O americano Bobby Fischer, lendário campeão do mundo de xadrez, morreu aos 64 anos de idade na Islândia, país no qual vivia para evitar ser preso nos Estados Unidos.
Gênio precoce do xadrez, de personalidade excêntrica, Fischer é considerado por muitos especialistas o melhor enxadrista de todos os tempos. Ele se consagrou campeão do mundo em 1972, depois de derrotar o soviético Boris Spassky em uma série de partidas marcadas por toda a tensão da Guerra Fria.
Porém, em 1975 bateu de frente, por causa das regras do torneio, com a Fide (Federação Internacional de Xadrez), que retirou seu título e o atribuiu ao soviético Anatoli Karpov.
Excêntrico - O jogador nasceu nos Estados Unidos, mas morou na Islândia nos dois últimos anos, após passar oito meses atrás das grades no Japão, na mais recente reviravolta de uma vida que entrou em decadência após o momento de glória, alcançado aos 29 anos.
Fischer, que praticava xadrez se trancando em um quarto por dias jogando sozinho, se recusou a jogar após sua vitória sobre Boris Spassky, e perdeu o título em 1975. A paranóia do jogador aumentou em 1981, quando sua aparência desleixada fez com que fosse confundido com um suspeito de roubo de bancos na Califórnia.
Ele voltou ao xadrez em 1992, com uma partida contra Spassky na Iugoslávia, em plena guerra dos Bálcãs. Em uma coletiva de imprensa, ele desdenhou um aviso feito pelo governo americano de que ele estaria quebrando as sanções impostas ao país e venceu o russo mais uma vez, levando mais de US$ 3 milhões como prêmio, sobre os quais disse que jamais pagaria um centavo de imposto.
Depois disso, o retorno de Fischer aos holofotes ocorreu em 11 de setembro de 2001, quando ligou para uma rádio filipina para saudar "as maravilhosas notícias" dos ataques terroristas. Na ocasião, ele declarou ainda que "ninguém fez mais sozinho pelos Estados Unidos do que eu". Segundo ele, sua façanha fez os Estados Unidos parecer "um país intelectual". "Mas agora eu não sou mais útil. Veja, a Guerra Fria acabou e agora eles querem me ferrar, pegar tudo o que eu tenho, me prender", disse.
Fischer nunca mais pisou nos Estados Unidos desde então, onde foi condenado a 10 anos de prisão por ter jogado a tal partida. Em 13 de julho de 2004, ele foi preso no aeroporto japonês de Narita por viajar com um passaporte que havia sido cancelado por Washington.
Durante meses o governo japonês ponderou sobre mandá-lo para os Estados Unidos, quando em 2005 a Islândia veio em seu socorro e lhe concedeu a cidadania, como retribuição por ter tornado o país e o xadrez famosos em 1972.