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Região deu importante contribuição

08/03/2010 | 07:05
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC é um dos berços do movimento de mulheres no País. Foi em Santo André que surgiu, em 1989, o primeiro espaço para a mulher ligado a um órgão público municipal, a Assessoria dos Direitos da Mulher, vinculada ao gabinete do então prefeito Celso Daniel (PT), assassinado em 2002.

Tudo começou em meados da década de 1970, quando diversos grupos de donas de casa criaram o Movimento Panela Vazia, indo às ruas munidas com panelas para mostrar suas lutas. Saúde, compras comunitárias, sacolões e difusão de orientações sobre nutrição, combate à desnutrição infantil. Destaque nessa época para o surgimento da Pastoral da Criança.

"Nessa época eu atuava nas Comunidades Eclesias de Base, ligada à igreja católica. Depois integrei a Pastoral da Comunicação, extinta em 1993, participei de momentos históricos da região como o primeiro encontro de mulheres de Santo André, em 1991", relatou Cristina Pechtoll, 47 anos, presidente do Fé-Minina - Movimento das Mulheres de Santo André, organização não governamental criada em 1995 por Cristina e outras militantes da região.

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Como é o caso da ex-vice-prefeita e ex-vereadora Ivete Garcia , 47 anos, que se sensibilizou pela causa aos 14 anos, quando integrava a Pastoral da Juventude. No início da década de 1980, época em que o movimento ganhou novas frentes de atuação, em partidos políticos, sindicatos e organizações populares, ela se tornou dirigente do Sindicato dos Químicos da região.

No final dos anos 1980, ela assumiu a recém criada Assessoria dos Direitos da Mulher do município. Foi ela a responsável pelo primeiro encontro de mulheres em 1991, que reuniu 600 participantes no Colégio Júlio de Mesquita. "A partir do encontro os diversos grupos passaram a conversar e a trocar experiências a partir de um fórum permanente", ressaltou Ivete, que a partir do trabalho na linha de produção de uma grande empresa química acabou tendo mais contato com outras mulheres em situações desiguais.

Ivete, que já comandou greves de mulheres por melhores condições de trabalho, conserva sua indignação pela desiguadade. "Chegou o momento de fazermos um balanço sobre as conquistas e traçar novas metas e prioridades para chegarmos a igualdade tão desejada", declarou Ivete, que acaba de se recuperar de um câncer de mama.

Tanto ela quanto Cristina acreditam que uma das principais metas das mulheres é ocupar cada vez mais os espaços públicos e privados. "Precisamos de mais mulheres ocupando esses espaços para que possam nos enxergar ", comentou Cristina, que é mestra em administração pública e professora de Gestão do Terceiro Setor.

SÃO CAETANO - Uma das mobilizações em defesa da mulher na região foi a da Frente de Combate à Violência Contra a Mulher, que lutava pela condenação do montador de carros Maciel Vicente de Lacerda Júnior, então com 26 anos, que matou a tiros a ex-namorada Rosileide Vitório Leal, 22. O Diário publicou no dia 16 de abril de 2004 a condenação de Maciel, que foi a juri popular nove meses depois do crime. "Na ocasião, o prefeito (Luiz Olinto Tortorello) afirmava que não havia casos de violência contra a mulher em São Caetano e nós nos plantamos na frente da Prefeitura até ele se convencer que sim. O que acabou acontecendo com a condenação", comentou Silmara Conchão, militante feminista que participou das mobilizações na cidade.

Militantes da região receberam homenagem

Entre as diversas mulheres que se destacaram na luta pelos direitos femininos, duas ganharam reconhecimento. Uma delas foi Beth Lobo, que virou nome do espaço criado para atendimento à vítima de violência doméstica em Diadema e que existe há 19 anos. Ela morreu em 1991, em acidente de carro, quando visitava grupos de sindicalistas rurais na região de João Pessoa, Paraíba. Participou do movimento em outros países, como na França e no Chile, e fez parte da resistência à ditadura militar.

Maria José dos Santos Stein, morta em 2005, por deficiência no intestino, tem histórico de militância ligado à família, que participava ativamente da Sociedade Amigos de Bairro, da Igreja Nossa Senhora das Graças. A casa de seu pai, Salvador dos Santos, servia de refúgio desabrigados e perseguidos políticos. Nascida em Garça, chegou a Santo André ainda menina. Começou a trabalhar aos 14 anos, em uma tecelagem, quando teve contato com as dificuldades das mulheres. Ingressou na JOC (Juventude Operária Católica), onde participava das reuniões e bailes de confraternização, onde conheceu o marido, Elias Stein. Lutou nas décadas de 1980 e 1990 pela criação do SUS (Sistema Único de Saúde). Também integrava o coletivo Fé-Minina e seu nome acabou sendo dado ao Hospital da Mulher do município.

Grande ABC combate violência com casa abrigo

Uma mulher é agredida a cada 15 segundos no Brasil. Segundo estimativas da Fundação Perseu Abramo, de 2007, 1 bilhão de mulheres em todo o mundo já foram espancadas, estupradas ou submetidas a algum tipo de abuso. Diversas organizações estimam que sete em cada dez mulheres vítimas de homicídio em todo o mundo foram assassinadas por seus companheiros.

Para abrigar mulheres em situações de violência, foi inaugurado em 1991, em Santo André, o primeiro abrigo da região e um dos primeiros no País. Ele foi planejado para acolher mulheres e seus filhos, vítimas de pais e parceiros agressores. "Para manter a integridade delas, foi pensado modelo regional com duas unidades: uma em Santo André e outra em Diadema", disse Silmara Conchão, professora da Faculdade de Medicina do ABC, que integrou o grupo de trabalho de Gênero e Raça do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC.

Em 2004, por meio do consórcio, os sete prefeitos da região assinaram termo de compromisso para implementar o Programa de Fortalecimento Institucional para a Igualdade de Gênero e Raça, e erradicação da Pobreza e Promoção do Emprego, da OIT (Organização Internacional do Trabalho), em parceria com o governo federal, que proporcionou o modelo regional da casa.

Atuação da igreja junto à sociedade revelou líderes

Muitas personalidades do movimento de mulheres do Grande ABC e do País surgiram a partir da atuação das igrejas junto às comunidades. As religiões exercem importante influência sobre a visão feminina dentro da sociedade atual.

"A igreja pode influenciar de forma negativa ou positiva, assim como em qualquer outro núcleo da sociedade", comentou a teóloga Sandra Duarte, professora de Ciências Humanas e Sociais da Faculdade de Teologia e do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo.

"Existem estudos que constataram que se somente a mulher adere à religião, o padrão de comportamento do casal não muda. Já se o casal ou só o homem passa a freqüentar a igreja, as mudanças são muitas", completou.

Com relação à violência contra a mulher, por exemplo, segundo a professora, muitos líderes religiosos acabam aconselhando-a a permanecer ao lado do companheiro e que não tome nenhuma atitude contra ele, mesmo sendo violento, pode estar colocando a vida dessa mulher em perigo.

Por outro lado, a religião que acolhe o homem é responsável pela melhora no ambiente doméstico, diminuindo problemas como alcoolismo e violência.




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