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Migração de usuários preocupa

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Após saída da Vl.Guiomar, dependentes químicos vão para viaduto da Prestes Maia e área verde próxima à Fundação Santo André


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

28/02/2015 | 07:00


Com o aumento das rondas da PM (Polícia Militar) e da GCM (Guarda Civil Municipal) na Vila Guiomar, em Santo André, quase não são mais vistos os usuários de drogas que frequentavam a região. A maioria se deslocou para debaixo do viaduto da Avenida Prestes Maia, na altura do núcleo Tamarutaca, onde já havia concentração de dependentes químicos, e também para a área verde ao lado da FSA (Fundação Santo André).

Há duas semanas, moradores da Vila Guiomar organizaram protesto. No dia 13, Comissão de Assuntos Relevantes foi criada por parlamentares na Câmara Municipal para acompanhar a situação.

A equipe do Diário esteve em ambos os locais e conversou com alguns usuários sobre a mudança. Todos eles preferiram não se identificar. Cerca de 20 dependentes estavam concentrados no viaduto na tarde de ontem. “Eu ficava lá na Vila Guiomar por muito tempo, até dormia lá. E entendo a revolta dos moradores, porque se eu tivesse uma família, não ia querer que os meus filhos convivessem com a realidade das drogas”, disse uma usuária de 43 anos.

Outra de 32 anos, 15 deles morando nas ruas, afirmou que hoje voltaria atrás se soubesse como seria o caminho das drogas. “Entrei nisso sozinha. Pedi para os meus amigos, mas se soubesse que ficaria nessa situação, jamais teria experimentado. Cheguei até a ficar internada, mas no nível que estou, o lugar é o que menos importa. É desse jeito, sem dignidade, onde a gente estiver.”

Um morador de rua de 35 anos, que estava próximo à FSA, também relatou não se preocupar com o lugar. Havia cinco dependentes químicos no local. “Eu ficava bastante lá na Vila Guiomar, mas acho que aqui é mais tranquilo. Na verdade, pouco importa onde estamos, porque estamos sempre à margem, essa é a nossa vida: não somos bem-vistos pela sociedade”, disse.

As reuniões do Conseg (Conselho de Segurança), realizadas entre integrantes da comunidade, da PM e da Polícia Civil, foram um dos fatores determinantes para o patrulhamento. “É um caso de Saúde pública e, por essa razão, queríamos que o problema fosse resolvido e não retirado e colocado em outro lugar. Os usuários estão doentes e a Prefeitura faz um trabalho de tratamento, só que é mais demorado. Como os moradores não aguentavam mais aquela situação, que já durava anos, houve aumento no policiamento e os usuários começaram a migrar para outros lugares”, disse o presidente do Conseg, o empresário Paulo Gimenes.

O coronel Paulo Cesar Freitas Rodrigues, comandante do 10º Batalhão, relatou que há outros problemas no local que não dependem de policiamento. “A iluminação ruim é um dos principais pontos. Mantemos uma viatura lá para apoio e intensificamos o policiamento para a questão de roubos a transeuntes e tráfico.”

“O que a polícia faz é oferecer segurança para que o pessoal da Prefeitura desempenhe o trabalho junto aos usuários. A ação de presença acaba por afastar os usuários”, disse o comandante da PM no Grande ABC, coronel Marcelo Cortez Ramos de Paula.

Prefeitura faz ações sociais e de Saúde

A Prefeitura de Santo André informou que a vigilância permanente da GCM (Guarda Civil Municipal) e da PM (Polícia Militar) é feita na Vila Guiomar em esquema de revezamento. Quanto ao deslocamentos dos usuários para outros locais, a administração reforçou que se tratam de pontos de concentração conhecidos e monitorados com ações municipais integradas.

A Secretaria da Saúde está presente três vezes na semana, com a equipe do Consultório na Rua. Trata-se de veículo que oferece cuidados em Saúde e orientações e faz o encaminhamentos para as unidades de Saúde.

Já a Secretaria de Inclusão e Assistência Social tem o POP Rua, especializado na abordagem das pessoas em situação de rua. A Prefeitura faz monitoramento das áreas citadas.

Há serviços e equipamentos públicos específicos para tratamento, como o Naps Álcool e Drogas, Caps (Centros de Atenção Psicossocial) e Repúblicas Terapêuticas infantojuvenil e adulto. Ele só ocorre com o consentimento do usuário.

Em breve, a administração planeja lançar o Programa de Braços Abertos, semelhante ao implementado pela Prefeitura da Capital, que servirá como reforço às ações já executadas. Inicialmente serão entre 26 e 28 pessoas beneficiadas com reinserção social e no mercado de trabalho. Os critérios de seleção e inscrição estão sendo elaborados e serão apresentados assim que definidos.
 



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