Setecidades Titulo Transtorno

Ortorexia: quando alimentação saudável se torna uma doença

Marília Montich
Do Diário OnLine
18/08/2015 | 13:00
Compartilhar notícia
Divulgação
Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Tudo em excesso faz mal, já dizia o bom e velho ditado popular. Nem sequer o hábito de se alimentar de forma saudável escapa dessa máxima. O comportamento, quando vivenciado de maneira obsessiva, se enquadra em um transtorno alimentar relativamente novo e ainda pouco conhecido: a ortorexia.

A característica principal da doença surge quando a pessoa se torna obcecada quanto aos padrões daquilo que come e chega ao ponto de deixar de aceitar convites para almoçar ou jantar fora, seguindo a risca dietas pensando apenas na alimentação e na performance da imagem corporal.

“O termo ortorexia é de origem grega. “orthós” significa correto e “orexsis”, fome, o que nos leva a hipótese de que é comer da forma correta, porém tudo o que é demasiadamente rígido ou, ao contrário, de menos, gera desequilíbrio, levando ao processo de adoecimento. Assim, a ortorexia é uma distúrbio de comportamento alimentar, que só recentemente foi diagnosticado, após a publicação do livro ''Health Food Junkies'' (''Viciados em Comida Saudável'', em tradução livre), do médico americano Steven Bratman, lançado em 2001”, explica a professora de Psicologia da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul) e presidente do Nepsar (Núcleo de Estudo e Pesquisa em Sociopsicodrama do ABC e Região), Madalena Cabral Rehder.

DGABC

A patologia, contudo, ainda não consta nos manuais médicos e costuma ser chamada pelos doutores de seletividade alimentar. Ela tem se tornado cada vez mais comum, incentivada pelas dietas da moda. Não há estatísticas confiáveis, mas especialistas asseguram que o transtorno é recorrente entre mulheres adultas e jovens e sua incidência tem aumentado bastante entre adolescentes.

Uma linha tênue separa aquele que se preocupa em seguir uma dieta saudável e aquele que sofre com o transtorno. Segundo o psiquiatra e supervisor do Programa de Transtornos Alimentares do IPq - Instituto de Psiquiatria HC (Hospital das Clínicas), Eduardo Aratangy, três aspectos definem quando o quadro passa a ser patológico. “Primeiro observamos se o comportamento traz sofrimento à pessoa. Segundo, se traz disfuncionalidade, ou seja, se ela precisa abrir mão das atividades cotidianas, como estudo, trabalho e relacionamentos, em nome dessa preocupação. E terceiro, se traz isolamento social.”

Os malefícios para quem vive com a doença afetam tanto físico como emocional. “No âmbito psicológico, há o sofrimento de ser refém de uma seletividade, uma obsessão alimentar. Um ortoréxico que viaja pode ter muita dificuldade em encontrar alimentos e chegar até a se privar da viagem”, afirma Aratangy. “Quanto ao físico, podem ocorrer desvitaminoses e desnutrição protéico-calórica. Em casos mais graves, pode haver até intoxicação. Quem toma apenas chá verde, por exemplo, pode desenvolver cálculo renal e gastrite dependendo do grau de comportamento alterado”, completa.

A boa notícia é que a ortorexia pode ser um problema passageiro na vida de quem procura ajuda. O tratamento é multidisciplinar e consiste na integração das partes médica, nutricional e, principalmente, psicoterápica. “O transtorno tem cura, desde que a pessoa queira se autoconhecer, pois o tratamento consiste em buscar quem o guie em direção ao seu reconhecimento e ao reconhecimento do outro, que assuma a responsabilidade de estar e ser no momento presente, o que construirá o futuro saudável do amanhã”, diz Madalena. 




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;