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Pais de agressores de travestis no Rio pedem desculpas
Do Diário do Grande ABC
04/08/2000 | 22:35
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Pais e advogados dos quatro lutadores de jiu-jítsu, que atiraram balas de borracha em três travestis, foram nesta sexta até a 13ª DP (Copacabana) e pediram desculpas às vítimas. Constrangida, a mae do lutador Roger Gracie, Reila Gracie pediu perdao aos travestis pela atitude do filho.

"Eu conversei com ele e contei que fiquei muito triste. Acho que foi uma brincadeira de mau-gosto. Uma atitude absolutamente reprovável. Queria pedir desculpas em nome dele. Foi uma surpresa, um choque. Reprovo a brincadeira, mas estou do lado dele porque é um menino que está construindo sua história de vida", disse Reila Gracie.

No último domingo, Roger Gracie sagrou-se campeao mundial de jiu-jítsu. As vítimas da agressao - os travestis Débora, Susy e Walquíria -, aceitaram o pedido de desculpa e informaram que se manifestarao apenas em juízo.

Os lutadores foram enquadrados na lei nº 9.099 por lesao corporal leve e o inquérito será encaminhado ao Juizado Especial Criminal. Durante quatro anos, Roger Gracie, Murilo Carvalho da Silva Neto, Rafael Correia de Lima e Rafael Ramos nao poderao cometer nenhum tipo de agressao ou ter desvio de comportamento.

Apesar da retrataçao feita por parentes e advogados dos lutadores, o advogado das vítimas está insatisfeito. "O delegado fez um relatório e o encaminhará ao Ministério Público, mas nao vai dar em nada. Nós teremos que fazer valer a justiça na parte mais sensível do ser humano que é o bolso", afirmou Sagrillo que deve pedir indenizaçao por danos morais para os seus três clientes. De acordo com o advogado, o travesti Susy teve uma lesao grave nas nádegas. "Ela está tensa porque está tendo problemas em funçao do ferimento que teve. Ela marcou consulta médica para segunda-feira", afirmou.

Para apurar atos de violência e agressoes contra minorias, entre as quais homossexuais e freqüentadores de casas noturnas, foi aprovada nesta quinta uma Comissao Parlamentar de Inquérito na Assembléia Legislativa. O deputado Paulo Ramos, autor do projeto, resolveu propor a CPI para apurar os constantes confrontos que ocorrem entre lutadores de academias de artes marciais e seguranças de casas noturnas. A CPI tem 90 dias para concluir os trabalhos.




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