9 anos, morador da Vila Sao Pedro, ao falar sobre Lessa.
A polícia acredita que, com a morte do suposto traficante, os negócios com drogas na regiao do Jardim Farina diminuam. Martinez nao descartou, entretanto, que novas quadrilhas passem a disputar o comando do tráfico no bairro. "Vamos trabalhar para que isso nao aconteça", afirmou.
Mas esse trabalho vai ter de começar o mais rápido possível. Quinta-feira à tarde, já corria na área a informaçao de que um rapaz conhecido como Zelao já estava assumindo o espólio de Lessa.
Na madrugada de quarta-feira, quatro policiais civis, chefiados pelo delegado Roberto Lopes, responsável pelo 6º DP de Sao Bernardo, foram até a cidade de Avaí para tentar prender Lessa. No sítio onde o procurado estava, os policiais foram recebido por um irmao dele, Odil José da Silva. "Ele foi preso com duas pistolas 9 mm ilegais", disse Martinez.
De acordo com a polícia, ao tentar invadir o sítio, os investigadores foram recebidos a bala e revidaram os disparos. Durante o tiroteio, Lessa levou um tiro na cabeça, sendo levado para um pronto-socorro, mas nao resistiu e morreu. Com Lessa, os policiais disseram ter encontrado um revólver calibre 38 usado no tiroteio. Dentro da casa, foi encontrada mais uma pistola 9 mm, além de uma espingarda calibre 36 e um armamento que atira flechas.
O velório de Lessa estava marcado para quinta-feira a noite no Cemitério Jardim das Colinas, no Farina, para onde companheiros dele prometiam salva de tiros durante a madrugada.
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