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Arma que matou PC pertence a Augusto Farias, diz Tuma

03/05/2000 | 20:37
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O sub-relator da Comissao Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico da Câmara dos Deputados, Robson Tuma (PFL-SP), revelou nesta quarta-feira, em Maceió, que o deputado federal Augusto Farias (PPB-AL) foi quem pagou a arma usada para matar o irmao, o empresário Paulo César Farias, o PC, encontrado morto ao lado da namorada, Suzana Marcolino, em 23 de junho de 1996. Tuma deu essa declaraçao durante a sessao da CPI, depois que Augusto Farias, que se recusou a responder às perguntas dele o acusou de ter recebido dinheiro de PC para se eleger deputado federal, em 1990.

"O pai dele, senador Romeu Tuma (PFL-SP) foi na casa do meu irmao, em Brasília, acompanhado do comendador Almeida, pedir dinheiro para a campanha do Robson e recebeu uma ajuda de R$ 500 mil, em três parcelas", revelou Augusto Farias, que foi indiciado pela Polícia de Alagoas pelas mortes de PC e Suzana. Como tem foro privilegiado, cabe à Procuradoria-Geral da República denunciar ou nao o deputado. Augusto Farias, que foi o primeiro da família a chegar e o último a sair do local do crime, diz que é inocente.

Sobre a acusaçao de Robson Tuma quanto ao pagamento da arma do crime, Augusto Farias disse que, "mais uma vez, o deputado, sub-relator da CPI, passa informaçoes falsas para a imprensa, com o propósito de querer prejudicá-lo politicamente". O deputado disse ainda que se recusou a falar para a CPI porque "Tuma está usando a CPI para fazer palanque eleitoral para seu pai, que é candidato a prefeito de Sao Paulo, pelo PFL". "Nao vou me sujeitar a ser trampolim para ninguém, principalmente para quem cuspiu no prato que comeu."

Para Robson Tuma, Augusto Farias recusou-se a falar porque nao tem como explicar o envolvimento em vários tipos de crimes. "Nao se pode falar de narcotráfico sem falar de crime organizado, e o deputado Augusto Farias sabe muito bem disso", afirmou Robson Tuma. Segundo ele, o deputado alagoano teria de explicar o envolvimento na morte do irmao, a participaçao na empresa Tigre Vigilância, que está no nome de dois assessores dele, e porque o governo italiano achou nas contas de traficantes dinheiro de membros da família Farias.

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"Quem garante que o PC nao foi morto pela máfia?", questionou Robson Tuma, quando Augusto Farias havia se retirado do plenário para nao ouvir a intervençao do sub-relator da CPI. No fim dessa intervençao, Robson Tuma explicou que Augusto Farias pagou a arma que matou PC porque fez uma transferência de saldo da conta dele na agência do Banco Rural de Maceió para a de Suzana, na mesma cidade, que estava negativa em R$ 16 mil. A operaçao, feita em 16 de setembro de 1996, serviu para cobrir o cheque de 350 reais, que teria sido emitido por Suzana para comprar a arma do crime.

Estao para prestar depoimento à CPI o médico legista Daniel Munhoz e o perito criminal Domingos Tochetti, que assinaram o laudo contestando a versao de crime passional e garantindo que houve duplo assassinato. A irma de Suzana Ana Luíza Noaro prestou depoimento no fim da tarde desta quarta-feira e acusou Augusto Farias de conduzir a primeira fase do inquérito policial

que concluiu pela tese de crime passional. O assaltante pernambucano Elgo Jobel Fernandes Guerreiro, em depoimento à CPI acusou o deputado federal Luiz Dantas (PST-AL), de encomendar carros roubados para praticar crimes de pistolagem em Alagoas. Segundo Guerreiro, o deputado e o irmao dele José Miguel Rodrigues Dantas, mais conhecido como "Zé Miguel", participou de um assalto ao posto do Banco do Brasil (BB) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), de onde foram levados R$ 50 mil.

Além disso, os dois teriam fornecido armas para um outro assalto a uma agência do BB em Sao Miguel dos Campos, a 66 quilômetros de Maceió.

Guerreiro também acusou de envolvimento com a quadrilha o deputado Eldo Magalhaes (PFL-PE) e o ex-prefeiro de Agrestina (PE) Cláudio Damasceno. O assaltante disse que, depois que prestou depoimento à CPI em Pernambuco, escapou de um plano de morte, armado dentro do Presídio de Itamaracá (PE), onde está preso desde agosto de 1998. Guerreiro pediu ajuda aos integrantes da CPI para o transferir do Presídio de Itamaracá, onde se encontra também Marcantil Araújo, preso pela CPI em Pernambuco.

Dantas disse que pediu ao advogado José Costa para falar à CPI somente nesta quinta-feira. Ele negou envolvimento com Guerreiro. "Conversa de bandido nao se leva a sério", afirmou o deputado, acrescentando que Alagoas conhece a família à qual pertence e sabe qual é o patrimônio dele. "Portanto, nao teria motivos para me envolver com esse tipo de gente", afirmou Dantas, sem querer responder se aceita ou nao uma acareaçao com Guerreiro, conforme sugere a CPI. "Nao vou ser achacado por bandido", concluiu.




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