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Dia de Finados é momento de rever amigos e lembrar da vida

Nario Barbosa/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Aposentado reencontra no cemitério companheiro de pensionato de 1964


Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

03/11/2014 | 07:00


O Dia de Finados é marcado pelas homenagens aos entes queridos que já morreram. Para alguns, a data é triste, pois traz à memória pessoas que já se foram. Entretanto, para o aposentado Espedito Ferreira, 74 anos, ontem foi um dia de rever amigos e lembrar da própria história.

Após dez anos, o morador de São Caetano reencontrou um antigo amigo, Marcos Polzatto, 71, dentro do Cemitério das Lágrimas, em São Caetano. Foi um momento de recordar como ambos chegaram ao município e dividiram quarto em um pensionato na Rua São Paulo, por cinco anos, a partir de 1964.

Depois de ajudar muito a sua família na roça de arroz e feijão, em Itajubá, no Sul de Minas Gerais, Ferreira, que tinha apenas estudado até o Ginásio (atual Ensino Fundamental), resolveu “ganhar a vida”.

“A gente ouvia falar por lá que o ABC estava fervendo. Que era a região da vez. Que tinha emprego. Então resolvi viajar para cá”, lembrou o ex-funcionário da Volkswagen.

Aos 22 anos, desembarcou no Terminal Rodoviário da Barra Funda, na Capital, e ficou perdido. “Não sabia para que lado ir. Fiquei em um pensionato ali perto e, três dias depois, segui para o ABC”, contou Ferreira. A primeira hospedagem foi no bairro Fundação, em São Caetano, durante período em que trabalhou como ajudante de caminhoneiro. “Me falaram que era fácil, só ficar sentado do lado do motorista. Foi o que fiz”, brincou, destacando que a verdade não era bem essa. “Sofri mais do que rato de esgoto”, comparou, aos risos.

Poucos meses depois, ainda insatisfeito com sua situação, decidiu se matricular em um curso técnico. Mudou-se para o pensionato da Rua São Paulo, no bairro Santa Paula, e conheceu Polzatto, que tinha acabado de chegar de Barra Bonita (interior de São Paulo). Ele, por sua vez, também em busca de trabalho no Grande ABC, conseguiu emprego na fábrica da GM (General Motors) de estoquista.

Ferreira seguiu caminho semelhante. Estudou por dois anos e traçou o objetivo. Queria a Volkswagen. “Eu já sabia que o Fusca iria vender muito naquela época. Quando fui à entrevista, um rapaz alto, com o cabelo grande, todo arrumado, chegou em mim e disse: ‘Você que é o mineirinho?’ Eu respondi que sim e ele falou que era de Pouso Alegre (Minas Gerais) e que eu já estava contratado”, lembrou.

Ele se tornou inspetor de qualidade, depois encarregado, passou pela Autolatina (antiga fusão entre Ford e Volkswagen para dominar o mercado do Brasil e da Argentina), voltou para a Volkswagen e lá se aposentou.

Ontem, sem a companhia da esposa, que preferiu ficar descansando em casa, além de encontrar o amigo, Ferreira garantiu que teve várias lembranças boas de outros colegas que estão enterrados no cemitério.

DESINTERESSE

Os comerciantes de flores próximos às necrópoles da região destacaram a falta de interesse dos jovens pela homenagem aos mortos e o baixo movimento em relação ao ano passado. A maioria das pessoas que colocaram flores nos túmulos ontem tinha mais de 30 anos e os poucos mais novos acompanhavam familiares, relataram. Mas os noivos Diogo Brás da Silva, 20, e Thais Paloma da Silva, 21 ficaram de fora desse padrão.

Eles foram ao Cemitério Nossa Senhora do Carmo, conhecido como Curuçá, em Santo André, durante a tarde, para prestigiar parentes de Diogo e para que Thais, que nunca tinha ido à necrópole, conhecesse o local. “O mais interessante é que a gente vê que, apesar das diferenças, ninguém é melhor do que ninguém no final. Todos vêm para cá e os parentes também para visitá-los”, disse Thais.

