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'A Descoberta da América pelos Turcos' era um 'romancinho'

06/08/2001 | 20:31
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Só a história da edição no Brasil de A Descoberta da América pelos Turcos (ou "De Como o árabe Jamil Bichara, Devastador de Florestas, de vista à Cidade de Itabuna para Dar Abasto ao Corpo, ali lhe Ofereceram Fortuna e Casamento" ou ainda "Os Esponsais de Adma") já vale o livro.

"A descoberta" foi uma encomenda de uma estatal italiana que queria comemorar o quinto centenário da descoberta da América publicando um livro com três histórias de escritores do continente. Jorge Amado representou o português, o mexicano Carlos Fuentes o espanhol, e o inglês ficou a cargo de Norman Mailler.

A publicação chamada de "romancinho" pelo autor foi lançada primeiro em francês, em 1992. Em 1993 saía a edição turca, considerada perfeita pelo autor. "As traduções perfeitas são aquelas em línguas que o autor não pode ler", explicava Amado. Só mesmo em 1994 os brasileiros puderam ter acesso ao livro.

A amizade e as aventuras vividas pelos amigos Jamil Bichara e Raduan Murad na região do cacau, no sul da Bahia, em seus tempos áureos são a liga do "romancinho". O primeiro se estabeleceu no lugarejo de Itaguassu, onde cuidava de uma pequena venda. Já Raduan vivia em Itabuna, onde pelo menos uma vez por mês Jamil o acompanhava nas mesas de jogo e em excursões pelos bordéis da cidade.

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Eis que surge uma proposta de casamento com Adma, filha mais velha (e mais feia) de Ibrahim Jafet, dono do empório "O Barateiro". O pai de Adma pretende se livrar do azedume da filha ao mesmo tempo em que traz um sócio para o negócio, que vai mal desde a morte de sua esposa, Sálua. Raduan indica o jovem Jamil para noivo da difícil moça, mas existe um outro candidato...

Segue-se então uma divertida e despretensiosa história, de fácil e deleitosa leitura. E para os mais críticos ao trabalho de Jorge Amado, muitas vezes taxado de repetitivo, o autor deixa o seguinte recado no prefácio: "Se o leitor deste romancinho perceber alguma parecença entre o árabe Jamil Bichara, personagem da história, com Fadul Abdala, personagem de romance anterior, entre Raduan Murad e Fuad Karam, entre o povoado de Itaguassu e o lugarejo denominado Tocaia Grande, não acredite que seja simples coincidência. Trata-se apenas de mais uma prova de que sou um romancista limitado e repetitivo, conforme opinião corrente e expressa pelos nobres senhores da crítica nacional. Opinião dita e repetida, aqui a transcrevo para com ela concordar". Entenda como quiser.




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