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Quando comédia no cinema vira polêmica

Atrito com a Coreia do Norte marca saga do
longa-metragem ‘A Entrevista’ antes da estreia


Luís Felipe Soares

27/01/2015 | 07:11


Muito se falou e pouco se viu de ''''''''A Entrevista''''''''. O longa-metragem ganhou espaço nos noticiários pelo fato de ter sido o motivo de grupo de hackers ter invadido o servidor dos estúdios Sony no fim do ano passado, fazendo com que informações confidenciais da produtora viessem à tona. No enredo da comédia, grande parte das piadas gira em torno de Kim Jong-Un, líder norte-coreano tido como um dos responsáveis pelo boicote ao filme – que chegou a ter sua estreia nos Estados Unidos cancelada devido a toda essa confusão. As polêmicas em torno do conteúdo do título serão colocadas à prova ao público brasileiro na quinta-feira, com sua estreia no circuito comercial.

A trama traz o apresentador sensacionalista Dave Skylark (James Franco, insano e cada vez mais especialista em papeis de imbecis adoráveis) e seu produtor, o jornalista Aaron Rapaport (Seth Rogen), conseguindo entrevista exclusiva com o chefe de Estado da Coreia do Norte. Para aproveitar a oportunidade, a CIA convoca a dupla e os coloca em meio a um plano para matar o entrevistado.

Os diretores Seth Rogen e Evan Goldberg extrapolam tiradas, assim como toda produção deve ter liberdade para trabalhar qualquer que seja sua ideia. O conceito de ir além do normal é pano de fundo para todo o projeto, incluindo aqui as revelações feitas por artistas no programa de Skylark, o confronto inesperado com um tigre e os diálogos entre todos os personagens. Como quase não há informações públicas sobre a vida de Kim Jong-Un, as possibilidades de brincadeiras aumentam ainda mais, sendo possível questionar sua sexualidade, a reclusão e os mitos que envolvem o atual ditador mais popular do planeta. Não faltam elementos, caricatos ou não, para tentar moldá-lo ao bel prazer dos realizadores do longa, capazes de colocar o perturbado personagem surtando com uma música da musa pop Katy Perry ao longo de algumas das melhores cenas.

''''''''A Entrevista'''''''' é capaz de fazer rir com seu humor adolescente típico do que a dupla Rogen e Franco tem feito (assim como em É o Fim e Segurando as Pontas), tudo fruto do que ocorre no mundo pop norte-americano. Não estamos em tempo de comédias inteligentes, mas as idiotices reveladas na tela sempre encontram seu público mesmo com outras tantas opções de qualidade espalhadas pelos cinemas.

Esse tipo de confusão sobre cancelamentos e desenrolares já ocorreu em obras como ''''''''A Vida de Brian'''''''' (na qual o grupo Monty Phyon brincou com elementos da Bíblia) e ''''''''Team America – Detonando o Mundo'''''''' (este último disparando piadas contra Kim Jong-il, pai do atual líder norte-coreano). As polêmicas que envolvem a suposta ira de Kim Jong-Un chegam a ser justificadas. É como se, no colégio, falássemos sobre a mãe de um amigo em tom jocoso. Tudo parece controlado até que o motivo de chacota descobre o que está acontecendo. Ninguém gosta de ser o alvo das piadas e isso parece chamar ainda mais a atenção de certas mentes perversas. Toda essa atenção talvez seja o melhor marketing que ''''''''A Entrevista'''''''' poderia ter.



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