Economia Titulo Em 2015

Indústria do Grande ABC demite 29,8 mil

Montante equivale ao total de funcionários da General Motors, Volkswagen e Mercedes-Benz

Marina Teodoro Especial para o Diário
22/01/2016 | 07:13
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Para completar a lista de resultados que os empresários da indústria querem esquecer em 2015, o índice de desemprego no setor bateu recorde outra vez. No balanço anual, foram demitidos 29.850 trabalhadores, somente nas empresas do Grande ABC, de acordo com pesquisa do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), realizada com suas associadas, o que inclui tanto trabalho formal quanto informal. Para se ter ideia da magnitude desse número, no ano passado as indústrias das sete cidades dispensaram quase que o equivalente ao total de trabalhadores das fábricas da Volkswagen (com 11,7 mil funcionários), Mercedes (10 mil) – ambas de São Bernardo – e General Motors (9.200) – em São Caetano.

As quase 30 mil dispensas representam recorde de demissões na indústria, pelo menos, desde 2008 – auge da crise econômica mundial. Em 2014, entretanto, o saldo já tinha sido amargo, totalizando 20.550 cortes.

Essa situação crítica, no entanto, embora mais agravada no Grande ABC pelo fato de a região concentrar grande quantidade de indústrias, especialmente do setor automotivo, não é exclusividade daqui. No Estado de São Paulo, as demissões são as maiores desde o início da série histórica, em 2006, com 235 mil postos eliminados em 2015.

DGABC

Um dos fatores que podem explicar a má fase do ramo industrial, de acordo com diretor regional da Ciesp de Diadema, Donizete Duarte da Silva, é a falta de comprometimento do desenvolvimento de processos industriais locais com a vinda de empresas do Exterior para o Brasil. “Não houve acompanhamento das empresas nacionais às internacionais. As montadoras daqui não estão preparadas intelectualmente para produção, como as do Exterior.” Para Silva, esse processo afetou o mercado, que desencadeou crise sem volta. “É preciso que sejam criadas condições para redesenhar a indústria no Grande ABC, como a revisão do modelo de formação profissional, e a modernização dos padrões empresariais.”

Entre as sete cidades, a que mais sofreu com as demissões foi Santo André (que engloba Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), com 10,4 mil vagas a menos em 2015. O diretor da Ciesp de Santo André, Emanuel Teixeira, afirma que “devido à falta de montadoras nas cidades, mas grande concentração de empresas menores fabricantes de autopeças, é natural que o número seja maior”. Em seguida vem São Bernardo, com 9.400 cortes. Diadema eliminou 8.100 postos, e São Caetano reduziu o quadro para 1.950 funcionários a menos.

Na visão dos diretores do Ciesp, o cenário de lay-offs (suspensão temporária de contrato), férias coletivas, PDVs (Programas de Demissão Voluntária) nas montadoras deverá se repetir neste ano. Essas medidas, inclusive, que ajudam a conter os cortes nas grandes companhias, não estão ao alcance das menores que, diante da redução drástica de pedidos, demitem. “Não há perspectiva de recuperação. Não acredito nessa história de ‘pior do que está não fica’. Diante de momento de insegurança política e jurídica, sem reforma tributária, o mercado continuará desacelerando”, prevê Teixeira.

Considerando apenas dezembro, as demissões na região atingiram 550 postos. O que aliviou o índice de demissões foi o fato de as indústrias de São Bernardo terem contratado 900 funcionários. 




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