Buracos nas vias entre os túmulos dificultam visitas dos idosos

Diversas vias entre os túmulos do Cemitério Saudade, na Vila Assunção, em Santo André, estão repletas de buracos, o que dificultou, e muito, a locomoção dos visitantes idosos, ontem, durante o Dia de Finados.

Muitos dependiam de ajuda de muletas, andadores e, principalmente, da colaboração de parentes. Mesmo assim, a locomoção estava complicada, como garantiu a aposentada Joana Staut Peduzzi, 83 anos. “Tenho que tomar muito cuidado para andar aqui”, desabafou.

Seu filho, o comerciante Franco Peduzzi, 53, estava insatisfeito com a situação do solo. Ele torcia para que a necrópole que ainda percorreriam em Ribeirão Pires não estivesse com as mesas condições. “Eles (da administração municipal) têm que dar um jeito, devem arrumar o piso”, criticou.

O superintendente do Serviço Funerário de Santo André, José Antonio Ferreira, garantiu que a autarquia está em fase de início de obras no Cemitério da Vila Assunção. “Há vontade da administração. Já reservamos a verba. Fizemos a cotação com varias empresas”, disse, estimando que, apenas nessa necrópole, o custo superará os R$ 500 mil e as obras demandarão cerca de seis meses.

Para melhorar a situação das vias, explicou Ferreira, será necessário tirar todo o asfalto e o concreto, realizar a poda das raízes das árvores e aplicar concreto em seguida. “E tudo muito bem calculado, pois, em período de chuva, por exemplo, podemos sofrer com infiltrações (nos túmulos).”

Ferreira prometeu ainda que, além de reformas no Cemitério da Vila Assunção, depois será a vez dos cemitérios Cristo Redentor (Vila Pires) e Sagrado Coração de Jesus (Camilópolis). 



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Dia de Finados é momento de rever amigos e lembrar da vida

Aposentado reencontra no cemitério companheiro de pensionato de 1964

Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

03/11/2014 | 07:00


O Dia de Finados é marcado pelas homenagens aos entes queridos que já morreram. Para alguns, a data é triste, pois traz à memória pessoas que já se foram. Entretanto, para o aposentado Espedito Ferreira, 74 anos, ontem foi um dia de rever amigos e lembrar da própria história.

Após dez anos, o morador de São Caetano reencontrou um antigo amigo, Marcos Polzatto, 71, dentro do Cemitério das Lágrimas, em São Caetano. Foi um momento de recordar como ambos chegaram ao município e dividiram quarto em um pensionato na Rua São Paulo, por cinco anos, a partir de 1964.

Depois de ajudar muito a sua família na roça de arroz e feijão, em Itajubá, no Sul de Minas Gerais, Ferreira, que tinha apenas estudado até o Ginásio (atual Ensino Fundamental), resolveu “ganhar a vida”.

“A gente ouvia falar por lá que o ABC estava fervendo. Que era a região da vez. Que tinha emprego. Então resolvi viajar para cá”, lembrou o ex-funcionário da Volkswagen.

Aos 22 anos, desembarcou no Terminal Rodoviário da Barra Funda, na Capital, e ficou perdido. “Não sabia para que lado ir. Fiquei em um pensionato ali perto e, três dias depois, segui para o ABC”, contou Ferreira. A primeira hospedagem foi no bairro Fundação, em São Caetano, durante período em que trabalhou como ajudante de caminhoneiro. “Me falaram que era fácil, só ficar sentado do lado do motorista. Foi o que fiz”, brincou, destacando que a verdade não era bem essa. “Sofri mais do que rato de esgoto”, comparou, aos risos.

