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Casal de Mauá tem relação especial com o mês de setembro

André Henriques Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Juntos há 70 anos, Antônio e Júlia, da Vl.Vitória, em Mauá, nasceram e se casaram no período


Nelson Donato
Especial para o Diário

26/09/2015 | 07:00


Setembro é mês marcado pelo início da primavera. Conhecida como estação das flores, exatamente por isso possui ar romântico, propício para a paixão. Foi neste contexto que há mais de 70 anos a relação do casal Antônio e Júlia Beluco, 93 e 90 anos, respectivamente, teve início.

O casal, que se conheceu em Presidente Bernardes, no interior do Estado, mora na Vila Vitória, localizada em Mauá, há 53 anos. Durante o período de união, não faltam histórias e fatos curiosos que tornaram a vida deles ainda mais especial.

Uma das principais peculiaridades do casal é a relação deles com setembro. Além do fato de terem nascido neste período do ano, também se conheceram e se casaram no mesmo mês. A proximidade das datas chama a atenção. Júlia nasceu no dia 18, Antônio no dia 23 e eles se casaram no dia 22.

A residência do casal pode também ser chamada de museu. Além de inúmeras fotografias antigas, incluindo imagens dos sete filhos gerados pela união duradoura, a estante possui várias coleções de objetos de épocas passadas, tais como ferros, porcelanas e souvenirs das muitas viagens e aventuras das quais eles participaram.

Antônio foi o primeiro motorista de ambulância de Mauá. Antes de aceitar o emprego que o eternizaria na história da cidade, foi caminhoneiro. “Viajava por todo o País. Quando me convidaram para dirigir ambulância, fiquei um pouco receoso, mas decidi enfrentar o desafio”, conta o aposentado, que ficou no emprego por 33 anos.

Dirigir sempre foi um prazer para Antônio. Além da ambulância, ele foi taxista durante 15 anos. Outro hobby é a pescaria, que lhe rendeu várias viagens e momentos únicos. “Fui para o Pantanal várias vezes. Uma vez reunimos amigos e fomos para lá de ônibus, foi muito bom”, relembra.

A convivência do casal sempre foi baseada na confiança. Durante os longos períodos que Antônio passava longe do lar por causa da profissão, quem cuidava da casa e assumia todas as responsabilidades da família era Júlia. “Meu marido sempre confiou em mim. Ele me dizia para fazer tudo o que eu achava certo, porque tinha o respaldo dele.”

O talento da dona de casa para planejar e organizar é invejável. Parte da sua residência foi desenhada por ela mesma, sem a ajuda de profissionais. “Todos falam que se tivesse estudo, seria engenheira. Eu que dei a ideia de construir uma sala a mais aqui e também projetei a garagem. Pena que não tive mais oportunidades, teria feito sucesso”, brinca.

VIAGENS

O espírito aventureiro faz parte da relação dos idosos. Eles viajaram por todo o Brasil e, de cada lugar, trouxeram uma lembrança. “Sempre passeamos muito. Nossas bodas de ouro foram comemoradas em Jerusalém. Antes, passamos por alguns países da Europa, foi muito bom.”

Apegado, o casal não se desgruda. “Sempre que posso tiro uma casquinha dele. Lembro quando, no dia seguinte do nosso casamento, quase ninguém lembrou do aniversário do Antônio, mas ele disse que já tinha recebido o melhor presente da sogra dele. Todo mundo achou estranho porque ninguém havia visto a minha mãe, foi quando ele me abraçou e disse que eu era o presente dele.”

Músico homenageia cidade na Orquestra dos Violeiros

Orgulho de morar em Mauá. Esse é o sentimento que resume a relação do músico João Aletto Filho, 59 anos, com a cidade. Idealizador da Orquestra dos Violeiros de Mauá, que produziu seus primeiros acordes na Igreja Nossa Senhora das Vitórias, na Avenida da Saudade, 814, Alleto é o típico cidadão que não desiste dos seus ideais.

Ele conta que depois de duas tentativas frustradas, em 1990 finalmente conseguiu fundar o grupo. “A ideia surgiu em 1984 e tentei novamente em 1987. Depois de ouvir um concerto da Orquestra de Osasco, senti que era o momento de colocar os planos em prática. Foi aí que consegui reunir um pessoal e fizemos o primeiro ensaio na igreja.”

Com o sucesso, o grupo passou a frequentar diversos templos católicos do município. O êxito da empreitada foi tão notório que, após alguns anos, Aletto fundou a Orquestra dos Violeiros e Berranteiros de Mauá. “Nossa cidade é a única do País com duas orquestras. Gostamos de levar serviços para a comunidade sem pensar em fins lucrativos.”

Recentemente o grupo lançou álbum com 15 faixas que contam a história de vários pontos de Mauá. “Temos músicas que falam de várias tradições da nossa cidade. É claro que em uma delas cantamos sobre a Nossa Senhora das Vitórias. Já visitamos alguns países da América Latina, para onde levamos um pouquinho da nossa cultura.”

Comerciante relembra tempo de tranquilidade do início do bairro

O progresso, por vezes, é cruel. Para aqueles que viveram tempos tranquilos e de baixo movimento, o choque trazido pelo ritmo alucinante das grandes cidades é ainda pior. Essa é a realidade vivida pelo comerciante Arioci Xavier da Silva, o Alemão, 56 anos.

Dono de um depósito de bebidas na Vila Vitória, ele viu o crescimento do bairro e as mudanças que ocorreram ao longo dos mais de 30 anos nos quais está instalado no local. “Aqui era muito tranquilo, como no Interior. Não tinha movimento, as ruas não eram asfaltadas. Eu e meus amigos costumávamos subir em uma pedra que tinha aqui perto para olhar a paisagem.”

A partida de muitos desses amigos entristeceu a rotina de Alemão. “Muitos se mudaram daqui para o Interior. Lembro quando era mais jovem e pensava que nunca sairia daqui. Hoje a maioria deles se foi e conheço poucas pessoas. Não sou um cara saudosista, mas sinto falta de reunir os amigos nos fins de semana e fazer churrasco.”

Com tanto tempo no mesmo local, boas histórias não faltam. Muitas delas ocorreram por causa do Cemitério da Saudade, que também fica na Vila Vitória. “Muitas pessoas não queriam investir no bairro por conta do cemitério. Tinham muito receio, pois acreditavam que daria azar.”

Um dos casos mais curiosos é o de um ex-funcionário de Alemão que tinha medo de mau agouro. “Passavam muitos cortejos aqui e ele se escondia. Algumas vezes saia correndo atrás daquelas pessoas, encostava em uma delas e gritava ‘passa morte que eu tô forte’. Pena que ele também sumiu, era uma figura.”  



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