Poucos meses depois, ainda insatisfeito com sua situação, decidiu se matricular em um curso técnico. Mudou-se para o pensionato da Rua São Paulo, no bairro Santa Paula, e conheceu Polzatto, que tinha acabado de chegar de Barra Bonita (interior de São Paulo). Ele, por sua vez, também em busca de trabalho no Grande ABC, conseguiu emprego na fábrica da GM (General Motors) de estoquista.

Ferreira seguiu caminho semelhante. Estudou por dois anos e traçou o objetivo. Queria a Volkswagen. “Eu já sabia que o Fusca iria vender muito naquela época. Quando fui à entrevista, um rapaz alto, com o cabelo grande, todo arrumado, chegou em mim e disse: ‘Você que é o mineirinho?’ Eu respondi que sim e ele falou que era de Pouso Alegre (Minas Gerais) e que eu já estava contratado”, lembrou.

Ele se tornou inspetor de qualidade, depois encarregado, passou pela Autolatina (antiga fusão entre Ford e Volkswagen para dominar o mercado do Brasil e da Argentina), voltou para a Volkswagen e lá se aposentou.

Ontem, sem a companhia da esposa, que preferiu ficar descansando em casa, além de encontrar o amigo, Ferreira garantiu que teve várias lembranças boas de outros colegas que estão enterrados no cemitério.

DESINTERESSE

Os comerciantes de flores próximos às necrópoles da região destacaram a falta de interesse dos jovens pela homenagem aos mortos e o baixo movimento em relação ao ano passado. A maioria das pessoas que colocaram flores nos túmulos ontem tinha mais de 30 anos e os poucos mais novos acompanhavam familiares, relataram. Mas os noivos Diogo Brás da Silva, 20, e Thais Paloma da Silva, 21 ficaram de fora desse padrão.

Eles foram ao Cemitério Nossa Senhora do Carmo, conhecido como Curuçá, em Santo André, durante a tarde, para prestigiar parentes de Diogo e para que Thais, que nunca tinha ido à necrópole, conhecesse o local. “O mais interessante é que a gente vê que, apesar das diferenças, ninguém é melhor do que ninguém no final. Todos vêm para cá e os parentes também para visitá-los”, disse Thais.

Buracos nas vias entre os túmulos dificultam visitas dos idosos

Diversas vias entre os túmulos do Cemitério Saudade, na Vila Assunção, em Santo André, estão repletas de buracos, o que dificultou, e muito, a locomoção dos visitantes idosos, ontem, durante o Dia de Finados.

Muitos dependiam de ajuda de muletas, andadores e, principalmente, da colaboração de parentes. Mesmo assim, a locomoção estava complicada, como garantiu a aposentada Joana Staut Peduzzi, 83 anos. “Tenho que tomar muito cuidado para andar aqui”, desabafou.

Seu filho, o comerciante Franco Peduzzi, 53, estava insatisfeito com a situação do solo. Ele torcia para que a necrópole que ainda percorreriam em Ribeirão Pires não estivesse com as mesas condições. “Eles (da administração municipal) têm que dar um jeito, devem arrumar o piso”, criticou.

O superintendente do Serviço Funerário de Santo André, José Antonio Ferreira, garantiu que a autarquia está em fase de início de obras no Cemitério da Vila Assunção. “Há vontade da administração. Já reservamos a verba. Fizemos a cotação com varias empresas”, disse, estimando que, apenas nessa necrópole, o custo superará os R$ 500 mil e as obras demandarão cerca de seis meses.

Para melhorar a situação das vias, explicou Ferreira, será necessário tirar todo o asfalto e o concreto, realizar a poda das raízes das árvores e aplicar concreto em seguida. “E tudo muito bem calculado, pois, em período de chuva, por exemplo, podemos sofrer com infiltrações (nos túmulos).”

Ferreira prometeu ainda que, além de reformas no Cemitério da Vila Assunção, depois será a vez dos cemitérios Cristo Redentor (Vila Pires) e Sagrado Coração de Jesus (Camilópolis). 

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